Terça
13 de Junho de 2000

Maternidades ainda são poucas

A carência de maternidades públicas e projetos de assistência às gestantes é alarmante. A última unidade especializada no atendimento obstétrico, inaugurada no Estado, foi a Barros Lima, em fevereiro de 1968. De lá para cá, a população de Pernambuco passou de 5 para 7 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE. E como se não bastasse a falta de investimento nesta área, duas maternidades que poderiam aumentar a oferta de leitos de obstetrícia — a de Olinda e a de Abreu e Lima — estão prontas, mas sem condição de funcionar. Por falta de dinheiro, nenhum equipamento foi adquirido.
  
Sem poder contar com as maternidades, as gestantes acabam sendo encaminhadas aos hospitais. Na opinião do secretário estadual de Saúde, Guilherme Robalinho, o aumento no número de leitos para obstetrícia pode não depender da construção de novas unidades, mas de uma reestruturação das que já existem. “Sabemos do problema, mas estamos promovendo reformas e lançando novos projetos para que a população não precise correr de hospital em hospital”. Uma das ações que vem sendo desenvolvida pela secretaria desde o final do ano passado é o projeto de incentivo ao parto normal e ao trabalho das parteiras.
  
Enquanto a população de baixa renda corre atrás de vagas nas maternidades públicas do Estado, as mulheres de maior poder aquisitivo se beneficiam da expansão física e tecnológica do setor privado. A cada ano que passa, aumenta o número de leitos e os serviços oferecidos nessa área pelos hospitais particulares. Prova disso está em uma estatística feita pelo Sindicato dos Hospitais. De 93 a 98, o valor dos impostos cobrados pela Prefeitura do Recife sobre a receita desses estabelecimentos aumentou 96%.