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Maio de 2012




Os treze trabalhos de Pernambuco

Vista geral
Foto: Helder Tavares/DP/D.A. Press

A batalha política para emplacar Pernambuco na Copa das Confederações foi enorme. A articulação começou no ano passado, com direito a um encontro no Rio de Janeiro entre o governador do estado, Eduardo Campos, e o agora ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira. O apoio continuou com o novo mandatário da confederação, José Maria Marin. No entanto, o prazo de entrega da obra sempre foi o grande entrave - ainda é, na verdade. Após seis meses de incertezas, com seguidas notícias sobre a suposta ausência da Arena Pernambuco na lista final de subsedes do evento de 2013, a Fifa confirmou o estádio no torneio. A entidade que comanda o futebol no planeta deu um voto de confiança no dia 22 de maio, durante o congresso na Hungria, e colocou de vez o estádio em São Lourenço da Mata na rota. Fato que mexeu profundamente nas ações adotadas no canteiro de 52 hectares.

O projeto da Arena Pernambuco foi desenvolvido que o complexo fosse erguido em até trinta meses. A base era entregar em dezembro do ano que vem. Contudo, o prazo foi antecipado em dez meses devido à corrida pela Copa das Confederações. Para deixar a arena prontinha para a Fifa em fevereiro, foi preciso reavaliar prazos, cálculos, efetivo etc. Consultada pelo governo do estado, integrante da parceria público-privada, a equipe de engenheiros da Odebrecht Infraestrutura gastou cerca de um mês para produzir um estudo com medidas emergenciais para acelerar a obra - e, naturalmente, aumentará o custo original de R$ 532 milhões, um aditivo ainda não calculado que será bancado pelo poder público ao fim do processo. O documento foi enviado à Fifa, que deliberou sobre a possibilidade e aprovou o já batizado “plano de aceleração”. São trezes pontos, detalhados nesta reportagem.

Ações emergenciais, sim, mas devidamente estudadas. “É o fruto de um planejamento que já existia. Não partimos do zero. A obra já vinha sendo estudada. Com base no plano original, vimos os ajustes que poderíamos fazer”, diz Jayro Poggi, engenheiro responsável pela obra. Alguns desses pontos, como a ampliação da fábrica de pré-moldados e o efetivo, já vinham sendo ampliados desde dezembro, quando que ficou evidente a necessidade de mudar o roteiro para a construção do estádio de 46 mil lugares, com cinco partidas agendadas para o Mundial e possivelmente mais três para a Copa das Confederações.

Apesar da confirmação do estado como subsede, a Fifa fará um novo anúncio em novembro, também levando em conta os trabalhos realizados na Fonte Nova, em Salvador. O objetivo das duas praças é chegar a esta data com 90% das obras executadas. Atualmente, a construção pernambucana encontra-se com 40%, em uma atividade iniciada timidamente em 30 de julho de 2010, com a pavimentação do acesso ao terreno. A licença de instalação saiu apenas em outubro daquele ano, em fatos relatados mensalmente na série Diário de uma Arena, em seu 22º capítulo. Ninguém nega que trata-se de um grande desafio alavancar essa porcentagem a 100% nos próximos oitos meses, mas o “ok” da Fifa ditou o ritmo das obras, com uma movimentação intensa, durante a visita do Superesportes, na área central, no futuro campo..

Novas máquinas, fase acabamento em determinados pontos e uma sequência de ações, algo que será bastante corriqueiro a partir de agora, com até dez frentes de trabalho simultâneas. “A gente já vinha em um ritmo acelerado. O que fizemos foi buscar a antecipação do prazo, mas a temperatura continua aquecida, com ritmo puxado. Eu diria que continuamos com o mesmo foco, que é conseguir esse prazo da obra”, completou Poggi, confiante com o plano em vigor. De fato, os trezes pontos deste processo de aceleração foram aceitos pelos engenheiros suíços contratados pela Fifa. Portanto, a missão local é tirar tudo isso do papel. De uma vez por todas.

Vista geral
Foto: Helder Tavares/DP/D.A. Press


Plano de Aceleração da Arena Pernambuco

Visão geral
Foto: Helder Tavares/DP/D.A. Press

Alteração no plano de ataque
O estádio seria construído em uma ordem específica, partida na ala sul e evoluindo em seguida para o leste e oeste, como uma “ferradura”. O norte seria a última etapa. Com a necessidade de antecipar o prazo, cresceu o paralelismo das ações, aumentando de dois para dez setores. A ala norte, aliás, voltou a ter franca atividade, após a fundação, já concluída.

Ampliação do segundo turno de trabalho (noturno)
A cada dia, o intervalo sem atividade alguma no canteiro é de apenas 2 horas e 35 minutos. O trabalho começa às pontualmente 7h. Parte do quadro estendem o turno com horas extras no contracheque. À noite, em uma área completamente iluminada por potentes refletores, segunda leva de operários, dando sequência às ações até 4h25. Às 7h, o reinício.

Crescimento do pico de mão de obra
A mudança no plano de ataque e a ampliação dos turnos tiveram como consequência direta o aumento no quadro de operários. Na última atualização, 3.300 homens. O efetivo seguirá aumentando de forma gradativa, até cinco mil, em novembro. Somente com turnos e ações paralelas seria possível comportar esta quantidade de operários na obra.

Visão geral
Foto: Helder Tavares/DP/D.A. Press

Alteração do projeto de cobertura
O projeto de cobertura foi modificado para um modelo que permite a realização de uma pré-montagem no chão, melhorando o fluxo externo. A estrutura metálica, importada da Espanha - semelhante ao estádio do Real Sociedad -, terá dez módulos, mais leve que a anterior, de 58. Em vez de ter que montar a viga no alto, será possível içar os módulos.

Ampliação da fábrica de concreto pré-moldado
O aumento no volume de produção no canteiro precisa ser proporcional à produção de materiais. “Não adianta abrir novas frentes de trabalho e não ter peças de concreto”, diz Jayro Poggi. A fábrica, anexa ao terreno do estádio, contará com mais fôrmas de concreto, além do já presente pórtico, utilizado para transportar os pré-moldados endurecidos para o estoque.

Renegociação com fornecedores
Pelo contrato firmado na PPP, a Odebrecht Infraestrutura teria que entregar o estádio até dezembro de 2013. Com a antecipação para fevereiro, os fornecedores também terão que readequar os seus prazos de entrega de materiais. As negociações seguem em andamento. “Estamos renegociando com os parceiros, para que entrem no mesmo espírito”, diz Poggi.

Visão geral
Foto: Helder Tavares/DP/D.A. Press

Aquisição de novos equipamentos
Com dez frentes de trabalho, a logística vem passando por uma grande transição, com o incremento de guindastes, caminhões e equipamentos de menor porte. “Quando se altera um plano, como fizemos, se altera todo o material de logística”. Várias máquinas estão sendo trazidas de outros estados.

Substituição do tipo de teto
Em vez do forro com gesso convencional, a construtora optou agora por um forro removível. A explicação é a futura carga de testes, num curto espaço de tempo. Com a nova formação haverá a flexibilidade na instalação e nos testes das redes elétrica, de TI (tecnologia da informação) e hidro-sanitária, além da estrutural predial, como combate a incêncio

Mobilização de guindastes de 400 toneladas
Para facilitar a montagem na área externa (arquibancadas, com as vigas-jacaré, e a cobertura) serão utilizados dois superguindastes, com capacidade de 400 toneladas, cada. A mobilização deste tipo máquina é enorme. O equipamento vem desmontado, de São Paulo, em 33 carretadas, cada guindaste. A princípio, o canteiro teria quatro guindastes e duas gruas. Agora, aumentou, com os dois novos modelos, que chegarão em junho. A ideia é “liberar” a área do futuro gramado.

Visão geral
Foto: Helder Tavares/DP/D.A. Press

Ampliação dos refeitórios e vestiárias (para os operários)
Mais gente trabalhando, mais gente circulando. Isso gerou a necessidade de equiparar a infraestrutura para o efetivo, dimensionado por turnos, com o cumprimento de exigências legais, como um determinado número de funcionários por banheiros, por exemplo. Um novo galpão deverá ser montado para ampliar o refeitório dos operários.

Ampliação do serviço de transporte
Metade dos 3,3 mil trabalhadores envolvidos atualmente reside nos municípios de São Lourenço da Mata e Camaragibe. A distância ajuda na rotina diária de transporte, com dezenas de ônibus levando e deixando os funcionários em determinados pontos. A frota terá que ser reforçada para mantero fluxo atual de gente chegando no canteiro.

Uso de gramas de rolo
Um dos pontos mais polêmicos do projeto, pois a Fifa relutou em ceder à opção de grama plantada em rolo. A entidade exigia o plantio de mudas, que demanda até três meses. Com o tempo escasso e precisando utilizar a área central, o governo do estado conseguiu a liberação para plantar em rolo. Antes, será preciso construir as drenagens primária e secundária.

Implantação de soluções na tecnologia aplicada no concreto
Na concretagem das vigas é preciso um “escoramento”, sustentando a laje. Com o período tradicional para a “cura” (como é chamado o processo para endurecer o concreto), os engenheiros calcularam a possibilidade de ganhar tempo neste ponto. A solução foi usar aditivos no concreto, proporcionando uma secagem mais rápida. Com custo maior, claro.

Visão geral
Foto: Helder Tavares/DP/D.A. Press


Espanha abrirá a Arena Pernambuco. Uruguai também?

Visão geral do estacionamento
Foto: Helder Tavares/DP/D.A. Press

Caso dê tudo certo no novo cronograma de obras, a Arena Pernambuco abrigará três partidas na Copa das Confederações, de acordo com a tabela divulgada pela Fifa em 30 de maio, no Rio de Janeiro. Dos oito países no torneio, cinco jogarão no estado. A Seleção Brasileira, contudo, ficou de fora da tabela. Por outro lado, o primeiro jogo internacional terá a presença da atual campeã mundial de futebol, a Espanha, confirmada como cabeça de chave do grupo 2. Resta saber quem será o time "B2", em sorteio a ser realizado. É possível que seja o Uruguai, atual campeão da Copa América. Os 46.214 lugares do futuro estádio serão bastante disputados. Que a arena fique pronta até lá. A torcida, mais do que nunca, será enorme.

Jogos na Copa das Confederações 2013
- 16/06/2013: B1 x B2 (19h)
- 19/06/2013: A4 x A2 (16h)
- 23/06/2013: B2 x B3 (16h)

Visão geral
Foto: Helder Tavares/DP/D.A. Press


Design interno da Arena em 3D

Confira um vídeo estendido com o projeto da Arena Pernambuco, com imagens em 3D dos seis pavimentos, mostrando detalhes internos, presentes até então só em gráficos. A peça foi produzida pela própria Odebrecht, incluindo legendas para o mercado internacional.



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