Em alguns pontos, a relação fornecedor x consumidor nos jogos de futebol já avançou de forma satisfatória e atende às expectativas do Código de Defesa do Consumidor. O seguro contra acidentes é um deles. Cada torcedor, que pagar o ingresso, tem direito a uma cobertura de R$ 10 mil para acidentes ocorridos dentro dos estádios, que acarretem morte ou invalidez total. Só que, muitas vezes, o próprio beneficiado não conhece o seu direito.
Esse foi, por exemplo, o caso do garoto de 13 anos morto por uma pedrada na partida entre Goiás e São Paulo, realizada no dia 30 de setembro, no Serra Dourada. Este, por sinal, foi único acidente com morte ocorrido dentro do estádio, nesta Copa João Havelange. Mesmo tendo direito ao benefício, a família da vítima não procurou a seguradora para receber a prêmio do seguro. Foi a própria empresa que presta o serviço que tomou a iniciativa de procurar os beneficiados.
INDENIZAÇÃO - No caso do Serra Dourada, existe um detalhe importante que os torcedores também precisam saber.Pela legislação brasileira, menores de 14 não têm direito a indenização por morte, recebendo o dinheiro apenas nos casos de invalidez. Por isso, a família não teria direito aos R$ 10 mil, sendo reembolsada apenas nas despesas do enterro.
Seguros para espectadores em grandes eventos não chega a ser uma novidade. Mas, na Copa João Havelange, pela primeira vez uma empresa pernambucana é quem ficou responsável por cobrir todos os jogos da competição. A Excelsior Seguros venceu uma licitação feita pelo Clube dos Treze, no início do semestre e até a rodada do meio de semana, já tinha segurado mais de 500 mil torcedores. "Concorremos com várias empresa de todo País e oferecemos o melhor preço", explica Fernando Emericiano, diretor executivo da empresa, que tem como presidente o rubro-negro Luciano Bivar.
Se para o torcedor/consumidor o seguro é um direito, para o clube ou Federação, donos dos estádios e responsável pela indenização por qualquer acidente, o seguro é uma garantia. "A grande vantagem para o clube éno caso de uma catástrofe, com várias vítimas, como a queda de uma marquise, por exemplo", afirma Oldemar Fernandes, diretor da Excelsior.
Em troca da garantia de um prêmio de R$ 10 mil para vítimas de acidentes dentro dos estádios, a Excelsior tem direito um valor fixo de cada ingresso. O que os executivos não esperavam é o pequeno público que tem comparecido aos jogos da Copa JH. "É quatro vezes menor do que tínhamos projetado", analisa Oldemar. Mas, mesmo assim, o negócio parece ser bom. A empresa já planeja expandir seus negócios para outras competições no Brasil e na América do Sul.