Terça
13 de Junho de 2000

Os constrangidos

DIÁRIO POLÍTICO
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Laércio Portela

A cassação do ex-deputado Eudo Magalhães evidencia a importância de os Poderes se submeterem a um controle externo. É fato que foram os deputados estaduais que decidiram no voto pela perda do mandato, mas a cena inédita na Assembléia só pôde acontecer devido à intervenção da CPI federal do Narcotráfico. A interferência deu ao corporativismo o ar de constrangimento necessário para que o processo andasse. Esse controle não pode ficar restrito ao Legislativo. Causa indignação, mas não espanto, a notícia de que 15 ministros do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal viajaram com o patrocínio da Ericsson e da Nortel para um seminário em Nova Iorque e que a Associação dos Magistrados Brasileiros firmou acordo com a Varig garantindo aos juízes e seus dependentes descontos especiais em viagens nacionais e internacionais. O conflito de interesses é um problema que não atinge apenas o poder público. Áreas da iniciativa privada que, por sua natureza, têm um caráter social, também saem da linha. É comum que os congressos de medicina e psiquiatria sejam patrocinados pelos laboratórios multinacionais, que aproveitam os eventos para "vender" o seu peixe. Comum também que meios de comunicação que, aparentemente, defendem a isenção e a objetividade aceitem que políticos, governos, empresas e agências de turismo financiem suas viagens e hospedagens na cobertura de reportagens mundo afora. Não basta ser honesto, é preciso parecer honesto.

O TCE não pode mais adiar o parecer sobre a contratação de 343 comissionados extras pela Assembléia. Dá a impressão de que não prioriza o assunto ou que está buscando uma saída política

Independência...

Candidato derrotado na eleição para a presidência da Assembléia em 1999, Geraldo Coelho (PFL) já prepara sua recandidatura para 2001, na expectativa de que sua firmeza na defesa do Legislativo em questões polêmicas como o veto de Jarbas à LDO e o desvio de recursos das subvenções surtam efeito interno.

ou...

Há entre os deputados a tese de que a atual presidência, primeiro com José Marcos (PFL) e depois com Bruno Araújo (PSDB), não soube minimizar as investidas da opinião pública. Acontece que Coelho não tem manha pra isso e costuma trocar palavras por bordoadas nas horas de pressão.

morte

Contrariando o discurso de independência entre os Poderes, a tendência é que a definição de um nome para a presidência da AL saia, mais uma vez, do gabinete de Jarbas. O Executivo não quer ser atropelado por candidatos independentes demais. No estilo de Coelho ou Gilberto Marques Paulo (PFL).

Ineditismo

Aparentemente cansado de pregar no deserto, o vice-presidente Marco Maciel está buscando o apoio dos petistas para a reforma política. Ele já se encontrou com o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, e os deputados Paulo Delgado (MG), José Dirceu (SP) e Aloísio Mercadante (SP) para tratar do assunto. Se conseguir emplacar, será um feito inédito para seu mandato.

Modelo

No evento de lançamento da candidatura de Ulisses Tenório para prefeito de Jaboatão, sexta-feira passada, José Múcio disse que espera ser um vice como são Mendonça Filho, Raul Henry e Marco Maciel e como foram Gustavo Krause e Roberto Magalhães. Pressupõe-se que ele será discreto, explosivo, articulado e desarticulado ao mesmo tempo. E, no final, poderá fazer como Krause e Henry e decidir abandonar tudo.

Afago 1

No fundo, no fundo, o que todo cacique pefelista gosta mesmo é de afago. Joaquim Francisco faltou ao lançamento de Sérgio Guerra na vaga de vice de Magalhães, no Recife, mas compareceu à solenidade de degola de Múcio. Foi convidado por telefone por Jarbas. O ex-governador não gosta de festa, mas de enterro...

Afago 2

Pois não é que aconteceu exatamente o contrário com Roberto Magalhães. Ele não compareceu ao evento pró-Ulisses, que contou com a presença até do governador do Estado. Talvez esteja pensando que o PSDB saiu em vantagem nessa história toda. Mas, há alguns meses, participou de festivo almoço com Fernando Rodovalho (PSC). Na ocasião, era ele (o pefelista) o homenageado.

Disputa judicial

Ela brigou com a Executiva Regional e conseguiu, através de despacho do juiz Flávio Claudevan de Gouveia, de 8 de junho, manter a Comissão Provisória Municipal e sua candidatura a prefeita de Jaboatão pelo PPB. Referendada em convenção realizada no sábado. Ex-amiga de Rodovalho, Malba Lucena acusa agora o prefeito de tentar inviabilizar seu nome, interferindo na política interna do seu partido.