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Meio ambiente


Fotos: Alcione Ferreira/DP
Recife tem projetos para melhorar o tratamento do lixo na capital

Na casa de Dona Suzana, 62 anos, professora aposentada, todo mundo já está acostumado. Na área de serviço do apartamento, no bairro do Espinheiro, zona norte do Recife, estão duas latas de lixo: uma é para vidros, sacos plásticos, garrafas PET, revistas; a outra recebe o lixo orgânico e aqueles materiais que não podem ser reciclados. “Eu já faço isso há quatro anos. Virou uma rotina mesmo. Quando alguém que não é da casa chega, como uma funcionária nova, sempre explicamos a importância de separar o lixo”, diz Suzana. A família da professora ajuda a compor uma estatística nacional, que ainda não tem a expressão que o comprometimento do meio-ambiente exige. Segundo dados divulgados pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), instituição sem fins-lucrativos destinada à promoção da reciclagem, o Brasil reaproveita apenas 11% de tudo que é jogado na lata de lixo.

No Recife, a coleta seletiva de “porta em porta” é realizada em pelo menos 45 bairros, que incluem localidades como Arruda, Campo Grande, Cordeiro, Madalena, Boa Viagem e Imbiribeira. O material recolhido – cerca de 130 toneladas por mês - é levado para seis núcleos de triagens, sendo dois deles parcerias com Organizações Não-Governamentais. O esforço é válido, mas não é suficiente para reduzir o desperdício de materiais que poderiam gerar renda e, o mais importante, não acarretar prejuízos ao meio-ambiente, que leva muito tempo – muito além do que imaginamos - para decompor vidro, plástico, embalagens.

Desde 1985, o lixo – domiciliar, cinzas de lixo hospitalar e entulhos da construção civil - produzido por quem mora no Recife e não participa da coleta seletiva é levado para o Aterro Controlado da Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes. São 1,9 mil toneladas por dia, cerca de 20 milhões de toneladas de lixo por mês. Depois de tantos anos recebendo os resíduos sólidos, a vida útil do antigo lixão da Muribeca está prevista para acabar em julho de 2009. Sabendo disso, depois de viagens realizadas à Europa, Estados Unidos e Japão, uma equipe da Prefeitura do Recife desenvolveu um novo modelo para a destinação do lixo no Recife. O projeto foi chamado de Lixo Tem Valor.

De acordo com a proposta – que já teve o impacto ambiental discutido durante audiência pública pela Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH), por representantes do Ministério Público Estadual e Federal, órgãos estaduais, municipais e federais das áreas de saúde, meio-ambiente, justiça e direitos humanos e lideranças comunitárias – o lixo recolhido nas casas será encaminhado a um centro de triagem, chamada de Central de Tratamento e Destinação de Resíduos, no bairro da Guabiraba, na BR-101 Norte, uma área de 25.630 m², onde o material reciclado deve ser separado por 600 catadores organizados em forma de cooperativa, trabalhando em três turnos. “A cooperativa vai vender os materiais, garantindo assim a função social do projeto. A concessionária vai manter custos fixos de água, luz e equipamentos para os catadores”, explica o presidente da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana, Carlos Muniz.

Depois disso, o restante, formado por lixo orgânico, material hospitalar e de saúde, pilhas e baterias, irá para duas unidades geradoras de combustível, na cidade do Cabo de Santo Agostinho, a 31 km do Recife. Nesta etapa, o gás metano – um dos principais causadores do efeito-estufa – será transformado em energia térmica ou elétrica, que poderá ser comercializada para empresas, indústrias, municípios. A tecnologia instalada no Recife permite a produção de 15,78 MW/dia, valor que é capaz de abastecer 144 mil residências com baixo consumo. As sobras do processo de destinação final ficarão em uma nova área de 75 hectares que será construída ao lado do atual Aterro da Muribeca; o local deve receber cerca de 30% a 40% menos do que a quantidade lixo recebida atualmente. “Somente em transporte, vamos economizar R$2,2 milhões por ano, já que a prefeitura não terá mais que levar todo o lixo para fora do Recife”, acrescenta o presidente da Emlurb.

A coleta seletiva realizada de porta em porta também será expandida, porque a Prefeitura do Recife deve investir R$1,5 milhão para ampliar os trabalhos; levando o lixo que pode ser reciclado para os seis centros de triagem, onde os catadores separam o material, vendem e obtém uma renda a partir do lixo. “Há um trabalho social realizado com catadores, desde educação, saúde, higiene e geração de renda para diversas famílias”, diz André Penna, gerente de coleta seletiva da Prefeitura do Recife.

Pelo Projeto Lixo Tem Valor, o consórcio Recife Energia, vencedor da licitação do projeto, deve gerir cerca de 60% a 70% de todo o lixo produzido durante 20 anos, prazo que pode ser prorrogado pelo mesmo período. O investimento para tornar Recife um modelo no sistema de destinação do lixo, foi estimado em R$308 milhões, devendo entrar em vigor até o ano de 2010.

os mais reciclados do brasil

- Latas de Alumínio
Taxa de Reciclagem: 94%
Para onde vai: produção de novas latas de alumínio e autopeças
Benefício: Em 2006, as 140 mil toneladas reaproveitadas significaram uma economia de 2mil gigawatts, o suficiente para abastecer de energia o estado do Ceará durante um ano.

- Papelão
Taxa de Reciclagem: 77%
Para onde vai: confecção de caixas de papelão
Benefício: A versão reciclada consome cinqüenta vezes menos água limpa e metade da energia gasta na produção de uma caixa nova.

- Garrafas PET
Taxa de Reciclagem: 50%
Para onde vai: metade serve à fabricação de fibras de poliéster e o restante vai para a produção de tubos, laminados e resinas para a indústria química. Benefício: previne o grave problema da lotação dos aterros sanitários.

- Papel
Taxa de Reciclagem: 50%
Para onde vai: novas folhas de papel, produção de papel-toalha, guardanapo e papel higiênico
Benefício: Cada tonelada de papel reciclado evita o corte de vinte árvores.

- Vidro
Taxa de Reciclagem: 46%
Para onde vai: produção de mais garrafas, composição de asfalto e fabricação de espuma
Benefício: Só em 2006, foram poupadas 400mil toneladas de minerais. (Fonte: Cempre)

o perigo do óleo de cozinha

1 litro de óleo de cozinha polui 1 milhão de litros de água:

Para reciclar: Você pode colocar o óleo em garrafas PET e, no caso dos moradores do Recife, contatar a Emlurb pelo telefone 3232.1070. Outra opção é verificar instituições que possuem esse tipo de reciclagem.

Para onde vai: O óleo usado pode ser usado nas fábricas de sabão e na produção do biodiesel. (Fonte: Cempre e Emlurb).

 

o que fazer com:

Baterias, Pilhas e Telefones Celulares – normalmente as embalagens trazem telefones de serviço de atendimento que podem informar onde existem postos de coleta. Os fabricantes de celulares e as operadoras geralmente oferecem caixas coletoras de aparelhos usados e baterias nas lojas autorizadas e revendedoras.

Lâmpadas – O ideal é que as fluorescentes, que podem ser recicladas, sejam separadas num lixo à parte, porque os catadores podem se ferir com os cacos de vidro. As lâmpadas incandescentes não podem ser recicladas e podem ser jogadas no lixo comum, já que não trazem efeito nocivo ao meio-ambiente.

Eletrônicos – computadores, hardware, cartuchos, câmeras digitais – Os consumidores devem consultar os mais para saber como descartar corretamente e verificar se a empresa mantém algum programa de reciclagem. Fonte: Agência O Globo e Cempre.

dicas de reciclagem

- O lixo reciclado deve ser separado do orgânico, já que, além de facilitar o trabalho dos catadores, materiais como papel podem ser inutilizados

- As embalagens dos alimentos e produtos de higiene e beleza devem ser lavadas.

o que não adianta

- Não vale a pena separar o lixo seco por tipo de material, já que os catadores e cooperativas vão fazer uma triagem de qualquer forma.

- O processo de reciclagem não é facilitado quando latas e garrafas PET são amassadas; também não adianta desmontar embalagens longa-vida.

 


 


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