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Jusse Rodrigues na Cesky Krumlov, República Tcheca
Praga: sem diferença entre sonho e realidade
Por Jusse Rodrigues

Entre acordar de um bom sonho e viver uma fantasia, a diferença praticamente inexiste pois há certas ocasiões em que nos perguntamos o que é a realidade, quando atingimos certos níveis emocionais e nos deixamos levar por eles.

Aquela segunda-feira acordou cálida e levemente fria, fumaças saiam de chaminés que, por sua vez, brotavam de telhados avermelhados e davam àquela simpática cidade um ar de mistério e preguiça de inicio de semana.

Despedi-me dos meus amigos e, já na estacão de Luneburg, vivi a primeira surpresa: sem falar alemão senti-me pressionado e pequeno diante do incompreensível. Minutos depois, segui o meu caminho em direcão ao sul da Alemanha.

A paisagem mudava gradualmente: ora verde vales e outras vezes regiões industriais. Num dado momento, senti-me como que em um pátio de uma fabrica de automóveis - estávamos rodeados dos últimos modelos e verdadeiras pérolas da industria automobilística e a viagem seguia firme.

Mais alterações na paisagem e os tímidos morros começaram a tomar forma de montanhas. Às vezes, havia a sensação de que estava caminhando entre o rio e as montanhas e havia ate o cheiro de mato e de terra molhada. Dormi...

A soneca foi interrompida pelo oficial da imigração alemã pedindo passaportes e, num piscar de olhos, vi-me nos tempos da Alemanha comunista. Um sorriso foi emitido quando o guarda viu o meu passaporte verde: " - Pelé é o meu ídolo" , disse o sisudo e fardado oficial.

Despedi-me com um "auf wiedersehen" mal ensaiado e esperei o próximo passo quando um outro guarda, desta vez vestido com uma farda diferente e com uma expressão menos pesada, perguntou-me: "- Brasileiro? " . Sim!, respondi. " - Sou fã da Gisele Bundchen ". O momento era de descontração e eu senti ainda mais o orgulho de ser brasileiro e de fazer bem o meu papel de natural de um terra distante mas, nem por isso, desconhecida.

A noite chegou de forma abrupta e inesperada e gelei ao saber que estaria uma vez mais diante do desconhecido... No meu bilhete, a parada será Holesovica, porém, ao sair da minha confortável cabine, a minha intuição não me deixou descer do trem.

Segui para Hlavni Nadrazi, no centro da cidade. Até aquele momento, eu não tinha consciência da importância de estar ali, no coração da Europa, em Praga, capital da simpaticíssima Republica Tcheca. E naquele exato momento, eu perdi ate a minha identidade... era somente mais um cidadão do mundo.

Aquela estação me levou ao Nordeste do Brasil. Vitimas dos sistemas de governo se embriagando para esquecer problemas e infortúnios misturadas a turistas endinheirados, mochileiros e visitantes... o lado real da terra dos sonhos.

A noite se foi trazendo um dia claro e uma atmosfera de descobertas. Timidamente, fui descendo a avenida Sokolska em direção à área central e fui, paulatinamente, sendo tomado por uma emoção indescritível ao chegar na Václavské námìstí (Praca Venceslau), uma versão simplesmente tcheca, da Champs Elysee.

Em diversas ocasiões não é necessário fecharmos os olhos para poder sonhar e estar em na Republica Tcheca e viver um sonho... os tchecos dizem que turistas não são visitantes, porém, convidados, e, para eles, o melhor que os anfitriões podem oferecer.

Vemos sorrisos que recusam-se a se desfazer, um olhar de admiração em cada rosto, e quantos rostos. Milhares. O mundo descobriu Praga e, mesmo tendo sido parte dos chamados países da Cortina de Ferro, a Republica Tcheca sempre ousou e não rendeu-se ao imperialismo dos invasores assumindo assim o seu devido lugar.

A rica arquitetura parece reportar-nos o fato de que o país fora o playground de diversos arquitetos no decorrer da sua existência. As milhares de torres espalhadas pela cidade conferem-na um encanto somente visto em contos de fada e o mais surpreendente é que não basta andar muito para ver um lugar encantador ou marcante...basta estar em Praga ter saúde nos olhos e principalmente no coração.

Não basta saber, ler, ouvir ou ver... há que viver o Coração da Europa, há que viver a hospitalidade e a beleza da Ceska Republika, quem sabe acompanhada por "dumplings", um prato típico da região? Uma porção de "sauerkraut " e uma legitima cerveja, que lá é, sem dúvida, das melhores do mundo.

Visitando a Republica Tcheca, comprovei que existem lugares memoráveis, aqueles que sempre deixarão boas lembranças. Ha também aqueles que têm que ser visitados, Londres, Paris, Madrid, New York ou Cairo, por exemplo.

Em outro ângulo, há os lugares especiais, aqueles que, de tão especiais, somente contamos para os que amamos, para que possam desfrutar daquele doce sabor por nós desfrutado; para que esses seres não menos especiais possam sentir a faísca de prazer que sentimos ao estar lá... .

Para finalizar, existem aqueles lugares para os quais faltam adjetivos, substantivos e denominações. Lugares que de tão absolutamente perfeitos levam-nos as lagrimas de emoção, como aconteceu comigo. Lugares acima de qualquer concorrência, temos vários espalhados pelo mundo afora, verdadeiras unanimidades como o Rio de Janeiro, que é um esplendor da natureza.

No caso da Republica Tcheca, esqueçam qualquer frase já ouvida a respeito e deixem-na por ultimo na sua lista de cidades a serem visitadas. Vai ser difícil surpreender-se com qualquer outro lugar, depois de ter ido a Praga.

Desconheço a língua que possa descrever com exatidão a beleza da capital tcheca e de Cesky Krumlov, uma simpaticíssima cidade, patrimônio da Unesco, quase na divisa com a Áustria. É bem verdade que, se para chegarmos ao paraíso temos algumas paradas, definitivamente o caminho passa por lá.

Tudo começa com um sonho, com uma fantasia real misturando-se a objetivos e, quando menos se espera, imagens tornam-se reais e legando-nos somente a impressão do viver absoluto. Assim é Praga, Cesky Krumlov e a Republica Tcheca um primor da obra divina completada pela obra humana e sem similar no mundo.

Comentários dos leitores

"Adorei o texto, principalmente como deixou claro a magnitude de Praga a ponto de não saber como descrevê-la, a não ser a sensação de magia que a mesma representa. Outro fator importante que é ser brasileiro e reconhecer que temos pessoas que representam tão bem o país lá fora, a ponto de termos orgulho de um povo único e uma nação cheia de esperança e fé.", Fernanda Silva, por e-mail

"Estive em Praga e é realmente um lugar deslumbrante, por lá também encontrei alguns brasileiros, que, como eu, estavam fazendo Turismo. Lá, pela cultura e pela língua bem diferente da nossa, temos uma verdadeira sensação que estamos longe de casa. Dá até um friozinho na barriga. Um lugar acolhedor, belo, ainda com resquícios do comunismo e que vale muito a pena", Karla, por e-mail

"Gostaria de saber se é caro viajar pela República Tcheca.", Ana Paula, por e-mail


   
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