Segunda
12 de Junho de 2000

Guga, incontestável

DIÁRIO ESPORTIVO
Stênio José
E-mail: esportes@dpnet.com.br

Ao derrotar o sueco Magnus Norman, ontem, em Roland Garros, ao final de uma partida que durou quase quatro horas, o tenista brasileiro Gustavo Kuerten fez mais que conquistar pela segunda vez o título do Aberto da França. Com a vitória, Guga também inscreveu definitivamente o seu nome na história do esporte, fazendo parte, de agora em diante, de um seletíssima legião de ídolos mundiais. E isso não é pouco.

A vitória em Roland Garros é para Guga como um divisor de águas. Como atleta profissional e como personagem capaz de provocar, com o seu sucesso nas quadras, um crescimento do tênis no Brasil.

Tecnicamente, Gustavo Kuerten já mostrou que está mais amadurecido e que este seu aprimoramento como atleta ainda está longe de chegar ao limite. Quem acompanha a sua carreira sabe. A cada torneio, o brasileiro vem se firmando - mesmo que com altos e baixos - como um dos melhores do mundo. E não só no saibro.

Quanto ao crescimento do tênis no Brasil, Guga já é figura determinante. Desde que venceu o seu primeirotorneio de Grand Slam, em 97, lá mesmo em Roland Garros, o catarinense surgiu como exemplo a ser seguido por um exército de pequenos tenistas, todos sonhando com o sucesso e a fama do ídolo das quadras. Agora, então, que existe um planejamento de mídia mais forte sobre ele, esta tendência só tende a se confirmar.

Um indicador importante do interesse crescente do público brasileiro pelo tênis pôde ser medido pelos índices de audiência alcançados ontem pela TV Record, a única aberta a transmitir ao vivo a final de Roland Garros. A emissora atingiu a marca de 13 pontos, em média, e um pico de 24 pontos às 13h16. A audiência foi aumentando à medida em que o jogo se aproximava do final, principalmente após a transmissão da Maratona de São Paulo, pela TV Globo. Agora é preciso ter claro: para o surgimento de novos Gugas, não basta apenas um ídolo. É preciso apoio, patrocinadores e vontade política de quem dirige o esporte no País.

Mala-preta

A notícia de que o Sport iria pagar a mala-preta que deve ao Central, momentos antes de enfrentar a Patativa do Agreste, ontem, na Ilha colocou em xeque a lisura do Estadual. E, pelo que se ouviu nas rádios, a história só não se confirmou porque a chiadeira foi geral. O Sport ofereceu a mala-preta como incentivo para que o Central vencesse o Santa, há uma semana.

Patinou

Mesmo sem mala-preta, o Sport não encontrou dificuldades para vencer o time de Caruaru. Mas, segundo o técnico Levi Gomes, o Central, mesmo sem querer, acabou facilitando o resultado de 5x0. Sem chuteiras apropriadas para o campo pesado - aquelas, com travas de metal - a equipe literalmente patinou em campo. Um absurdo.

Igualou

Antes de Gustavo Kuerten, bicampeão de Roland Garros, apenas um outro sul-americano havia ganho dois torneios de Grand Slam: o argentino Guillermo Vilas. Guga também passou a ser o 2º do continente a ocupar o posto de nº 1 do mundo. O primeiro foi o chileno Marcelo Ríos. Guga lidera a corrida dos campeões, que contabiliza os resultados da temporada.

Fora do ar

Quem costuma freqüentar o estádio do Arruda está cansado de saber: em vez de passar informações ao torcedor, o placar eletrônico do Mundão fica a maioria do tempo veiculando mensagens do patrocinador. Mas, ontem, nem isso aconteceu. Uma pane no equipamento tirou o placar do ar.

Novo vice?

O Vasco está próximo de ver a sua sina de ser vice confirmada. Precisando vencer o segundo jogo com Fla por três gols de diferença, o Bacalhau só escapa de mais um 2º lugar por milagre. Ou se a estrela de Romário voltar a brilhar.

Mais um

Caso o alemão Ralf Schumacher não se recupere do corte na perna, sofrido em um acidente em Mônaco, há uma semana, o mineiro Bruno Junqueira poderá ter, pela primeira vez, a oportunidade de mostrar o seu talento numa corrida de Fórmula 1. Líder do Campeonato da Fórmula 3000, Junqueira é o mais cotado para substituir o caçula da família Schumacher ao volante da Williams, domingo, no GP do Canadá.

Perdeu

A exemplo do que já aconteceu com o Santa Cruz, em 97, depois de dois anos de contrato, a Parmalat resolveu retirar o seu patrocínio ao Juventude. Com o fim da parceria, o time gaúcho irá perder cerca de R$ 120 mil por mês que recebia para ter a marca da multinacional estampada em seu uniforme.

Dica

Além de perder o apoio financeiro, o rebaixado Juventude não mais contará com Maurílio, Cris, Mabília e Wallace, jogadores cujos passes pertencem à multinacional. Como o Santa Cruz precisa se reforçar para o Brasileiro, está aí uma boa dica. O meia Maurílio e o atacante Cris são velhos conhecidos do público pernambucano.

LÍNGUA SOLTA

"Confesso que fiquei decepcionado com o pequeno apoio que recebi do público durante a partida".

De Magnus Norman, sobre a torcida, claramente favorável a Guga, em Roland Garros