Um roteiro para reciclar o guarda-roupa com dicas
da figurinista Andrea Monteiro
Por Guilherme Carréra
guilhermecarrera.pe@dabr.com.br
Garimpar é o verbo dos consumidores de brechós. Ter paciência e olho clínico é premissa básica para quem deseja descobrir peças diferenciadas entre tantas araras. O preço, esse varia de acordo com cada produto. Peças vintage ou de lojas cobiçadas podem salgar as cifras. Mas os brechós são democráticos e também oferecem roupas e acessórios a partir de R$ 1. “Produzir novas peças chega a ser desnecessário, quando se pode reutilizá-las. E isso tem tudo a ver com o senso de sustentabilidade que o mundo vive hoje”, diz a consultora de moda Andrea Monteiro. Figurinista dos filmes Amarelo Manga (Cláudio Assis) e O Céu de Suely (Karim Aïnouz), Andrea foi “guia” da Aurora em alguns brechós do Recife.
“A gente se conhece há dez anos. Ela sempre dá uma passada aqui para conferir o que chegou”, diz Claudineide Cavalcanti, proprietária do Paralelos, o mais antigo e popular da cidade. O destaque fica por conta de figurinos para filmes e peças de teatro. “Mas, na verdade, aqui tem de tudo: sandália, sapato, colar, brinco, saia, blusa, calça, vestido…”, diz Neide.
Andréa em ação no Espaço Moda Brechó: “Produzir novas peças chega a ser
desnecessário, quando se pode reutilizá-las”.
Fotos: Juliana Leitão/DP/D.A Press
Se não gostou da peça exposta na vitrine, a equipe do Dona Quitinha reforma. É exatamente esse atendimento personalizado que diferencia o lugar. “Além do brechó, passamos a trabalhar com confecção própria”, explica Wanbecy Brito, responsável pelo local, que reveza araras para peças de estilistas badalados como Reinaldo Lourenço e Isabela Capeto. Entre os clientes, um novo público. “Os homens estão começando a nos visitar. É um mercado pequeno, mas fiel”.
A faixa etária dos clientes varia entre 8 e 80 anos, revela Beth Teixeira, à frente do Camarim Brechó. O economista aposentado Mauro Lubambo, 79 anos, acompanha a esposa sem reclamar. “As peças são sortidas e os preços, convidativos. Pena que não tem muita coisa para homem”. O Camarim reúne de bolsas e óculos de sol para o verão a casacos e botas para enfrentar o frio.
Já o Espaço Moda Brechó, de Carol Monteiro, funciona no Espaço Muda e privilegia peças vintage, escolhidas em viagens para Buenos Aires, São Paulo e Rio de Janeiro. “Estamos com um projeto novo, o Chá das Cinco. A ideia é reunir, mensalmente, pessoas que trabalham com brechós, para haver uma interação”, diz Carol. Curiosidade: o acervo conta com 15 vestidos de noiva.