Recife, Domingo, 6 de Setembro de 1998

Acaba euforia da Amway no estado

Reuniões que antes lotavam o Centro de Convenções são hoje prestigiadas por apenas cinqüenta pessoas

Saulo Moreira
Da equipe do DIÁRIO

"Ei, tenho uma proposta boa para você que é empreendedor. É trabalho sério com produtos de primeira. Vamos ganhar um dinheirão. Só não posso falar o que é agora. Aparece numa reunião de amigos lá em casa que você fica sabendo do que se trata". É possível que você já tenha sido convidado a participar de uma encontro para conhecer marketing de rede, se tornar um vendedor de sucesso e ficar rico. O desfecho era sempre o mesmo: a proposta da multinacional norte-americana Amway. Passados sete anos da entrada da empresa no Brasil, terminou a euforia e o sonho do dinheiro fácil. Em maio deste ano a loja que distribuía os produtos da Amway no Recife fechou as portas. As antigas reuniões, que lotavam o Centro de Convenções e o Museu do Homem do Nordeste se esvaziaram. Hoje, o grupo de participantes do projeto Amway se encontra todas as terças-feiras num auditório de cinqüenta lugares no Hotel do Sol, em Boa Viagem.

A redução no número de pessoas, o fechamento da loja e o fim da ilusão são os reflexos da principal distorção na proposta da empresa. Não havia, nem há, nenhum tipo de critério para entrada de pessoas no marketing de rede. Para participar das reuniões da empresa e se tornar parte da rede de vendedores, basta apresentar CPF, carteira de identidade e ter um endereço para correspondência. Em 1994, com a estabilização da moeda, começou a euforia de ganhar dinheiro vendendo os produtos da Amway. Outro fator contribuiu para a febre: a novidade. Até então, ninguém tinha ouvido falar nesse negócio de marketing de rede, um sistema de vendas que começou a ser conhecido no Brasil em 1991, ano da chegada da Amway no país.

Segundo o presidente da Amway do Brasil, Michael Norris, um ano depois de começar a operar no país, a empresa contava com aproximadamente 200 mil vendedores, dos quais, apenas 30% trabalhavam efetivamente. Hoje, a rede conta com cerca de 120 mil pessoas. Norris afirma que, atualmente, 70% estão dispostos a cumprir a proposta da multinacional na íntegra. A falta de critérios na hora da seleção somadaao sonho de ganhar um dinheiro extra numa economia estável terminou servindo como contrapropaganda para a Amway. A parcela de vendedores que, segundo Norris, não trabalhava efetivamente na época da euforia, naturalmente, deixou o projeto de lado. O resultado: críticas, críticas e mais críticas. "A explosão de crescimento não estava prevista. Nos outros países o desenvolvimento foi mais lento", conta Norris.

Fundada em 1959 no estado de Michigan, a Amway Corporation, uma das maiores empresas de venda direta do mundo, possui representação em 42 países e opera diretamente em setenta. Os revendedores da empresa não gostam da comparação, mas a metodologia do marketing de rede é semelhante a da conhecida pirâmide. Cada revendedor do produtos Amway pode ganhar dinheiro de duas formas: vendendo os produtos diretamente ou através de pessoas que ele contrata para efetuar a comercialização.

Cada pessoa contratada, chamada de perna, se compromete a vender parte das mercadorias. Para tal, se utiliza do mesmo mecanismos e contrata novas pernas. Quem está no topo da pirâmide ganha comissões pré-estabelecidas sobre as vendas de todas as suas pernas. Assim formam-se os grupos de revenda. De acordo com a quantidade de pernas, o dono do grupo ganha um rótulo com nome de pedras preciosas, como rubi, esmeralda ou diamante.


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