Terça
13 de Junho de 2000

Chesf deve dividir controle acionário

Modelo de privatização seguiria o adotado em Furnas

O Governo Federal ainda não definiu como será o modelo de privatização da Chesf, mas, a expectativa do setor elétrico é que a empresa seja vendida seguindo o mesmo mecanismo de Furnas, geradora que abastece o Sudeste do País. Pelo novo modelo, anunciado na última sexta-feira, as empresas serão vendidas a partir da pulverização de suas ações. O controle acionário, entretanto, ficará nas mãos do Governo. Em relação à Chesf, a proposta está longe de atingir a unanimidade, mas gera bem menos polêmica que o mecanismo que vinha sendo defendido pelo Governo anteriormente.

  “Se for para a Chesf ficar com o controle estatal, estou de acordo. O que não pode é o rio São Francisco ficar nas mãos de grupos privados, de estrangeiros”, disse o prefeito do Recife, Roberto Magalhães (PFL). No ano passado, ele foi um dos primeiros a criticar o modelo de venda da Chesf que vinha sendo estudado em Brasília.

  De acordo com o modelo anterior, o Governo pretendia dividir a companhia em quatro empresas: três de geração de energia e uma de transmissão. Todas seriam privatizadas. Técnicos, sindicalistas, políticos de oposição e até de situação (o próprio PFL) ficaram contra a proposta.

  Apesar de ainda não ter recebido informações oficiais sobre o modelo, o presidente da Chesf, Mozart de Siqueira Campos, adianta que acha o mecanismo interessante. “A proposta de pulverização das ações é muito boa. A sociedade terá a oportunidade de se tornar sócia da empresa”, defende.

  Já o presidente licenciado do Sindicato dos Urbanitários, Edvaldo Gomes, levanta alguns questionamentos. “Esse processo é complicado. O Governo tem que levar em conta que a Chesf é diferente de Furnas. A Chesf depende de um só rio, que por sua vez, tem múltiplos usos”. Apesar do questionamento, Gomes afirma que não é contra a abertura do capital da Chesf. “A gente defende esta abertura, desde que o controle continue com o Estado”.

  A grande preocupação com uma privatização integral da Chesf é que hoje não existe nenhum mecanismo capaz de ordenar a utilização das águas do São Francisco.
TRANSPOSIÇÃO - Embora ainda não tenha definido o modelo de venda, o Governo Federal já anunciou que pretende usar os recursos da privatização da Chesf no projeto de transposição das águas do São Francisco. É outra polêmica. “Se for para reaplicar os recursos no rio, estou de acordo. Mas ainda não está claro se a transposição é a melhor solução”, diz o prefeito Roberto Magalhães. Edvaldo Gomes afirma ser contra a idéia. “Isso só vai enfraquecer a existência do rio. Toda vez que há um calendário eleitoral, volta-se a discutir esta transposição”.

Amanhã, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, recebe os governadores dos quatro Estados da bacia receptora das águas do São Francisco (Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba) para definir uma política compensatória para os quatro Estados doadores (Minas Gerais, Alagoas, Sergipe e Bahia).

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