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Contágio em socorro a aidético é raro
Especialista garante que contaminação do vírus HIV se dá principalmente
através do contato sexual
O risco de contaminação durante o socorro a uma pessoa soropositiva
ferida é mínimo. A afirmação é do coordenador
do Programa Estadual DST/Aids, François Figueiroa, ao comentar
a denúncia da família do ator Antônio Roberto França,
41 anos, assassinado no último sábado durante uma tentativa
de assalto, de que que o preconceito foi o responsável por sua
morte. Segundo parentes da Pernalonga, como era conhecido, alguns vizinhos,
taxistas e até mesmo policiais militares teriam se recusado a socorrê-lo,
por saberem que era soropositivo. Esfaqueado na perna pelos criminosos,
ele levou cerca de três horas para ser socorrido por uma viatura
da Polícia Civil.
O nível de conhecimento da população a respeito
da Aids aumentou muito. Mas a informação não leva,
por si só, a uma mudança de comportamento, explica
Figueiroa. Não posso falar sobre o caso específico
do ator, já que outros fatores (como o horário do ocorrido)
podem ter influenciado na falta de socorro. Mas a verdade é que
o preconceito ainda existe, até mesmo entre profissionais da área
de saúde.
Figueiroa lembra que a principal forma de contágio é a sexual
(responsável por 85% dos casos no Estado) e ainda assim muita gente
não usa camisinha. O risco de contaminação
durante o socorro a uma pessoa soropositiva só existe se o sangue
entrar em contato com as mucosas (boca, olho), ou com um ferimento aberto,
mas não temos conhecimento de nenhum caso desse tipo, explica.
Para se ter uma idéia, a possibilidade de um médico
que faz uma cirurgia numa pessoa soropositiva se contaminar é de
0.3%.
Nos últimos 12 anos, o Ministério da Saúde promoveu
mais de 25 campanhas de orientação sobre a Aids. Em 99,
foram quatro, que receberam investimentos de R$ 10 milhões. Quase
todas vêm sendo direcionadas para esclarecimentos sobre a doença
e combate ao preconceito. Conforme o MS, as últimas pesquisas indicam
que mais de 80% dos brasileiros estão bem informados sobre a Aids.
Depoimentos
“Ajudaria uma pessoa ferida mesmo sabendo que ela tem Aids. Nesse momento
é só ter cuidado para não pegar a doença. Me protegeria com algum pano
ou saco que achasse pela rua. Se não encontrasse nada disso na hora, então
procuraria ver se eu tinha algum ferimento no corpo para que o sangue
da vítima não batesse naquele local”. Ronaldo Fernandes, 22 anos, autônomo.
“De jeito nenhum ajudaria a levar uma pessoa ferida e com Aids para um
hospital. Simplesmente porque tenho medo de pegar a doença. Sei lá, o
sangue poderia bater em mim e me contaminar. Se visse alguém ferido caído
na rua e soubesse que tem Aids, passaria bem longe dela para não me envolver
com a história, mesmo que me implorasse por ajuda”. Joana do Nascimento,
36 anos, estudante
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