Recife, Domingo, 3 de Maio de 1998

Educação reprovada em exame nacional

Alunos acertaram menos da metade das questões

Pernambuco não tem o que comemorar com as notas obtidas pelos alunos no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). Em nenhuma das sete provas a que os 28 mil se submeteram a média atingiu 50% de acerto. Os testes do Enem aconteceram em novembro do ano passado e reuniram 429.755 concluintes do 2º Grau de nove estados brasileiros, tendo participado 28.451 estudantes pernambucanos. O Enem funcionará como padrão para se avaliar o ensino médio e servirá como exame de ingresso para algumas universidades.

A análise preliminar dos resultados do exame, enviada pelo do Ministério da Educação à Secretaria Estadual (SEE), mostra que os alunos dos cursos noturnos de Educação Geral tiveram médias acima do país. "Apesar disso, não há motivos para ficarmos felizes. A quantidade de acertos é muita baixa", afirmou a diretora de Ensino da SEE, Zélia Porto.

Na prova de matemática, por exemplo, a média dos pernambucanos foi 8,17 contra 7,95 da nacional. O percentual de acertos dos alunos, entretanto, alcançou apenas 27,23%. Performance semelhante tiveram nas disciplinas de Biologia, Química e Física. A única média abaixo da brasileira foi a de Língua Portuguesa, tendo os concluintes do estado ficado com 9,77 enquanto a geral chegou a 10,19. Isso significa que das trinta questões de Português, a maior nota média não chegou a 34%.

Cerca de 60% dos alunos que participaram do Enem participavam de cursos profissionalizantes. Ao contrário da Educação Geral, eles obtiveram médias mais altas em quase todos os testes, embora abaixo das brasileiras. Os que estudavam à tarde, em Pernambuco, tiveram a média 10,49 contra a 10,98 da nacional. Notou-se um aumento entre os estudantes da manhã, que ficaram com 12,32 (41% de acerto), enquanto os do estado atingiram 34%. As avaliações nessa área também englobou Matemática.

Os dados fornecidos pelo ministério, segundo Zélia Porto, são insuficientes para apontar onde estão as deficiências do ensino. "Sabemos que não estamos bem, mas ainda não é possível identificar em que os alunos se saíram mal", explicou. Para chegar a essas conclusões, a SEE está cruzando as informações dos alunos das 356 escolas da rede estadual, de 40 da rede particular e dos estabelecimentos de ensino de 59 secretarias municipais. Os dados devem ser concluídos na próxima semana.

Além de verificar o conhecimento, o Enem traçou um perfil sócio-cultural dos alunos, ratificando que à noite estudam os mais pobres. Comprovou-se que nos estabelecimentos do estado a renda familiar de 51,30% das pessoas não superava R$ 360,00 e apenas 8,98% das famílias ganhavam acima de R$ 1.201,00. No Brasil, a média de quem percebia menos de três salários mínimos foi de 27,72%, enquanto os mais abastados (acima de dez salários) representaram 13,11%.


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