Domingo
19 de Novembro de 2000

Disparidade cresce nos estados

O economista da Fundação Getúlio Vargas salienta que há quatro anos 4,437 milhões de brasileiros com emprego remunerado ganhavam um mínimo ou múltiplos do piso (de 0,5 a 25 salários). O número equivalia a 14,1% dos funcionários com e sem carteira assinada e dos servidores públicos.

Mas, no ano passado, apenas um em cada dez empregados remunerados do País (a conta exclui autônomos e empregadores) tinham renda atrelada ao mínimo. A proporção equivale a 3,172 milhões de brasileiros. Ou seja, mais de 1,265 milhão de trabalhadores deixaram de ter sua renda vinculada ao mínimo.

"O salário-mínimo perdeu força de modo geral. Mas o efeito foi particularmente mais intenso entre os que ganhavam múltiplos do piso", salienta Marcelo Neri.

De fato, a proporção de trabalhadores que ganhavam exatamente um mínimo caiu de 8,3% para 7,1% entre 1996 e 99. Já os empregados que ganham seus múltiplos passaram de 5,8% em 96 para 2,9% no ano passado. A influência do piso também varia nos diferentes estados brasileiros.

Em São Paulo, apenas 3% dos empregados ganham o mínimo ou seu múltiplos. Já em alguns estados do Nordeste, o percentual passa de 20%. Segundo o estudo da fundação, um em cada quatro trabalhadores alagoanos tem renda atrelada ao mínimo. Na Bahia, a proporção é de 22%. Por isso, Neri defende o aprofundamento do debate em torno dos pisos regionais.

No início deste ano, o Governo federal liberou os governadores para fixarem mínimos estaduais, de acordo com o desempenho fiscal de cada unidade da Federação. Mas apenas Maranhão e Bahia implementaram a medida.