| Roteiro
religioso de primeira |
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Por PAULO REBÊLO
Especial para o PERNAMBUCO.COM |
Pernambuco é um dos poucos
estados brasileiros onde ainda há uma preservação
considerável do conjunto arquitetônico da época colonial,
cujo valor histórico é inestimável. O turismo religioso
é apenas uma das ramificações da conservação de igrejas,
conventos e capelas seculares.
No Recife, em Olinda e em Jaboatão dos Guararapes,
são 42 edificações tombadas pelo Instituto do Patrimônio
Histórico Nacional (Iphan). Ao ser tombada pelo instituto,
o edifício deixa de ser uma propriedade do município
onde se encontra e passa a ser patrimônio nacional,
com reconhecimento em todo o Brasil e sob regência
da legislação federal.
As exceções estão em Olinda, no sítio histórico. Como
o local já é considerado patrimônio da humanidade,
todos os prédios ali situados também se encontram
na mesma posição, ou seja, são tidos como patrimônio
histórico mundial e podem receber recursos do Iphan
e de instituições estrangeiras.
Olinda concentra 20 edifícios tombados pelo Iphan;
no Recife são mais 20; e em Jaboatão são dois. Entre
as construções, os maiores destaques ficam com os
edifícios erguidos, em sua maioria, ao estilo do barroco
ibérico.
De acordo com o diretor-geral do Iphan, Múcio Aguiar
Neto, o instituto tenta ao máximo ajudar os edifícios,
seja em reparos físicos ou em suporte técnico. "Mas
nem sempre é possível, pois a quantidade de edificações
é grande e o nosso orçamento é pequeno. O que acontece,
quando não há recursos, é que fazemos parcerias com
as igrejas", explica Aguiar Neto.

Foto: Heitor Cunha |
Ele cita o caso da Basílica
do Carmo do Recife. Sem condições de arcar com todos
os custos de reparo, o Iphan fez uma parceria com
a Basílica: cede parte do material necessário e dá
subsídio técnico, ficando o resto por conta da administração
da igreja. "Não temos os R$ 9 milhões necessários
à restauração. Mas todo o algodão usado é nosso, por
exemplo", enfatiza Aguiar.
Assim como não há controle sobre a visitação às igrejas
ou conventos, o Iphan também não tem condições de
saber o horário de funcionamento de todas elas, mas
praticamente todos os edifícios ainda funcionam regularmente
e são abertos às visitações, mas em horários específicos.
Em conventos, a visita é mais complicada. Alguns só
permitem a entrada de turistas com hora marcada. Nas
igrejas, a maioria abre durante os dias, com mais
freqüência de segunda à sexta, e durante os horários
de missa.

Foto: Ricardo Fernandes |
As maiores concentrações de
edifícios religiosos ficam na Cidade Alta, em Olinda,
e no centro do Recife - bairros de Santo Antônio,
São José e Recife Antigo. Em Jaboatão, há a Igreja
de Nossa Senhora dos Prazeres, no sítio histórico
do Monte dos Guararapes, e a Igreja de Nossa Senhora
da Piedade, à beira-mar.
De acordo com a diretoria do Iphan, o conjunto arquitetônico
que engloba o Seminário de Olinda e da Igreja de Nossa
Senhora das Graças compõe o edifício de maior destaque
na cidade. No Alto da Sé, o edifício data de 1535
e carrega um estilo renascentista. No interior da
Igreja, dois retábulos de pedra e parte da estrutura
do século XVI sobreviveram ao lendário incêndio e
pilhagem dos holandeses.
No Recife, os destaques vão para a Capela Dourada
da Ordem Terceira Franciscana, de 1695, e a Igreja
de Nossa Senhora de Conceição dos Militares, do início
do século XVIII, ambas em Santo Antônio.

Foto: Roberto Pereira |
A Capela Dourada faz parte
da Igreja do Convento de Santo Antônio, onde também
funciona o Museu Franciscano de Arte Sacra com um
luxuoso interior, considerado a expressão máxima da
arte sacra barroca no Recife, repleto de entalhes
de madeira, pinturas e painéis.
A Igreja da Conceição dos Militares é conhecida pelas
delicadas e elaboradas pinturas do forro do teto,
que retratam a Batalha dos Guararapes. O altar-mor,
em estilo barroco-rococó, também atrai.