Terça
13 de Junho de 2000

Tentativa de fuga no Cerad acaba em quebra-quebra e pancadaria

  Quatro rapazes - acusados de homicídio e que cumpriam medida sócio-educativa - provocaram um tumulto na madrugada de ontem no Centro de Ressocialização de Adolescentes (Cerad), em Paratibe, Paulista. O tumulto começou na pavilhão Cerad-2, onde os adolescentes estavam recolhidos, e acabou resultando na destruição de parte do primeiro andar do prédio. Quatro Agentes de Desenvolvimento Social saíram feridos. Dois deles, que tentaram resistir às agressões, tiveram um dos braços quebrados. Os rapazes também atearam fogo em 18 colchões, destruíram lâmpadas, cadeados e danificaram as redes elétricas e hidráulicas do centro. Os acusados foram autuados em flagrante na Delegacia de Abreu e Lima e encaminhados ao presídio Aníbal Bruno, na noite de ontem.
  
A confusão, que resultou na prisão dos quatro internos, começou por volta das 0h45. Os adolescentes Múcio Quirino Novelino, Josenildo de Lima Alves, Eduardo Pereira de Santana, e Moacir Pereira da Silva, todos com 18 anos, planejaram a fuga do Cerad, mas os planos terminaram sendo contidos pela guarda de plantão. Armados de barras de ferro e chuços, eles tentaram fazer de refém dois dos agentes de desenvolvimento, Castro Alvares Antônio Barbosa e Edmilson Pedro Sobral. Depois de uma luta corporal, Castro, Edmilson e os agentes Alexandre Castelo Branco e Cláudio Pinto, conseguiram render os internos trancando-os no pavilhão de segurança.

PERIGO - Cláudio e Alexandre tiveram o braço quebrado e Edmilson deslocou a clavícula. “Pensei que não fosse sair vivo dessa”, comentou o agente Alexandre. Na cela dos acusados, a segurança encontrou pedaços de paus, ferros e armas fabricadas artesanalmente, que segundo a polícia, provavelmente seriam usadas pelos adolescentes para facilitar a fuga. Os quatro rapazes são acusados de homicídios e latrocínios. Um deles é apontado como autor do assassinado um oficial da Polícia Militar e a sua namorada há nove meses em Paulista.
  
Os adolescentes confessaram a intensão de fugir, mas negaram ter agredido a segurança. “A gente é quem foi espancado”, denunciou Josenildo Alves. Múcio Quirino diz que foi agredido pelos agentes mostrando arranhões nas costas. “Essa história de que quebramos o braço deles é mentira”, defendeu-se. O delegado Cleodon Calado, explicou que encaminhará os rapazes para fazer exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal. O delegado explicou ainda que os quatro serão autuados por formação de quadrilha, lesão corporal e danos. A pena máxima aplicada aos três crimes pode chegar até 11 anos de prisão.