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  Mensalmente, nesta coluna, teremos a colaboração de profissionais da área de educação abordando temas diversos sob a sua ótica.
  O Leitor do Futuro
Bullying: Um problema de todos nós

O que pode parecer brincadeira de criança, na verdade é uma violência. O Bullying é uma realidade nas escolas e atinge pessoas consideradas “diferentes”. Pais e professores muitas vezes não conseguem distinguir o lúdico da falta de respeito. Isso sem falar no cyberbullying, que vem fazendo cada vez mais vítimas na internet.

O Bullying vem do inglês e significa “valentão” e nessa suposta “força” ou “liderança”, leva outros colegas a atingirem cotidianamente e repetidamente suas vítimas, como a criança obesa, o adolescente homossexual ou mesmo a jovem que se destaca pela sua beleza. Da Educação Infantil ao Ensino Superior, temos relatos de agressões físicas, imitações grotescas, apelidos pejorativos e exclusões de trabalhos em grupo.

Os pais e professores podem observar as vítimas de Bullying através de tendências da criança/adolescente ao isolamento ou mesmo na queda do rendimento escolar. Em casos mais graves, a vítima (também chamada de “Bullyied”) passa a ter crises de depressão, podendo até ser levada ao suicídio. Na escola, além do autor da agressão (o Bullyier) e da vítima, existem os espectadores, que quando não incentivam o autor, se omitem, com medo de serem as próximas vítimas.

E em tempos de internet, Orkut, Facebook e Twitter; ameaças, fotomontagens ou comunidades no Orkut do tipo “Eu odeio Fulano de Tal” estão cada vez mais freqüentes. Ao contrário do que se pensa, a web não é uma “terra de ninguém”, onde se pode fazer o que bem entender.

O que pra muitos é uma “zoação sem importância”, para outros é uma tortura diária. É preciso que pais, professores, ídolos e outras lideranças jovens mostrem à turma o quanto o Bullying é prejudicial e contra a cidadania plena. Afinal de contas, já diziam nossos avós: “Respeito é bom e todo mundo gosta”.

PAIS, PROFESSORES, LIDERANÇAS JOVENS, FAÇAM A PARTE DE VOCÊS E ORIENTEM A TURMINHA A RESPEITAR AS PESSOAS, PORQUE RESPEITO É BOM E EU, VOCÊ E TODO MUNDO GOSTA.



Eu me movimento, e você?


Ambulo ergo sum (Movimento-me, logo sou)
Pierre Gassendy – filósofo francês superar.

Cinco e meia da manhã era a hora de acordar. Papai só chamava uma vez e não tinha esse negócio de fazer corpo mole não. Como os nossos filhos fazem hoje... Eu pulava da minha cama beliche, no quarto que dividia com a minha avó Rosa, mãe do meu pai. Dinho, meu irmão mais velho, saía de sua cama desmontável na sala, onde dormia com o caçula Renato. Este, ainda muito pequeno, era dispensado do exercício matinal. Lá íamos eu e Dinho com cara de sono fazer os exercícios do professor Osvaldo Diniz Magalhães. Um idealista – talvez desconhecido da maioria das pessoas - que dava aulas de ginástica calistenica – naquela época era a única opção que havia – na Rádio MEC às 6 horas da manhã todos os dias, menos sábados e domingos. E de graça, porque acreditava ele que ginástica era o início da vida saudável de qualquer pessoa, em qualquer idade. Papai também acreditava- e ainda acredita; hoje, aos 84 anos, faz regularmente seus exercícios matinais porque “gente barriguda é relaxamento”...) E lá íamos nós de cobaia...

Cada semana uma série de exercícios diferentes. Bastão – que, no nosso caso, era um cabo de vassoura mesmo – ou sem bastão. Meia hora por dia. Um tempo depois, me lembro, apareceram os discos e uns mapas ilustrando os exercícios. Mas, quem disse que podíamos fazer em outro horário? De jeito algum, dizia papai. O dia começa mais saudável depois do exercício. Levantávamos, tomávamos vitamina – leite batido com alguma fruta (mamão e abacate eram as minhas favoritas; a de banana, até hoje me dá ânsia de vômito...) – e lá íamos nós. Mamãe fazia a vitamina e voltava a dormir; eu imagino hoje como deve ter sido difícil pra ela enfrentar o papai e não fazer a tal meia hora diária de saúde...

Depois de tudo, banho frio. No verão ou inverno. Não importava. Banho quente faz mal a saúde e envelhece a pele... era outra das afirmações preferidas do papai. (Só nos últimos tempos tenho conseguido tomar banho frio de novo na vida... até bem pouco tempo, acho que numa atitude de enfrentamento – um pouco tardia, é claro – só tomava banho quente). Interessante como a gente fica marcado com essas coisas da infância.

Vitamina, ginástica, banho – frio - ,café e rumo da escola. Sempre estudamos na parte da manhã – a cabeça está mais fria pra raciocinar, era outra das verdades paternas. E essa, mamãe também endossava. Na época do ginásio, chegávamos tão cedo ao colégio – eu, Dinho, Angelica e Alice (duas amigas de infância) – que tínhamos de fazer hora. Menos mal que íamos pra uma igreja lá perto. E aproveitávamos pra rezar, pedir um namorado – eterno pedido meu e da Angélica – e paquerar um rapaz tão bonito que todos os dias ficava lá sentado na igreja. Hoje, acho que ele também ia lá pra nos ver, mas ninguém teve coragem de iniciar um papo e durante dois anos a gente se olhava. Meu Deus, ou a gente era boba demais, ou ele era bobo, ou os dois; mas com certeza o tempo era outro. Lá nos finais da década de 60.

Mas o exercício não se limitava à ginástica na madrugada não. Depois do almoço, esse negócio de dormir faz crescer barriga... E nem precisa dizer de quem era essa idéia, né? Pois eu e Dinho tínhamos de jogar 30min, no mínimo, de pingue-pongue em uma mesa que papai fizera juntando tábuas. Aliás, papai sempre foi muito criativo e jeitoso pra fazer brinquedos para os filhos e os amigos dos filhos. Sábados e domingos eram dedicados à família. Ele sempre levava a gente a parques, circos, praias – claro que saíamos antes das 6 horas da manhã porque o sol depois das 10 horas prejudicava a pele... Quanta sabedoria do Santa Helena já naquela época. E lá íamos pra Barra da Tijuca, de outros tempos, deserta, pra pegar jacaré. Ele ensinava como fazer sem se afogar. Se fosse mais tarde, tenho certeza de que seríamos surfistas... Mas, naquela época, o que havia eram pranchas de isopor, que nós levávamos no ônibus mesmo.

Mamãe nunca ia. Dizia que ficava adiantando o almoço pra quando voltássemos. (E esse foi o jeito mais explícito que ela sempre encontrou de fazer carícias – cozinhar bem o que gostávamos de comer). Mas hoje eu entendo... era a hora em que ela ficava sozinha com ela mesma. Sem a agitação dos filhos, do marido. Tinha a vovó, mas ela era quieta, quase não falava; quando não estava lavando ou passando a roupa, estava lendo, ou fumando seu Hollywood (ou escondido tomando sua dose de conhaque). Acho que minha mãe sempre gostou de solidão. Talvez fosse esse o pouco tempo que ela podia ficar com ela mesma.

Nesse dia de praia, o pingue-pongue era liberado. Só fazia quem queria. Aliás, nos finais de semana, o estudo lá atrás na Biblioteca também era opcional. Nos dias da semana, era obrigatório ficar das 15 às 18 horas lá naquele cômodo construído no quintal e chamado carinhosamente de bibli. Cada um tinha sua prancha de estudo e sua estante pra colocar seus livros. E ai de quem não ficasse lá estudando... podia enrolar, dormir em cima da prancha, mas o horário era obrigatório. Os amigos nem vinham chamar porque já sabiam – conversa, só depois da obrigação... Telefone a gente só veio ter muito mais tarde, quando comecei a trabalhar e comprei um; caríssimo. Tive de instalar no meu quarto porque papai disse que telefone tirava a privacidade da família. Celular, nem pensar... E também não havia música na bibli porque tirava a concentração. No máximo, podíamos levantar pra beber água ou fazer xixi. Disciplina acima de tudo.

Nesse ponto, quem tomava conta da disciplina era a mamãe porque papai estava fora trabalhando. E ela também acreditava na força da educação pra melhorar a vida da gente. Sempre fomos muito pobres, embora nunca tenha faltado feijão, arroz, um legume e um tipo de carne no nosso almoço de todos os dias. Final do mês, quanto saía o pagamento, papai chegava fazendo um gesto especial – esfregando o polegar e o indicador, indicando que estava com grana. E aí era uma festa. Todo domingo almoçávamos galinha, mas quando tinha pagamento, a sobremesa era especial – uma lata de pêssego e uma de creme de leite. Claro que com tanta gente em casa o creme de leite e os pedaços de pêssego eram divididos – uma parte maior por papai (que precisava ter energia pra ganhar o dinheiro do nosso sustento... a gente, criança, sempre achava isso muito, mas muito injusto.... mas quem ia reclamar?) e o que sobrava, dividido pra nós cinco – Dinho, Tinho, eu, mamãe e vovó. Era a época também de nos sentirmos ricos... tinha a mesada, esperada com ansiedade o mês todo, embora sempre tivéssemos dinheiro porque aprendemos a ser controlados financeiramente.

Com a famosa mesada fazíamos milagres... cinema, lanches, revistas, figurinhas que colecionávamos em álbuns e trocávamos em um jogo chamado bafo-bafo: figurinhas de cabeça pra baixo no chão e, com as mãos em concha, batíamos nelas; ganhávamos as que conseguíamos desvirar. Claro que nem sempre conseguíamos isso com honestidade. Bastava passar cuspe na mão e a figurinha virava logo... mas esse era um pecadinho sem importância e nem precisa confessar pro padre no domingo antes da missa...

Exercícios, sempre. Disciplina, sempre. Escola, dureza, boa alimentação e rigor. Isso pode resumir a minha infância. Saber pedir licença, dizer obrigada, comer direito, sentar direito, respeitar os mais velhos e – acima de tudo – cuidar dos dentes, escovando sempre que comia alguma coisa. Nada como um sorriso bonito pra melhorar a vida da gente e a dos outros... mais uma frase famosa lá em casa. E, numa época em que ninguém nem sabia o que era aparelho ortodôntico, lá íamos nós três vezes por semana pra consulta com o Doutor Gustavo no Clube Militar da Cinelândia, centro do Rio de Janeiro. Mal podia eu imaginar que um dia minha filha cuidaria dos dentes dos outros profissionalmente. Engraçada a vida da gente.

Sempre gostei de movimentos desde pequena. Embora a gente fosse obrigado a fazer a aula do professor Osvaldo Diniz Magalhães, eu gostava. E continuei durante a vida a praticar algum tipo de atividade. Até sair do Rio, em 1980 quando casei, fazia ginástica em uma academia lá em Bento Ribeiro – subúrbio que ficou famoso depois de Ronaldinho e de Xuxa - e ia de bicicleta. Em Salvador, para onde me mudei depois do casamento, trabalhava à tarde na Escola Teresa de Lisieux e malhava de manhã em uma academia perto de casa no Rio Vermelho. Até quando me mudei pra Recife, caminhava na praia todos os dias bem cedo, enquanto não conseguia um emprego. Quantas lágrimas minhas ficaram naquelas areias... como eu lamentava estar em uma terra estranha, sem amigos, sem trabalho e com um marido que, embora carinhoso, pouco conversava, pouco expunha o seu interior... na minha solidão, eu buscava um exercício. E acho que tem sido assim durante a minha vida.

No ano de 2007, fui atrás de um sonho: morar quatro meses em Barão Geraldo (Campinas) para cursar disciplinas como aluna especial no programa de Pós-graduação no Instituto de Estudos Linguísticos da Unicamp. Naquele ano, também o exercício fez parte da minha vida. Aliás, a primeira decisão, depois de instalar-me na Pousada da Tia Leo, foi procurar uma Academia de Ginástica. De manhã, ia para as aulas, à tarde, ficava estudando na pousada e, no início da noite, lá ia eu malhar. Na primeira semana, descobri que havia aulas de RPM e eu comecei a freqüentar. Lembro bem como emoção a primeira vez que consegui pedalar em pé no pedal... Solidão eu curava na bike ou nos aparelhos de ginástica; vez ou outra, fazia hidro também e adorava conhecer tantas pessoas que, como eu, curtiam fazer exercício físico. Engraçado que, um pouco antes de ir para Campinas, li o livro do Nuno Cobra – Semente da Vitória; lá ele explica como o caminho da plenitude de um ser humano se assenta em três pilares – exercício físico, alimentação e sono. (Até parece que papai andou antecipando as idéias do Nuno... Pai visionário eu tenho... vivo com seus 84 anos bem vividos, graças a Deus, espero que ainda por muito tempo). Acho que o livro desencadeou as minhas reflexões sobre a importância do exercício físico na minha vida.

As épocas em que não estava fazendo exercício, coincidentemente ou não, foram as mais difíceis da minha vida. Trabalhava muito; não foi fácil ficar separada em uma terra estranha, com uma filha pra criar e sendo professora... uma profissão que, no nosso Brasil, embora seja importante, é tão desprestigiada e pouco gratificada. Sempre digo que para ser bem-sucedida nessa profissão tem que ser muito competente, estudar muito e contar com um pouco de sorte – e coragem pra abrir portas e janelas, mesmo quando elas nem existem...

Fiquei mesmo acho que quase uns dez anos sem exercício físico regular. E sabe o que começou a acontecer? Comecei a cair, à toa, estava andando e a perna falhava... eu caía. Médicos, exames e nenhum problema de saúde; fiquei sem musculatura das pernas... já pensou? Eu não me dei conta de que não podia ter parado de fazer exercícios... mas meu corpo deu sinal de revolta.... E lá me fui fazer academia, malhar, antes que algum acidente maior me fizesse depender da fisioterapia. “Personal trainer”, coisa que antes eu sempre achei que era coisa de perua, acabei aceitando com naturalidade. Professor Márcio Brasil, academia Maysa, no Setúbal em Recife. Atividade que mantenho ainda hoje, há mais de quatro anos e meio de atividades regulares, pelo menos três vezes por semana. No início, ficava envergonhada com tanta fraqueza muscular... queria fazer os exercícios escondida de todo mundo. Claro que me escondia toda, também. Camisetão, calça comprida pra esconder as pernas – que junto com o cabelo sempre constituíram meus traumas (perna fina e cabelo horrível...).

Mas o tempo vai passando, a gente vai fortalecendo as pernas e o coração... até a alma. Um dia a auto-estima sobe: diminuímos o tamanho da camiseta, passamos a usar bermuda, shorte, e depois até –em um ato de coragem - um top discreto, só deixando à mostra um pouco da (ex-)barriga... E começamos a dizer – sou malhadora...

Agradeço ao Claus e ao Eduardo a oportunidade que me deram de escrever sobre a importância da atividade física na minha vida. Aliás, digo sempre que academia é um lugar excelente para se freqüentar: dificilmente, encontramos pessoas infelizes, reclamando da vida ou com comportamento baixo-astral. Há uma espécie de comunhão que acaba unindo pessoas muitas vezes tão diferentes na vida.


Ynah de Souza Nascimento
ynah@terra.com.br

Bacharel em Letras (Português - Literaturas Brasileira e Portuguesa) pela Faculdade de Letras da UFRJ; licenciada em Letras pela Faculdade de Educação da UFRJ (1978). Especialista em Linguística pela UFPE e Mestre em Língua Portuguesa pela Universidade Federal da Paraíba (1998). Professora desde 1984 do Colégio de Aplicação da UFPE, do Centro de Educação, onde também autou como professora de Prática de Ensino. Assessora de Língua Portuguesa - atuante da Educação Básica ao Segundo Grau - de várias instituições públicas e privadas, entre elas a Escola Monteiro Lobato em Maceió, Alagoas. Autora de livro didático de Redação - Redação: tá ligado? Com escrever bons textos dissertativos (www.livrorapido.com.br). Autora de coleção de Língua Portuguesa de 1a a 4a série (2006) - Pensar e Viver - editora Ática. Atualmente, dedica-se à produção de material didático de Língua Portuguesa no suporte digital na Educandus Tecnologia (www.educandusweb.com.br) e à assessoria na Editora FTD (Recife). Atua principalmente nas seguintes áreas: ensino, aulas de português, livro didático, redação e informática e banca de seleção de concursos.




A Cura dos Apegos


Sabemos que o apego é um obstáculo que um dia todos teremos de superar. Ele surge quando não compreendemos o la¬do interno da vida e não esta¬mos em contato com a essência das coisas. Por falta desse contato, fi¬camos habituados à forma externa e nos apegamos a ela.

Em nosso convívio com os demais, é como se considerássemos somente o corpo, o rosto, a personalidade das pessoas, esquecemo-nos de que em sua verdadeira essência elas são al¬mas, e de que, como almas, estão presentes em todos os lugares.

Muitos de nós gostaríamos de nos tornar mais desapegados. Mas co¬mo fazer is¬so? Como encontrar a essência das coi¬sas, como não nos prender a aparências?

Temos muitos vícios de pensamento e hábitos de linguagem, e chegamos a dizer coisas que, se pensássemos melhor, veríamos que não correspondem à realidade. Dizemos, por exemplo: “Aquela espécie de pássaros desapareceu”; ou: “Aquele homem morreu” e assim por diante. Na verdade, é um engano dizer que as coisas acabam ou morrem, pois não é isso o que de fato acontece: na verdade, é a essência das coisas que transmigra; sai de uma forma e entra em outra. Portanto, nada acabou quan¬do uma espécie de pássaros já não é vista no plano físico. E nada acabou quando se diz impropriamente que uma pessoa morreu. Dentro das novas espécies de pás¬saros permanece a essência das espécies extintas; e dentro das pessoas que estão nascendo hoje se encontra a essência que habitava corpos de outras épocas. Nada se perde tudo evolui. Ter consciência disso é o primeiro passo para nos desapegarmos das formas externas, concretas. Depois, numa segunda etapa, desapegamo-nos de coisas mais sutis, como, por exemplo, as afetivas.

A vida pode levar-nos a mudar de atividade externa várias vezes. Nossa intenção de servir e de melhorar – e não a forma externa das atividades – é o fio que as pode interligar, dando-nos impressão de coerência e harmonia e não de percalços e contrastes. Consideram-se as mudanças como se fossem incômodas, as transformações podem parecer-nos drásticas. Entretanto, não há diferença alguma entre as várias atividades quando as exercermos com o mesmo espírito. O espírito com que se fazem as coisas, isso é o importante — e não tanto o que se faz.

Convivem harmoniosamente no universo energias que constroem e energias que destroem. As primeiras criam e alimentam formas. As últimas possibilitam que a essência abandone as formas que já não lhe cor¬respondem. Ambas as energias são necessárias para que a vi¬da prossiga seu curso. Como o espírito que nos move poderia realizar um trabalho de crescente qualidade, se a certa altura não surgisse outra forma para ele animar?

A cura dos apegos soluciona os mais diversos problemas. Podemos en¬tão encontrar resposta para muitas perguntas: Como en¬con¬trar a essência das coisas? Como faço para me desapegar de uma idéia? Como faço para me de¬¬sapegar de minha atual maneira de ser? Como faço para me soltar do que me prende? Como faço para transcender os meus defeitos? Como faço com essa enfermidade que os médicos não sabem tratar? Como faço pa¬ra preencher o vazio que sinto em minha vida? A resposta para todas essas perguntas é uma só: ir para dentro do próprio coração, para dentro do próprio ser. Lá a consciência da alma, que é universal, desde sempre nos aguarda.

É no coração que se curam os apegos, porque ali está a essência de tudo. Ali nada nos falta.

Da Série Sínteses de palestras de Trigueirinho
A cura dos apegos
Irdin Editora
www.trigueirinho.org.br
www.irdin.org.br
www.vigiliapermanente.org



Enrascada


Meraldo Zisman // Psicoterapeuta de Jovem

meraldozisman@uol.com.br

Um jovem advogado amigo, conhecedor dos meus modestos trabalhos sobre desnutrição materna e sua repercussão sobre o neonato, envia por e-mail, a seguinte Lei, da qual transcrevo uma parte: "no. 11.804, de 5 de novembro de 2008, disciplina o direito a alimentos gravídicos e a forma como ele será exercido e dá outras providências". O presidente da República - "Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei.Art. 1°: Esta Lei disciplina o direito de alimentos da mulher gestante e a forma como será exercido. Art. 2°: Os alimentos de que trata esta lei compreenderão os valores suficientes para cobrir as despesas adicionais do período de gravidez e que sejam dela decorrentes, da concepção ao parto, inclusive as referentes à alimentação especial, assistência médica e psicológica, exames complementares, internações, parto, medicamentos e demais prescrições preventivas e terapêuticas indispensáveis, a juízo do médico, além de outras que o juiz considere pertinentes. Parágrafo único: Os alimentos de que trata este artigo referem-se à parte das despesas que deverá ser custeada pelo futuro pai, considerando-se a contribuição que também deverá ser dada pela mulher grávida, na proporção dos recursos de ambos (...) Art. 6°: Convencido da existência de indícios da paternidade, o juiz fixará alimentos gravídicos que perdurarão até o nascimento da criança, só pesando as necessidades da parte autora e as possibilidades da parte ré.

Parágrafo único: Após o nascimento com vida, os alimentos gravídicos ficam convertidos em pensão alimentícia em favor do menor até que uma das partes solicite a sua revisão.Art. 7°: O réu será citado para apresentar resposta em 5 dias. (...) Art. 11°: Aplicam-se, supletivamente nos processos regulados por esta Lei, as disposições das Leis no 5.478, de 25 de julho de 1968, e no. 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil.Art. 12: Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 5 denovembro de 2008 - Luiz Inácio Lula da Silva, Tarso Genro, José Antonio Dias Toffoli, Dilma Rousseff. Mal sabia o advogado amigo, a enrascada mental e profissional que me causou. Como leigo na Ciência do Direito, fico a me perguntar se paternidade (sem ser por estupro) é crime, ou, se alguém poderá ser condenado, sem provas. Para condenar um "acusado" pela gravidez, com prova cabal, careceria efetuar um exame de paternidade, por intermédio de matéria do embrionário, do feto ou do líquido amniótico, o que poderia produzir um abortamento. Para complicar ainda mais os meus pensamentos, eis que chega a seguinte notícia: "A primeira mulher, no mundo, a receber um transplante de ovário, deu à luz a uma menina em 11 de novembro de 2008, em Londres. A mulher, uma alemã casada com um inglês, recebeu um ovário de sua irmã gêmea, após ter perdido os seus aos quinze anos, o que a deixou estéril.

A nova mãe, de trinta e oito anos, ficou grávida após o transplante realizado pelo dr. Sherman Silber (Centro de Infertilidadede Saint Louis, no Missouri (EUA). Pergunto: Quem, no caso, teria a obrigação de pagar o "alimento gravídico"? E, para completar o meu sofrimento, hoje, em meu consultório, apareceu um jovem de dezessete anos, muito angustiado, porque engravidara a namorada de quinze anos. Deveria eu, naquela hora, ter lhe dado voz de prisão? Ter mandado chamar o delegado? Por favor, tirem-me desta enrascada! Eu tenho que respeitar o segredo profissional! Ajudem-me! O paciente deverá retornar para outra sessão, na próxima semana. O que devo fazer?


Quando o barro vira comida

O dicionário Aurélio define fome como "escassez de alimento", "urgência de alimento" entre outros. Ela não é um elemento contemporâneo, existe desde os primórdios tempos.

As Escrituras Sagradas a descrevem em vários livros; no Livro de Mateus, por exemplo, Capítulo 24, versículo 07 diz: "... e haverá fomes e terremotos em vários lugares."

No final dos anos 40, o poeta Manuel Bandeira, com sua sensibilidade poética e aguçada visão da realidade, eternizou-a em um dos seus belos poemas : " O Bicho " - Vi ontem um bicho/ Na imundície do pátio/ Catando lixo entre os detritos./ Quando achava alguma coisa./ Não examinava nem cheirava :/Engolia com voracidade./ O bicho não era um cão,/ Não era um gato,/ Não era um rato./ O Bicho, meu Deus, era um homem..". A fome já fazia parte da realidade brasileira e já era algo preocupante.

Nos anos 50, o mestre e sociólogo Josué de Castro considerado "profeta do futuro" despontava nos cenários brasileiro e internacional publicando uma obra que abalou a sociedade da época : Geografia da Fome.

Há mais de cinco anos, o Haiti - país insular da América Central - vive uma guerra civil devastadora. O índice de desemprego é altíssimo, principalmente na camada pobre, a inflação chega a casa dos 14% ao ano, a criminalidade aumenta cada vez mais. O país agoniza, mesmo tendo em seu território Força Armada (Exército Brasileiro) enviada pela ONU. A falta de alimento é grande e a população busca alternativas para apaziguá-la.

Nas feiras livres são vendidos biscoitos de argila ( barro ), misturado com manteiga , água e sal. Esse alimento é bastante vendido nas camadas mais pobres, Os nativos saboreiam essa iguaria e afirmam que é bom. Meu Deus, o que é isso ? O barro virando comida! Até que ponto chegou a fome no mundo.

Nos países africanos a fome já não é novidade para nós. Ela já dizimou milhares de pessoas, a maioria refugiados de países que vivem em guerras e conflitos étnicos.

Partindo para o oriente, temos o Camboja - país do Sudeste Asiático - que sofre com a fome e a guerra civil, uma nação marcada por conflitos que causaram a morte de milhões de pessoas nas últimas décadas. O crime organizado e o tráfico de drogas agravam a violência. Novamente, a escassez de alimento é grande, chegando ao ponto da população se alimentar de comidas as mais diversas e exóticas: larvas vegetais, embriões de animais, baratas secas e espetinhos de escorpiões. E muitos dizem que tudo isso é cultura! Uma cultura a qual posso denominá-la de "Cultura da Fome ".

Segundo Josué de Castro,o Brasil é um verdadeiro laboratório de pesquisa social do problema da fome. No nordeste brasileiro existe uma cidadezinha chamada de Guaribas no município do Sertão do Piauí. Há três meses, uma criança filho de um morador, estava comendo terra para amenizar sua fome.

Que tempos são estes ? Pergunto: O apocalipse está se cumprindo?

Mas dias melhores virão em que não haverá fome e sede, dizem as Sagradas Escrituras. Então será o fim.

José Felismino // Professor e educador
felismino.farias@dpnet.com.br


A LEITURA E SUAS FACES

A leitura é a base, por excelência da condição de cidadão, pois com a aquisição da leitura o homem constrói a sua história encontrando diversos caminhos a serem percorridos.
     Independente de material didático, da bibliografia (livros didáticos) ou da metodologia, a leitura em suas diversas faces, precisa e deve ser vivenciada em nossa sala de aula numa freqüência diária, numa continuação do trabalho desenvolvido na Educação Infantil. Acrescento ainda que independente de projetos interdisciplinares ou de leitura, a leitura precisa fazer parte do plano de aula e da prática de cada dia, de cada professor, em todas as disciplinas...
     Investir na leitura é colaborar para a formação de leitores e indiscutivelmente melhora as relações afetivas e de disciplina em sala de aula e na escola como um todo. A escola fomenta essa prática aos seus docentes através de uma vasta bibliografia sobre uso da leitura, da assinatura do Diário de Pernambuco, da escolha dos livros de leitura adotados, dos encontros e oficinas sobre leitura, dos projetos vivenciados, da presença de escritores na escola, do concurso de redação do Diário e Paulinas, das dramatizações, etc, mas tudo isso somado ainda é pouco, se não tivermos na sala um professor leitor, que conte e encante seu aluno adentrando assim no universo mágico da leitura e do conhecimento.

Luzimar Soares das Neves
Escola Imaculada Conceição
Email: escolaimaculadaconceicao@gmail.com


O RECIFE (ANOS 50) E A PENSÃO DE DONA BOMBOM

Em meados do ano passado, fui presenteado por uma amiga jornalista com o livro do escritor pernambucano, Cícero Belmar: " Rosseline amou a pensão de Dona Bombom ". Logo, o título nos remete a uma interrogação: Quem foi dona Bombom? E Rosseline? De início, um exímio prefácio de Amim Stepple, jornalista e cineasta. Depois, somos presenteados com uma bela narrativa que nos remete a um Recife, até então, desconhecido: o Recife dos anos 50.
 
A obra retrata a história da vinda do cineasta italiano Rosseline, um dos maiores cineastas contemporâneos, considerado "um dos papas do neo-realismo italiano", um homem que viria ao Brasil, especialmente ao Recife, para filmar "Geografia da Fome" do sociólogo Josué de Castro.
 
No ano de 1958, Rosseline foi recebido no Aeroporto do Galeão - RJ, por Josué de Castro e por Pascoal Carlos Magno. Hospedou-se no Copacabana Palace. Semana depois, desembarcou no Aeroporto dos Guararapes, acompanhados pelo pintor Di Cavalcanti e por Josué de Castro. Em terra recifense, foi recebido pelo médico Jamenson Ferreira e pelo prefeito da cidade Pelópidas Silveira. Rosseline ficou hospedado no Hotel Boa Viagem. Num "tur" pela Veneza Brasileira, ficou encantado com as belezas naturais, pois durante o dia, Recife mostrava suas belezas naturais e turísticas, à noite, descortinava sua vida noturna, o bairro do Rio Branco era só vida e prazer, não dormia. O "Chanterclair" com sua belíssima arquitetura esbanjava charme e glamour aos mais aristocratas. Os menos favorecidos freqüentavam as centenas de pensões e bares aos redores, era a famosa "Zona". O Porto do Recife viveu dias de glórias. Os marinheiros americanos traziam produtos importados e trocavam por drogas e sexo. Era o Recife das lindas mulheres e dos mafiosos cafetões.
 
Durante sua estada na cidade, Rosseline foi convidado pelo Merchant Aloísio Magalhães e outro intelectual para conhecer a vida noturna . Dentre os pontos turísticos, a pensão / bar de Dona Bombom, uma senhora setentona, localizada na Rua do Rangel, próximo ao Mercado de São José. Por ser mais afastado, reunia rapazes de família e intelectuais ( Aloisio Magalhães, o professor aposentado Zenildo Cavalcante e o arquiteto Austro Camargo ) entre outros. Dona Bombom era uma mulher respeitada naquele meio, possuía as mulheres mais bonitas e formosas. Eram consideradas suas filhas. E um dos seus objetivos era arranjar casamento e marido para elas. Destacaram-se: Bianca e Bibiana, duas irmãs, conhecidas no meio como irmãs "Passarinhos". Rosseline, em sua visita à pensão, encantou - se por uma delas.
 
Rosseline visitou também o sociólogo Gilberto Freire, escritor do famoso "Casa Grande e Senzala" em seu sobrado em Poço da Panela em Casa Forte. Lá, o patriarca fez questão de receber a ilustre comitiva em seu belo jardim, cercado por mangueiras e pitangueiras. Uma recepção impecável, regada a bolo de rolo e licor de pitanga. Iguarias pertencentes à culinária da família Freyriana, eternizada em seu livro "Casa Grande e Senzala"."Rosseline amou a pensão de Dona Bombom", é uma obra belíssima , uma verdadeira retrospectiva sobre o Recife dos anos 50 e sua cultura, um livro para ser lido e relido à sombra de uma mangueira, degustando um saboroso bolo de rolo, tomando um delicioso licor de pitanga.


José Felismino
Professor e educador



NÃO MATEM NOSSAS CRIANÇAS!

Recentemente, a Unicef e outros órgãos que protegem as crianças têm elaborados relatórios com índices alarmantes e muitas vezes cruéis sobre a situação das crianças no Brasil e no mundo. No Brasil, por exemplo, a cada dia, crianças são vítimas de maus tratos pelos adultos, principalmente dentro de sua própria casa, do seu "lar doce lar" isto é se podemos defini-lo como isso.

Em 13 de julho de 1990 foi criada a Lei 8069, surgindo em nosso país o "Estatuto da Criança e do Adolescente" assegurando aos pequeninos proteção e direito à vida tanto pelo estado quanto pelos pais. No Artigo 4º (Título I - Das Disposições Preliminares ) está escrito: "É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, a saúde,....." Diante desse artigo, entendo que qualquer criança seja rica ou pobre, independente de sua cor esteja protegida, principalmente no que se refere ao direito à vida.

Atualmente, nós brasileiros fomos tomados por um acontecimento bárbaro ocorrido em São Paulo (zona norte) quanto uma criança de cinco anos de idade foi morta brutalmente, jogada do sexto andar do seu "lar doce lar" tendo como seus algozes sua própria família ( suspeita-se do seu próprio pai ). Que mal essa criança fez, para tal grande crueldade ?

Nessa mesma semana, no pequeno município de Jupi, no Agreste pernambucano, a 207 quilômetros do Recife, outra criança de apenas 3 anos foi brutalmente assassinada a golpes de foice, tendo como assassino o próprio tio, irmão de sua mãe.

E quem se lembra, da pequena Laís Ribeiro de 9 anos da cidade de Limoeiro (PE) que foi seqüestrada, estuprada esquartejada em agosto de 2006. Se não me falha a memória, um de seus assassinos já está solto.

E do caso Narcisinho de Carpina, ocorrido em 1992, vítima de seqüestro seguido de morte, cujo próprio tio foi suspeito de sua morte. Ainda hoje, esse caso é um mistério.

Afora esses assassinatos cruéis contra nossas crianças, temos relatos que, em muitas cidades brasileiras elas são induzidas a entrarem no mundo do crime, da prostituição e do tráfico de drogas. Muitas vezes em troca de um pão para comer, iniciando assim um caminho sem volta, onde o destino final é a sua própria morte.

Até quando isso vai parar de acontecer? Onde estão os direitos da criança e do adolescente? Será que estão adormecidos em caixões de cristais em uma floresta encantada? Onde estão os príncipes para acordá-los de tão pesados sonhos? Quando isso acontecer, casos como o de Narcisinho, Laís Ribeiro, Isabella Nardoni e de Tauane Siqueira serão esclarecidos e seus assassinos pagarão pelos seus atos cruéis. Isto é, se a justiça brasileira funcionar.

Resta-me, tão somente, dizer às crianças assassinadas: "Descansem em paz, meus anjos!, que justiça seja feita "

E ao nosso sistema social, político e jurídico brasileiro: "Não matem nossas crianças!" .


José Felismino
Professor e educador



CARTA AOS MEUS PROFESSORES DEFICIENTES

Sabem, meus queridos mestres, sou muito agradecido a todos vocês. Mas hoje, entendo que meu aprendizado foi dificultado porque ninguém notou que eu não escutava bem e vocês ainda insistiam em falar baixo e de costas pra mim, impedindo que pudesse ouvir ou ler seus lábios. Rafael não enxergava muito bem e, durante todos os anos do primário, nos sentamos nas últimas bancas, a letra miúda no quadro-negro, de lá, parecia menor ainda. Por falar em banca escolar, lembro que a Betânia ficava quase atravessada na passagem, reclamando de dor nas costas com freqüência, mas quem manda ser canhota... Depois do recreio, suados, ficar com sede era um martírio, mas água daquele filtro de barro que nunca era lavado, nem pensar. Éramos diferentes, vocês não ouviram, não viram, vocês nem notaram. Na época, a gente adorava a escola e considerava vocês nossos segundos pais.

Os primeiros anos do primário foram lúdicos, vocês sempre encontraram uma forma bonita e diferente de ensinar: brincando e aprendendo, sempre com um carinho tão especial. Mas, de repente, tudo mudou, todos aqueles castelos construídos foram desfeitos abruptamente quando iniciamos o ginásio. A 5ª. Série foi um suplício: ao invés de uma só professora para todas as matérias, agora seria uma para cada disciplina, os livros mais grossos, os textos mais profundos, e freqüentar a escola já não era tão prazeroso, pois todas aquelas mudanças de uma só vez nos assustavam muito, sem falar que os novos colegas rapidamente nos passaram a chamar de “cegueta e hein”, nos sentimos diminuídos, humilhados. Os quatro anos de ginásio seguiram e junto com eles o nosso sofrimento.

Dia desses nos encontramos eu, administrador, Rafael, Gerente de Banco e Betânia, que se formou justamente em Magistério, daí relembrarmos e acharmos graça daqueles tempos, dos nossos temores e dificuldades. Passados todos esses anos, rimos muito do que no passado tanto nos maltratou e Betânia, agora educadora, disse: medidas simples como nos colocar nas primeiras bancas e trocar a banca de Betânia por uma apropriada para canhoto (sobrava em outras salas) e lavar aquele filtro de barro imundo pelo menos uma vez por semana, não teriam custo algum para a escola, mas dependiam exclusivamente do poder de observação e discernimento daqueles professores, que não ouviram, não enxergaram e nem notaram nada, eles eram deficientes profissionais.

Cumpriam expedientes (quando não faltavam) pelo salário que recebiam e só, não possuíam o menor comprometimento com a nobre tarefa de formar cidadãos, não se encontraram como agentes de mudança. Entendemos, hoje, que eles não mereciam nem mesmo pelo que recebiam. Eu, Rafael e Betânia ficamos a nos perguntar: Será que agora, em alguma sala de aula desse país, ainda tem alunos vítimas de professores deficientes profissionais? Muitos...

Sérgio Vieira de Melo (51)
Bacharel em Ciências Administrativas.
Coordenador de Projetos da Secretaria Municipal de Educação do municío do Bom Jardim - PE



"PROFESSOR TEM QUE SER CAPACITADO"

Atuando como coordenadora de projetos de incentivo à leitura de jornais nas escolas desde o final da década de 80, a pedagoga carioca e mestre em educação Carmen Lozza é responsável há três anos pela direção nacional do programa Jornal e Educação, da Associação Nacional de Jornais (ANJ). Nesta entrevista ela afirma que a chave do sucesso desses projetos está nas mãos do professor. "Ele é o principal instrumento para criar reflexão dentro de sala", disse.

Qual a opinião da senhora sobre o uso do jornal na escola: por que sim, por que não?
Dou esse nome à palestra porque o jornal pode ser muito bom ou muito ruim para a aprendizagem dependendo de como ele é lido dentro de sala de aula. Você tem que fazer uma articulação daquela informação vista no jornal com outras. Ele tem que entender que nenhuma matéria é uma verdade absoluta.

Quais as formas de leitura de um texto jornalístico?
Existem três maneiras de fazer a leitura do texto. Primeiro é considerar tudo como uma verdade absoluta. Em segundo lugar, é quando o leitor acredita que tem autonomia sobre a questão de acordo com sua vivência e ângulo no qual enxerga o assunto. E a terceira e mais difícil maneira é dialogar com o texto.

Como o leitor do futuro pode dialogar com o texto?
Em primeiro lugar o professor tem que ser capacitado para isso. Se você não tem uma orientação pedagógica para esses projetos sociais de incentivo à leitura, as empresas podem estar apenas entregando jornais, sem formar o cidadão.

Qual a importância desses projetos para as novas gerações?
A leitura crítica das notícias possibilita que esses jovens tenham clareza a respeito das influências que sofrem da imprensa.

E as empresas? Quais as vantagens nessa parceria?
As empresas que levam o jornal para as escolas são vistas de forma positiva porque estão ajudando os colégios e as comunidades. Ou seja, estão fazendo sua contribuição.



Carmen Lozza
Pedagoga e mestre em educação
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