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| Recife, Domingo, 3 de Maio de 1998 |
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Jorrando vigor Lucas Mendes Nas mesas americanas, o prato forte é Viagra, a pílula que sobe a bolsa, sobe o pênis e tem a bênção do Papa. Entre os cenários mais otimistas sobre Viagra, há o de uma grande redução no número de divórcios e separações. Onde há sexo pode haver afeto e com duas pílulas por semana você não precisa mais entregar metade do que você tem para a mulher e o advogado. Ou será que vai acontecer o contrário? Se aos 60 anos você pode ter potência de 30 anos, para que gastá-la na mulher de 50? Qual será a tendência? O livro do médico Steve Lamb sobre Viagra sai esta semana explicando os testes e os detalhes do nascimento acidental da pílula milagrosa, mas já temos capas, páginas e mais páginas de experiências bem-sucedidas, de 20% a 30% de fracasso e poucos casos de efeitos colaterais, nenhum grave. Um gay conta a experiência numa página inteira do jornal New York Observer. Ele não era impotente mas queria fazer e escrever sobre a experiência. Ele e o companheiro não se lembram de um namoro com tanta rigidez. Um enfermeira em Seattle tomou a pílula sem contar para o marido e teve uma noite inesquecível. Viagra lubrifica. Um bombeiro de 70 anos na Filadélfia tomou a dose de 50mg e virou "um monstro". Ele e um amigo, de 73, estão planejando a Noite do Viagra para este fim de semana com amigas na faixa de 20 anos dispostas a testar a dupla. Isto, com certeza, o Papa não abençoou. Antes do Viagra, 2 milhões de americanos estavam em tratamentos para impotência e normalmente os impotentes se submetem a testes físicos e exames de sangue, mas no caso de Viagra alguns médicos estão assinando de 600 a 700 receitas por dia. Para não perder tempo e evitar a câimbra, um urologista de Atlanta fez um carimbo com a receita e a assinatura. Viagra revelou mais 28 milhões de impotentes e a maioria quer que o seguro pague pela consulta e pelo remédio. Por enquanto, só uma seguradora - a Oxford, por acaso a minha - paga a consulta e o remédio. A maioria paga inexplicavelmente por um número limitado de pílulas - de seis a oito - por mês. Na Concord, a farmácia favorita de muitos brasileiros em Nova Iorque, Viagra disparou nas vendas e deixou para trás remédios contra depressões, calvície, colesterol e rugas. Há remédios contra impotência mais baratos que funcionam com mais eficiência do que Viagra, entre eles a injeção aplicada na cabeça do desfalecido. Para mostrar que o remédio dele funcionava, o médico Giles Brindley, o maior pesquisador inglês sobre impotência, baixou as calças durante uma convenção e, pá, se aplicou diante da platéia perplexa. Continua sem vender. Dizem que é uma picadinha sem dor mas os americanos acreditam em pílulas. |
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