Terça
13 de Junho de 2000

Agricultores fecham acesso ŕ BR-101 Norte

Protesto foi organizado por integrantes da Fetape


Cerca de trezentos agricultores ligados à Fetape bloquearam, ontem, por cerca de uma hora, o trânsito na BR-101 Norte, em Itapissuma. Os manifestantes - que exigiam a liberação de R$ 21,3 milhões em créditos do Programa Nacional de Agricultura Familiar - atearam fogo em pneus, impedindo o fluxo de veículos nas duas faixas da estrada. Apenas ambulâncias e carros de funerárias tiveram autorização para trafegar pelo acostamento. O protesto aconteceu na altura do quilômetro 26 da rodovia, provocando um grande congestionamento nas duas faixas da pista. De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal, o engarrafamento atingiu cerca de quatro quilômetros no sentido Goiana/Recife e no sentido inverso. O protesto foi encerrado às 11h30.
  
Segundo o diretor de Políticas Agrárias da Fetape, João Santos, os agricultores estão revoltados com os atrasos nas liberações dos créditos. “Desde o final do mês passado que ninguém recebe um centavo de crédito. O ano agrícola já começou e não temos dinheiro para nada. Os agricultores estão revoltados com a demora. O pior é que nem o Incra e nem os bancos dizem o que está acontecendo”, reclamou Santos.

AMEAÇA - “Se as nossas reivindicações não foram atendidas vamos partir para ações que chamem ainda mais a atenção do governo e da população. Vemos destruir a barragem de Arataca, que foi construída dentro do assentamento nosso, o Ubu”, ameaçou o líder local da Fetape, Aluízio Francisco de Assis. De acordo com a Fetape, cerca de 4 mil famílias dos municípios de Igarassu, Itapissuma e Goiana estão sendo prejudicadas com o atraso na liberação dos créditos.

O presidente nacional do Incra, Orlando Muniz - que esteve ontem no Recife para a cerimônia de posse do novo superintendente do órgão no Estado - afirmou que os créditos, suspensos desde o início de maio, já estão sendo liberados. “Os recursos haviam sido suspensos por determinação do Ministério da Desenvolvimento Agrário. Inicialmente, após o surgimento de denúncias sobre o desvio de verbas, supostamente realizado por integrantes do MST. Resolvida essa questão, surgiu o impasse provocado pela nova Lei de Responsabilidade Fiscal. No final da semana passada, conseguimos resolver mais essa questão”, afirmou Orlando Muniz.

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