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Cifras do mundo infanto-juvenil
Empresas, incluindo as micro e pequenas, renovam o fôlego financeiro graças ao apelo consumista
Micheline Batista Da equipe do DIaRIO
Descobertas, sonhos, fantasias e... consumo, muito consumo. Assim é o mundo infanto-juvenil. Na mesma velocidade em que crescem e se desenvolvem, crianças e adolescentes se transformam em ávidos consumidores. Tudo acaba entrando no liquidificador - desde roupas, calçados e acessórios, passando por jogos e brinquedos, opções reais de entretenimento, alimentação e até serviços, como os médico-odontológicos. Sabemos que para os pais, que pagam as contas, isso pode não ser nada engraçado. Mas, para quem resolve investir nesse mercado, o consumismo infantil rende motivos de sobra para comemorar. Tradicionalmente, duas grandes datas do segundo semestre são responsáveis pelo superaquecimento das vendas - o Dia das Crianças e o Natal. Nesses períodos, as fábricas de brinquedos, por exemplo, chegam a recusar pedidos. Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), o setor deverá fechar o ano com um faturamento aproximado de R$ 950 milhões, quase 16% a mais do que em 1999. Cifras astronômicas também no quesito investimento: R$ 214 milhões, contra os R$ 158 milhões do ano passado. Os lucros advindos do impulso infantil de comprar ("Eu quero! Eu quero! Eu quero!"), no entanto, não ficam restritos às grandes organizações. Em menor escala, micro e pequenos empresários que apostam no segmento também garantem: não há tempo ruim para quem a criança é o principal público-alvo. Vamos aos números. Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa & Desenvolvimento de Mercado (IPDM), revela que 57% dos jovens com idade até 19 anos freqüentam os shoppings, pelo menos, uma vez por semana. Quase metade deles (47%) vão a esses centros comerciais com um objetivo muito claro: comprar. POTENCIAL - O estudo, encomendado pela Associação Brasileira dos Shopping Centers (Abrasce), revela ainda que essas crianças e adolescentes gastam mais em cada ida ao shopping do que pessoas de outras faixas etárias - R$ 74,00 per capita, contra a média geral de R$ 59,00. Foi acreditando nesse potencial que, há dois anos e meio, as sócias Elcionne Carneiro, Renata e Lúcia Freitas resolveram montar, no Shopping Center Recife, a Ocean Kids. Cerca de oitenta por cento dos produtos comercializados na loja são de fabricação própria. São roupas e acessórios para a faixa etária de 0 a 6 anos. "O mercado é crescente e, o lucro, garantido", afirma Renata Freitas. Somente para dezembro, é esperado um incremento nas vendas em torno de 30% em relação ao mesmo período de 99. Antes mesmo de concretizar a melhoria no faturamento, as empresárias estão comemorando a expansão do negócio, com a abertura de uma filial no Plaza Shopping Casa Forte. O setor de serviços voltados para crianças também registra um bom crescimento. Há 13 anos, o autônomo Luiz Carlos Teixeira de Almeida resolveu montar um negócio que garantisse alegria e entretenimento para os pequenos. Foi assim que surgiu a Fábrica da Alegria. A cada final de semana, Luiz sua equipe realizam cerca de quatro apresentações. A receita mensal chega a R$ 2 mil líquidos. "O problema é queestão surgindo muitos convites" diz, referindo-se ao trabalho de lançamento de produtos e recreação em shopping centers. Para quem está chegando ao mercado, as perspectivas não são menos animadoras. Em janeiro, um grupo de quatro pediatras estará abrindo uma clínica especializada em atendimento infanto-juvenil de urgência, com funcionamento 24 horas. Um investimento na casa dos R$ 400 mil. "Existia uma demanda naquela área (bairro do Parnamirim) que precisava ser suprida", filosofa a pediatra Sandra Arruda. Para ela, constituir uma clientela não vai ser problema. "Nosso atendimento vai ser diferenciado. Quanto menos o lugar se parecer com uma clínica, melhor para o psicológico da criança", conclui. Serviço Ocean Kids - 3465.1515 Fábrica da Alegria - 9965.5308
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