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União entre raças diferentes é mais rara
Conclusão está baseada em pesquisa do IBGE
Conhecido pela miscigenação, o Brasil é um país que esconde um mal presente em todo o Mundo: o preconceito racial. A afirmação - que não é novidade para quem sente na pele o quanto a cor influi na forma como se vê alguém - faz parte das conclusões da pesquisa realizada pelo cientista social José Luís Petruccelli, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao cruzar dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o pesquisador comprovou que o preconceito racial existe em grande escala e é descoberto quando se leva em consideração que 77,4% das relações conjugais no Brasil são entre pessoas do mesmo grupo de cor ou raça. Em entrevista recente, Petruccelli avalia que o contrário, a união conjugal entre pessoas de raças diferentes, é coisa de novela. "Esses casamentos parecem ter aumentado, mas tenho a impressão de que são uma cortina de fumaça para ocultar o racismo", acredita. Na sua pesquisa, esse tipo de casamento corresponde a 22,6% das uniões conjugais. E quando acontecem, sãovistos como tentativa de ascensão social que não leva em consideração afinidade e amor. Vide os casamentos entre jogadores de futebol negros e emergentes louras. Quanto a esse aspecto, o pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Eduardo Fonseca, chama a atenção para detalhes que podem explicar a preferência dos negros bem sucedidos por brancos. Uma delas é a falta de opções de pessoas da mesma cor com igual posição social. "O raciocínio de que no Brasil não há preconceito de cor e sim de classe é errado. Ambos estão conjugados". Fonseca destaca ainda que alguns negros adotam a chamada estratégia de branqueamento. "Negros se casam com brancos e geram filhos mestiços, que casam com outros mestiços até sobrar pouco da cor aparente".
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