(Atualizado no dia 29/4/1998)

Exército de pequenas empresas

Companhias surgidas em Washington, Boston, Los Angeles, estão mudando o panorama da tecnologia

Jay Dougherty,
Da Agênvia DPA

A revolução tecnológica mudou o mapa dos negócios nos Estados Unidos. O Vale do Silício da Califórnia já foi sinônimo de histórias de êxito na fabricação de computadores e software, mas agora também o são Boston, Washington, Seattle, Austin e Los Angeles.

Essas cidades sempre dependeram das grandes empresas para sua sobrevivência econômica. Mas o panorama mudou. As grandes empresas tecnológicas estão cedendo lugar às menores, que pouco a pouco se transformam no verdadeiro motor de crescimento da economia de muitos estados.

Tomemos como exemplo Boston, em Massachusetts. Dotada de universidades de primeira classe, como Harvard e o Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), a capital da Nova Inglaterra sempre foi um pólo de atração para os melhores e mais brilhantes. Há mais de uma década, as grandes empresas transformaram a rota 128 de Massachusetts na autopista tecnológica dos Estados Unidos.

A maioria dessas companhias, entretanto, já foi vendida, reduziu-se ou simplesmente desapareceu na obscuridade. A Lotus Development Corporation foi absorvida pela IBM. A Digital Equipment Corporation foi vendida em janeiro passado após anos de relativa estagnação. Wang Laboratories e Data General sobrevivem apenas como uma sombra daquilo que foram no passado.

Apesar disso, Massachusetts tem ainda trezentos mil especialistas altamente qualificados, número comparável ao dos anos dourados da década de 80. A grande Boston absorveu no ano passado 830 milhões de dólares em capital de investimento, o segundo lugar depois do Vale do Silício, segundo estimativas recentes.

Outras regiões dos Estados Unidos estão seguindo o exemplo de Boston. A capital federal, Washington, com sua proximidade do poder e da política, até agora sempre entregou às grandes companhias a tarefa de execução de sistemas de computação para o governo federal. Só muito lentamente vêm surgindo outras empresas nessa zona - como a Vienna, a America Online de Virginia - que não têm seu destino ligado a contratos com o governo.

NO NAMES

Hoje em dia, em Boston, pequenas empresas surgem por todos os lados. São um verdadeiro exército de empresas sem nome (em inglês no names), como definiu um analista da indústria. Existem cerca de 2.500 companhias de software, Internet e tecnologia interativa no estado de Massachusetts que empregam aproximadamente 120 mil pessoas.

Devido ao boom tecnológico dos últimos anos, não surpreende que a direção das empresas lamentem a falta de mão de obra qualificada na área da computação. De 1994 a 2005, os Estados Unidos precisam de mais de um milhão de programadores de computação, analistas de sistemas e engenheiros de software para alcançar a média de 95 mil novos postos de trabalho por ano, segundo estudo do Departamento de Comércio.

Parte dessa demanda terá que ser atendida pelo exterior já que menos de 25 mil estudantes se formaram em informática em 1994, 40 por cento menos que em 1986. Ante essa escassez de mão de obra, a indústria tecnológica está tentando levantar as restrições a um controvertido programa de concessão de vistos que permitiria a cerca de 65 mil especialistas estrangeiros entrar nos Estados Unidos a cada ano para um período de trabalho de seis anos.


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