Domingo
23 de Janeiro de 2000

Mercantil

BC analisa venda

A família Monteiro pode em breve se livrar das dívidas do Banco Mercantil sem nenhum desembolso e continuar tocando as empresas não financeiras como fazem hoje. Se o Banco Central aprovar a proposta de venda da parte chamada "podre" que não foi adquirida pelo Banco Rural, em 1996, os bens da família e de ex-administradores, hoje indisponíveis, estarão livres das mãos da Justiça.

A matemática que vai permitir essa equação, já está em análise no BC. Em dezembro do ano passado, o ex-presidente do Mercantil, Armando Monteiro Filho, confirmou a negociação da massa falida do Mercantil, em liquidação desde 1996, com um grande banco brasileiro, por R$ 1,00 o total das ações. O mercado aponta mais fortemente para o Itaú. Há também boatos de que o Banco Rural, que comprou a parte boa do Mercantil teria interesse. A vantagem para um possível comprador da massa falida são os títulos - papéis negociáveis - que se encontram na carteira do banco são atrelados ao dólar e valorizaram com desvalorização do real.

Apesarde continuar tocando outros negócios, que não tinham relação financeira com o banco, os Monteiro e ex-administradores do Mercantil esperam ver seus bens livres da indisponibilidade. O ex-presidente do banco, Armando Monteiro Filho, disse que a liquidação do Mercantil foi "uma coisa violenta" para suas empresas. O empresário afirmou que perdeu patrimônio, suas empresas entraram e concordata e sofreraam abalo no crédito. Mas disse estar com a consciência tranqüila de que está conseguindo reerguer suas empresas e sobreviver, mesmo com dificuldade, no setor sucroalcooleiro, seu principal negócio.

Mesmo recebendo valor simbólico, a venda da parte em liquidação livraria, além dos bens, o grupo de quaisquer dívidas junto ao Banco Central, que emprestou R$ 530 milhões pelo Proer. Até agora, o interventor conseguiu recuperar 30% dos créditos, mas ainda não fez desembolso para os credores. Se não houver acordo para venda da massa falida, a liquidação do Banco Mercantil deve durar pelo menos dois anos.