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Parceria e mala-preta
Márcio Markman
Da Equipe do DIARIO
Desde o início do ano, quando o Sport partia para buscar o inédito
pentacampeonato estadual, muita gente comentava que, além do desempenho
em campo, o campeão deste ano seria definido nos bastidores. A
força política dos clubes ou mesmo o poderio econômico
poderiam fazer a diferença.
Depois da Conexão Pássaro Preto, quando abriu
uma discussão ética no Campeonato Pernambucano, por haver
emprestado quase um time inteiro ao Íbis, eis que o Sport volta
a protagonizar um episódio onde a lisura da competição
foi posta em jogo. Foi no domingo passado, quando a diretoria rubro-negra
teria prometido pagar a mala-preta ao Central minutos antes do jogo contra
o próprio alvinegro caruaruense.
O próprio presidente da Federação Pernambucana de
Futebol, Carlos Alberto Oliveira, não gostou e ameaçou paralisar
o campeonato. Da mesma forma que, sobre a Conexão Pássaro
Preto, garantiu que, no próximo ano, a parceria entre Sport e Íbis
será desfeita.
Não à toa, o Sport venceu o Íbis aos 47 minutos do
segundo tempo. Fora isso, as substituições efetuadas durante
a partida tiraram de campo alguns dos melhores jogadores do Íbis.
Já na primeira partida com o técnico Leão no comando
do time, o rubro-negro derrotou o Central por 3 x 1, com pelo menos dois
frangos do goleiro Luciano. O goleiro, ninguém sabe porque, acabou
afastado do clube jogos depois.
Ninguém pode provar que o Sport descumpriu alguma regra, aproveitando-se
de fatores extra-campo para ficar em posição privilegiada
no Estadual. O fato é que a parceria com o Íbis e a declarada
mala-preta ao Central dão margem para que se abra uma discussão
mais ampla sobre o assunto.
Todos estes episódios poderiam ter sido evitados. O Sport tem o
melhor grupo e a melhor estrutura entre os clubes pernambucanos. Deveria
estar se preocupando apenas consigo mesmo. Até porque, enquanto
dá uma injeção financeira ao Central, ainda não
pagou o décimo-terceiro salários de alguns dos principais
jogadores do time.
“Ele (Gustavo Kuerten) merece ser o número 1, tanto quanto
eu mereço ser o número 2”, disparou o sueco Magnus Norman, conformado
com a derrota para o brasileiro na final de Roland Garros
Decisão I
Quarta-feira da próxima semana é dia de decisão.
Sport e Santa Cruz devem entrar na decisão do Estadual-2000 em
condições bem parecidas com as do ano passado. Tudo bem
que o turno ainda não terminou, pelo menos até a noite de
hoje, mas são poucos os tricolores que ainda apostam em uma virada.
Mais do que a vantagem, o Sport briga pelo inédito penta na condição
de favorito por contar com o time mais estável e um grupo de melhor
qualidade.
Decisão II
Ao Santa Cruz resta a experiência de jogadores como
Darci, Sinval e Jean Carlo. A saída de Nereu Pinheiro do comando
técnico do tricolor e a conseqüente efetivação
de Charles Muniz aumentaram o poder destes atletas dentro do grupo. Nereu
centralizava as decisões, enquanto Charles divide a responsabilidade
com os jogadores. Fala-se no Arruda de um pacto sugerido por Darci, onde
os jogadores mais experientes - leia-se, mais cobrados - mudariam a atitude
para que o Santa possa dobrar o Sport. É esperar para ver.
Rivaldo
Visitando o Palmeiras na tarde de ontem, com o objetivo de
incentivar o grupo alviverde a conquistar a Taça Libertadores da
América, o pernambucano Rivaldo voltou a afirmar que, quando decidir
voltar a jogar no Brasil, tiomará o rumo do Parque Antártica.
E aproveitou para fazer uma reverência ao rei da França,
Gustavo Kuerten. Ele é o melhor do mundo e merece estar nesta
posição, comentou o também número 1
do futebol.
Ídolo I
Rivaldo tem razão. Gustavo Kuerten é o maior
ídolo esportivo brasileiro na atualidade. O catarinense é
o melhor jogador do mundo na atual temporada - aliás, algo que
ele já havia conseguido no ano passado, durante dois meses, sendo
que o ranking da Corrida dos Campeões não contava com o
mesmo status. Guga e o sueco Magnus Norman são apontados como os
sucessores de Andre Agassi e Pete Sampras como os jogadores que vão
dominar o ranking nos próximos anos.
Ídolo II
Jovem, humilde, bem humorado e solicito, Guga tem a seu favor
não apenas os títulos conquistados no Circuito Mundial,
mas o fato de que os atuais ídolos do futebol, o esporte número
1 dos brasileiros, são pessoas de conduta questionáveis.
Edmundo vive às turras com a Justiça por ter provocado a
morte de três pessoas em um acidente automobilístico; Ronaldinho
está fora da mídia por conta da contusão no joelho;
Rivaldo tem contra si a personalidade extremamente recatada e Romário
é uma bad boy por natureza.
Igrejinha
E o técnico Luís Carlos Cruz caiu. De nada valeram
seu conhecimento científico ou seu futebolês a la Luxemburgo.
No final das contas, os resultados negativos acabaram falando mais alto
e o Náutico já passa a procurar um novo treinador. O interessante
neste caso é que o zagueiro Alex (foto), que havia entrado em conflito
com Cruz, afirmando existir nos Aflitos uma igrejinha, onde técnico
seria seu Sumo Pontíficie, está reintegrado ao grupo. Ou
seja, ao menos para os dirigentes alvirrubros, talvez o zagueiro esteja
com a razão.
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