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Cabral abre Congresso Mundial de Jornais
Presidente da ANJ destacou importância do livre fluxo de informações
para a estabilidade da democracia
Arlete Salvador
Enviada especial
RIO - A defesa da liberdade de expressão e de Imprensa, em nome
do que representa para as nações e para a humanidade, marcou
a abertura oficial do 53º Congresso Mundial de Jornais e o 7º
Fórum Mundial de Editores, no Rio de Janeiro. A liberdade
de Imprensa é a luz dos povos, iluminando o caminho das sociedades
rumo à democracia estável, à liberdade plena, à
justiça ampla, à economia social de mercado, afirmou
o presidente da Associação Nacional de Jornais, Paulo Cabral.
Somente o fluxo de informações sem censura e sem
interferência de interesses que não os da sociedade como
um todo, garante a manifestação do pensamento na sua plenitude;
a criatividade; a pluralidade; a igualdade de oportunidades. Enfim, somente
a liberdade de Imprensa é capaz de assegurar a liberdade humana,
sem a qual, talvez, nem valha a pena viver (leia íntegra
do discurso abaixo).
Um jornalista simbolizou, ontem, toda essa defesa pela liberdade
de expressão. A foto do sírio Nizar Nayouf, ex-editor-chefe
do jornal A voz da Democracia, de Damasco, permaneceu projetada no fundo
do Theatro Municipal do Rio, enquanto, no palco a jornalista brasileira
Ruth de Aquino descreveu, em detalhes, as torturas a ele vem sendo submetido
na prisão.
Aos 52 anos, Nizar está preso desde 1992. Foi massacrado
várias vezes, torturado com pontas de cigarro, amarrado pelos pés
e pendurado no teto por horas. Está doente e sem cuidados médicos.
Mal consegue caminhar. Nas poucas cartas que seus algozes permitiram que
escrevesse, comparou a prisão a um cemitério de viventes.
A Nizar, que se tornou símbolo da liberdade de expressão
no mundo, o 53º Congresso Mundial de Jornais e o 7º Fórum
Mundial de Editores dedicou ontem o Prêmio Pena de Ouro da Liberdade
de Imprensa 2000, uma pequena estatueta dourada.
O jornalista sírio seria representado na cerimônia
por seu irmão, Sarah, que também foi preso dois dias antes
de embarcar para o Rio e ficou quatro dias detido. Não pôde
comparecer à cerimônia. Ruth permaneceu com o prêmio
nas mãos por alguns minutos, porque não havia ninguém
lá para recebê-lo. Quem sabe, um dia, disse Ruth
Nazir recusou-se a conquistar sua liberdade, como havia sido oferecido
pelas autoridades sírias, em troca da recusa aos prêmios
internacionais que já lhe foram concedidos.
A Orquestra Sinfônica e Coro do Theatro Municipal do Rio apresentaram
obras de Carlos Gomes e Heitor Vilas-Lobos. De uma forma ou de outra,
todos os convidados - entre eles o governador do estado Anthony Garotinho
e o prefeito Luiz Paulo Conde - ressaltaram a importância da existência
de uma Imprensa livre e responsável para a construção
e fortalecimento da democracia no mundo.
O presidente da Associação Mundial de Jornais, Bengt
Braun, lembrou que hoje existem 124 jornalistas cumprindo longas penas
de prisão em 24 países. Somente na América Latina,
nove jornalistas foram assassinados este ano. Esses assassinatos
selvagens estão, na maioria dos casos, relacionados à investigações
que esses repórteres faziam sobre crime e corrupção,
ressaltou.
Segundo ele, a entidade que dirige tem a responsabilidade de divulgar
e protestar contra a violência e contra o direito básico
humano à liberdade de informação.
O prefeito do Rio Luiz Paulo Conde, por sua vez, defendeu a existência
de uma Imprensa capaz de dar voz às maiorias e próxima da
população. Para ele, também é importante que
a Imprensa seja capaz de se auto-regulamentar, investigar e apurar eventuais
abusos. É preciso dar um não definitivo à arrogância,
afirmou o prefeito, numa crítica à conduta dos jornais e
jornalistas.
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