Sexta-Feira
8 de Setembro de 2000

Conservação é o maior problema

Iphan iniciou restauração em Olinda e Recife e a PCR criou o projeto Em Recife Os Sinos Tocam Barroco

A conservação dos seculares edifícios religiosos é cara e difícil. Para gerar recursos para manutenção desses prédios, a exploração turística poderia ser usada como uma das saídas. Por isso, o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) tem exigido que a administração dos conventos e igrejas facilitem a visitação ao público, antes de incluirem os monumentos nos programas de restauração.

Esse ano, o Iphan - com apoio das prefeituras e financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) - iniciou projetos de restauração em Olinda (Sítio Histórico) e no Recife (Polo Alfândega e Madre de Deus) com obras orçadas em cerca de R$ 14 mil, mais R$ 10 milhões da iniciativa privada. o projeto leva o nome de Monumenta.

Dos monumentos religiosos das duas cidades, o Monumenta está contemplando quatro igrejas (Madre de Deus, no Recife, e Igrejas do Carmo, do Amparo e do Rosário dos Homens Pretos, em Olinda) e o espaço público do mosteiro de São Francisco, também em Olinda. Todos tombados pelo Iphan. AIgreja do Carmo, anterior a 1630, é propriedade do Iphan e tem arquitetura elaborada, semelhante à da Igreja de Jesus, em Roma (Itália). Nas obras de restauração dessa Igreja está prevista a prospecção arqueológica do primeiro convento brasileiro, erguido nas imediações da Igreja, e a contenção do morro de argila onde está o edifício.

Além do Monumenta, através de parcerias e outras ações, outros edifícios também têm sido restaurados. Um exemplo é a Igreja de Nossa Senhora da Boa Hora, de 1806, que está sendo restaurada através de uma oficina-escola, com apoio da Santa Casa.

Entre as reivindicações e reclamações dos religiosos, a falta de apoio das prefeituras em oferecer segurança para abrirem as igrejas é a mais constante. Nas igrejas de Santa Teresa, Olinda, e São José do Ribamar, Recife, os dirigentes também reclamam que técnicos do Iphan desmontaram altares que não foram recolocados no lugar.

Outra ação que poderá ajudar o turismo religioso no Recife é o projeto Em Recife Os Sinos Tocam Barroco, que a Prefeitura do Recife estuda a implantação, com o apoio de parceiros. A autora, a arquiteta Maria Lucinda Arcoverde, explica que o projeto cria um roteiro por 16 edifícios religiosos nos bairros de Santo Antônio e São José e tem custo de R$ 250 mil. Às 18h, todo dia, as 16 igrejas soariam os sinos. "No orçamento consta concertos, pintura e iluminação e sinalização da rota. Também iríamos combinar o horário de funcionamento" , conta. (C.C.)


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