Recife, Domingo, 3 de Maio de 1998

Polêmica no MAMAM

Fernanda d'Oliveira
Da equipe do DIÁRIO

É inconteste que o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM) vem preenchendo uma lacuna, no Recife, aberta pela ausência de exposições dos grandes circuitos nacionais e internacionais. Até dezembro do ano passado, a Veneza brasileira ficava privada das grandes exposições porque não tinha local nem estrutura poara trazê-las. A chegada do MAMAM prometia virar o jogo: logo foram anunciadas grandes mostrar artísticas, como a do espanhol Francisco di Goya e a do norte-americano Jean-Michel Basquiat. No entanto, como qualquer atividade que se expõe à opinião pública, não demoraram a surgir as primeiras críticas. Baseada nessas duas exposições, boa parte do público reclama pela ausência das telas mais significativas dos pintores. E para que os decepcionados não se entristeçam ainda mais, é bom saber que também será assim com na mostra do espanhol Pablo Picasso, que tem exposição marcada para agosto e setembro.

O diretor do Mamam, Marcos Lontra, afirma que compreende a decepção do público, mas discorda que asexposições, por terem mostrado apenas gravuras e desenhos - e não telas conhecidas - sejam menores. "Discordo inteiramente. Quando inauguramos o Mamam, abrimos com a exposição de Goya, trazendo as quatro séries mais importantes da obra gráfica do artista. E com Basquiat, mostramos um trabalho que sintetiza toda a sua criação. Goya foi uma exposição extraordinária. Sua obra gráfica é da maior importância. E a mostra foi destaque inclusive da Bienal da Artes PLásticas de São Paulo. Trouxemos a mesma exposição que veio de lá e passou pelos museus de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Salvador e Brasília", defende.

Segundo ele, a mostra de Basquiat, que reúne trabalhos em papel, será maior em São Paulo por conta do espaço para a exposição. "Realmente, não pudemos trazer as telas do artista, porque elas são enormes e não há espaço físico no Mamam. E mesmo assim, conforme a opinião de vários críticos de arte, o trabalho gráfico de Basquiat explica muito do trabalho dele. Não vejo a mostra como uma exposição incompleta", acrescenta. Lontra chama a atenção do público para as gravuras, que não são réplicas. "Gravura é tão importante quanto pintura. Ultimamente, exposições de réplicas são coqueluche no mundo inteiro - e são exposições importantes. Mas não é isto que fazemos no Mamam. São trabalhos originais", explica.

CUSTOS

Sobre a exposição de Goya, ele lembra que as telas do artista não viajam para o Recife e nem para nenhum lugar do mundo. Para ele, nem São Paulo conseguiria, em tese, fazer uma exposição de pinturas de Goya. "Não é apenas uma questão de custo, embora isso seja um fator decisivo. Por exemplo, a mostra de Picasso chega ao Recife, entre agosto e setembro, por R$ 60 mil. Se viessem telas, e não gravuras, a mostra não sairia por menos de R$ 1 milhão. Ninguém em Pernambuco - nem a Prefeitura nem o governo do estado - pode financiar isto", garante.

Para Lontra, outro fator que conta muito é o espaço físico limitado. "E olha que o Mamam é o maior espaço dedicado às artes plásticas que temos aqui. A ampliação do Mamam é projeto nosso para 1999, mas para isso precisamos contar não só com o governo municipal. O governo do estado teria que colaborar também", avisa.

Espaço e verba. Com esses entraves, Marcos Lontra já avisa que ninguém deve esperar qualquer tela de Picasso. "Não justifica trazer um artista por conta das telas valiosas. Estamos trazendo as obras de Picasso em convênio com o Museu de Valência, na Espanha. Serão gravuras em metal, da série Suite Vollard, do final da vida dele, por volta dos seus 90 anos. É uma explosão de sexualidade. Para os críticos, Picasso é um artista muito mais do traço que da cor. Muito mais um desenhista que um pintor. Para mim, o conceito de representação artística foi suplantado por Picasso", justifica. 


As próximas exposições 
Goya
Basquiat

Fale conosco diario@dpnet.com.br

MAPA BRASIL ECONOMIA ESPORTES HISTÓRIA HUMOR
INFORMÁTICA INTERIOR MUNDO VEÍCULOS VIAGEM VIDA URBANA VIVER