RIO - O anúncio pelo Governo federal de um conjunto de 11 medidas destinadas a estimular o crescimento das exportações, sexta-feira no 20º Enaex (Encontro Nacional de Comércio Exterior) não entusiasmou. O pacote foi considerado "tímido" por exportadores e especialistas, que viram nele mais um programa de intenções que um plano de ação imediata.
As medidas incluem programa de modernização dos portos, passando por outras de incentivo e reformulação fiscal e aumento dos financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), ao lançamento de um selo de qualidade com a "marca Brasil". A única medida aplaudida pela audiência do Enaex -a redução da alíquota de Imposto de Renda de 15% para zero sobre remessa de recursos para promoção comercial- era desconhecida do secretário da Receita Federal, Everardo Maciel.
"É importante, mas é só intenção, e muito tímido no aspecto fiscal" , resumiu Antônio Corrêa de Lacerda, presidente da Sobeet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica). Para ele, o importante é a constatação de que o governo se convenceu de que não bastam iniciativas macroeconômicas, como desvalorizar o câmbio e reduzir juros, para ter o saldo comercial de que o País precisa para ter tranquilidade nas contas externas.
Ao anunciarem as medidas, o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, e o secretário-executivo da Camex, Roberto Giannetti da Fonseca, definiram o programa como "um processo que terá novas medidas nos próximos meses". Tápias prometeu que as medidas anunciadas estarão implantadas até janeiro. Disse ainda que as medidas visam a assegurar que as exportações cresçam em média 20% ao ano nos próximos anos. A Associação Brasileira de Comércio Exterior estima que este ano o crescimento seja de cerca de 15%. Tápias não se comprometeu com a possibilidade de o País ter superávit comercial em 2001, afirmando que importante é obter crescimento alto e contínuo das exportações.