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Chesf deve dividir controle acionário
Modelo de privatização seguiria o adotado em Furnas
O Governo Federal ainda não definiu como será o modelo
de privatização da Chesf, mas, a expectativa do setor elétrico
é que a empresa seja vendida seguindo o mesmo mecanismo de Furnas,
geradora que abastece o Sudeste do País. Pelo novo modelo, anunciado
na última sexta-feira, as empresas serão vendidas a partir
da pulverização de suas ações. O controle
acionário, entretanto, ficará nas mãos do Governo.
Em relação à Chesf, a proposta está longe
de atingir a unanimidade, mas gera bem menos polêmica que o mecanismo
que vinha sendo defendido pelo Governo anteriormente.
Se for para a Chesf ficar com o controle estatal, estou
de acordo. O que não pode é o rio São Francisco ficar
nas mãos de grupos privados, de estrangeiros, disse o prefeito
do Recife, Roberto Magalhães (PFL). No ano passado, ele foi um
dos primeiros a criticar o modelo de venda da Chesf que vinha sendo estudado
em Brasília.
De acordo com o modelo anterior, o Governo pretendia dividir
a companhia em quatro empresas: três de geração de
energia e uma de transmissão. Todas seriam privatizadas. Técnicos,
sindicalistas, políticos de oposição e até
de situação (o próprio PFL) ficaram contra a proposta.
Apesar de ainda não ter recebido informações
oficiais sobre o modelo, o presidente da Chesf, Mozart de Siqueira Campos,
adianta que acha o mecanismo interessante. A proposta de pulverização
das ações é muito boa. A sociedade terá a
oportunidade de se tornar sócia da empresa, defende.
Já o presidente licenciado do Sindicato dos Urbanitários,
Edvaldo Gomes, levanta alguns questionamentos. Esse processo é
complicado. O Governo tem que levar em conta que a Chesf é diferente
de Furnas. A Chesf depende de um só rio, que por sua vez, tem múltiplos
usos. Apesar do questionamento, Gomes afirma que não é
contra a abertura do capital da Chesf. A gente defende esta abertura,
desde que o controle continue com o Estado.
A grande preocupação com uma privatização
integral da Chesf é que hoje não existe nenhum mecanismo
capaz de ordenar a utilização das águas do São
Francisco.
TRANSPOSIÇÃO - Embora ainda não tenha definido o
modelo de venda, o Governo Federal já anunciou que pretende usar
os recursos da privatização da Chesf no projeto de transposição
das águas do São Francisco. É outra polêmica.
Se for para reaplicar os recursos no rio, estou de acordo. Mas ainda
não está claro se a transposição é
a melhor solução, diz o prefeito Roberto Magalhães.
Edvaldo Gomes afirma ser contra a idéia. Isso só vai
enfraquecer a existência do rio. Toda vez que há um calendário
eleitoral, volta-se a discutir esta transposição.
Amanhã, o ministro da Integração Nacional, Fernando
Bezerra, recebe os governadores dos quatro Estados da bacia receptora
das águas do São Francisco (Ceará, Pernambuco, Rio
Grande do Norte e Paraíba) para definir uma política compensatória
para os quatro Estados doadores (Minas Gerais, Alagoas, Sergipe e Bahia).
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