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Aliados do Governo lutam pelo Congresso
Disputa pelas presidências do Senado e da Câmara provoca rachaduras na base política do Governo. PSDB lança Aécio Neves para o cargo de Michel Temer e PFL reage com Inocêncio Oliveira. Severino Cavalcante, do PPB, corre por fora. A sucessão de ACM também está complicada
Denise Rothenburg ESPECIAL PARA O DIARIO
BRASÍLIA - Descrita como a "hora da arrumação" pelo líder do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA), a segunda semana de trabalho do Congresso pós-eleições terminou com um clima de vale tudo e salve-se quem puder entre os partidos da base aliada do governo (PMDB, PFL, PSDB e PPB). O PSDB lançou a candidatura do deputado Aécio Neves (MG) à sucessão do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). O PFL anunciou o nome de Inocêncio Oliveira (PE). O PMDB reafirmou que seu líder e presidente Jader Barbalho é o candidato do partido ao Senado - tudo o que o presidente da Casa, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), não deseja. Lançadas as candidaturas, ninguém quer abrir mão e passar recibo de derrotado: "Minha candidatura é irreversível", garante o líder do PSDB, Aécio Neves. "O cargo é de Inocêncio", cobra o senador José Agripino (PFL-RN). "Nós temos Jáder no Senado. Quem nos apoiar aqui, leva o apoio na Câmara", diz o senador Ney Suassuna (PMDB-PB). "ACM é um guerreiro. Ele continuará lutando, certo de que conseguirá evitar a eleição de Jáder aqui e ganhar com Inocêncio na Câmara", afirma o senador José Jorge (PFL-PE). Quem está vibrando com a confusão é o segundo-vice presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE), que corre por fora na sucessão de Michel Temer. Como um nome independente do Governo, pode ser a grande zebra: "Os outros brigam para ver quem é mais governista. Eu sou o Parlamento de pé", empolga-se. O que cada partido realmente deseja? Poder. E quanto mais melhor. Para chegar lá, cada um arma o seu jogo e deixa tonto o grupo político do Palácio do Planalto, que tenta buscar a paz. A maior preocupação do presidente é que a guerra entre os partidos da base inviabilize os dois anos que faltam para terminar seu mandato.
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