Terça
13 de Junho de 2000

Contágio em socorro a aidético é raro

Especialista garante que contaminação do vírus HIV se dá principalmente através do contato sexual


O risco de contaminação durante o socorro a uma pessoa soropositiva ferida é mínimo. A afirmação é do coordenador do Programa Estadual DST/Aids, François Figueiroa, ao comentar a denúncia da família do ator Antônio Roberto França, 41 anos, assassinado no último sábado durante uma tentativa de assalto, de que que o preconceito foi o responsável por sua morte. Segundo parentes da Pernalonga, como era conhecido, alguns vizinhos, taxistas e até mesmo policiais militares teriam se recusado a socorrê-lo, por saberem que era soropositivo. Esfaqueado na perna pelos criminosos, ele levou cerca de três horas para ser socorrido por uma viatura da Polícia Civil.
  
“O nível de conhecimento da população a respeito da Aids aumentou muito. Mas a informação não leva, por si só, a uma mudança de comportamento”, explica Figueiroa. “Não posso falar sobre o caso específico do ator, já que outros fatores (como o horário do ocorrido) podem ter influenciado na falta de socorro. Mas a verdade é que o preconceito ainda existe, até mesmo entre profissionais da área de saúde”.
  
Figueiroa lembra que a principal forma de contágio é a sexual (responsável por 85% dos casos no Estado) e ainda assim muita gente não usa camisinha. “O risco de contaminação durante o socorro a uma pessoa soropositiva só existe se o sangue entrar em contato com as mucosas (boca, olho), ou com um ferimento aberto, mas não temos conhecimento de nenhum caso desse tipo”, explica. “Para se ter uma idéia, a possibilidade de um médico que faz uma cirurgia numa pessoa soropositiva se contaminar é de 0.3%”.
  
Nos últimos 12 anos, o Ministério da Saúde promoveu mais de 25 campanhas de orientação sobre a Aids. Em 99, foram quatro, que receberam investimentos de R$ 10 milhões. Quase todas vêm sendo direcionadas para esclarecimentos sobre a doença e combate ao preconceito. Conforme o MS, as últimas pesquisas indicam que mais de 80% dos brasileiros estão bem informados sobre a Aids.

Depoimentos

“Ajudaria uma pessoa ferida mesmo sabendo que ela tem Aids. Nesse momento é só ter cuidado para não pegar a doença. Me protegeria com algum pano ou saco que achasse pela rua. Se não encontrasse nada disso na hora, então procuraria ver se eu tinha algum ferimento no corpo para que o sangue da vítima não batesse naquele local”. Ronaldo Fernandes, 22 anos, autônomo.

“De jeito nenhum ajudaria a levar uma pessoa ferida e com Aids para um hospital. Simplesmente porque tenho medo de pegar a doença. Sei lá, o sangue poderia bater em mim e me contaminar. Se visse alguém ferido caído na rua e soubesse que tem Aids, passaria bem longe dela para não me envolver com a história, mesmo que me implorasse por ajuda”. Joana do Nascimento, 36 anos, estudante

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