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| Recife, Domingo, 3 de Maio de 1998 |
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A ética da fome A discussão sobre os saques não passa mais pela legitimidade ou legalidade, quando é a vida que está em jogo. Que atire a primeira pedra aquele que não roubaria um vizinho, saquearia uma feira livre, um supermercado ou um depósito público de alimentos para saciar a própria fome e a dos filhos. É óbvio que ninguém se sente bem agindo desta forma. A pesquisa de Ângelo Zanré comprova isso. É desumano e constrangedor. Mas, como disse o bispo de Afogados da Ingazeira, dom Francisco Austregésilo, a fome é uma péssima companheira. Não se combate com promessas, mas com comida. Não são os dez quilos de alimentos que estão na cesta básica que o governo federal pretende distribuir que vai minimizar o problema. Não são as frentes de trabalho - que criam as famosos obras de efeito sonrisal, pois desaparecem na primeira chuva - que irão solucionar a questão. É redundante afirmar que são ações de caráter permanente que o povo quer. Ninguém está atrás de doações, favores, mas dignidade. Quer trabalhar para poder ter dinheiro para comprar comida, roupa e calçado. O governo federal precisa socorrer as pessoas que estão morrendo de fome. Que ampliam pioram ainda mais os nossos indicadores sociais. Ele não pode esquecer de dar início às ações concretas para combater os efeitos da estiagem. É preciso elaborar e implantar um programa para que os nordestinos consigam conviver com o semi-árido. Do contrário, os pernambucanos, assim como uma legião de baianos, cearenses e paraibanos, correm o risco de assistir, por um longo tempo, um filme reprisado: pessoas comendo palma como se fosse filé e pega-pinto, o feijão. (E. A) |
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