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| Recife, Domingo, 3 de Maio de 1998 |
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Quando o erro é da Imprensa A entrevista era fruto da imaginação. As ofensas ao Recife do vocalista do grupo de pagode Só Pra Contrariar durante o programa de Jô Soares foram pura ficção. E a presença da mulher de Pelé, a recifense Assíria Lemos, no auditório não passava de lenda. Mesmo assim, a imprensa pernambucana não perdoou os pagodeiros, acusados de xingar os pernambucanos de feios e burros durante o Jô Onze e Meia: as músicas do grupo foram suspensas nas emissoras de rádio e surgiram testemunhas do fato dando entrevistas em jornais ou no noticiário da TV. Inventaram inclusive que Assíria quebrou o CD do grupo em público. Até que o DIÁRIO checou a história e descobriu que era tudo boato. O episódio envolvendo o conjunto de pagode, em janeiro deste ano, acabou sem maiores consequências. Tudo foi esclarecido e o SPC continuou a vender seus CDs normalmente. Mas nem sempre os erros e informações falsas publicadas na Imprensa terminam em final feliz. Na maioria das vezes, boatos que viram notícia, comentários distorcidos e entrevistas que nunca aconteceram prejudicam a vida de muita gente. O difícil é consertar depois. Um dos melhores (ou piores) exemplos foi o escândalo da Escola Base, em São Paulo, quando os donos de um jardim da infância foram acusados injustamente de abuso sexual dos alunos matriculados. Apesar da lista de erros ser enorme, quem acompanha o trabalho dos jornalistas com olhar crítico, como o jornalista Mauro Malin, 50 anos, chefe de redação do Observatório da Imprensa, afirma que, diariamente, inúmeros "casos como o da Escola Base se repetem sem nunca chegar ao conhecimento do público ou da polícia". Malin, que começou a trabalhar na Tribuna de Imprensa e ocupou cargos de chefia no Globo e Jornal do Brasil, é severo com os colegas: "Para se conseguir uma notícia vale qualquer coisa? O problema começa quando se perde a noção do que se pode e não se pode fazer para conseguir uma informação. O jornalista precisa compreender que entrar num jornal não é entrar numa guerra. Não é um vale-tudo. Há limites que precisam serrespeitados como em qualquer outra atividade". O pernambucano Geraldo Sobreira, 47 anos, autor do livro Manual da Fonte e com passagens pela Folha de S. Paulo, Jornal do Brasil e Veja, defende uma legislação rígida para punir os veículos que publicam mentiras. "A Imprensa vive no reino da barbárie. Vale o poder de quem pode publicar e o poder de quem não gosta das reportagens e manda matar jornalistas", denuncia. Sobreira acredita que a multiplicação dos jornais on-line na Internet vai complicar ainda mais este quadro. "Com a Internet, a pressa para publicar informações vai ser ainda maior. Além disso, o freio dos jornais em geral é a preocupação com a credibilidade. Muitos veículos on-line não estão preocupados com isso". |
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