(Atualizado no dia 1/5/1998)

Dia das Mães, festa do comércio

Todos os anos este fato se repete: enquanto inúmeros consumidores saem em busca de um produto ou serviço para marcar o Dia das Mães, o comércio procura conquistar clientes para garantir o maior número de vendas. Neste corre-corre, ganha quem oferece os melhores preços e, principalmente, prazo para pagamento. Apesar do trabalhador brasileiro receber, a partir de hoje, R$ 10,00 a mais no seu salário mínimo, o bolso continua apertado. No Interior, a previsão de vendas para esta data não é nada otimista.

Em Gravatá, por exemplo, segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do município, Marcelo Cordeiro, o comércio sofre uma retração e não há expectativa de melhora imediata. Ele atribui à inadimplência a responsabilidade pelo desaquecimento nas vendas. O lojista diz que, apesar de não existirem estatísticas oficiais, o índice de inadimplência registrada na cidade já chega a 20%.

Em Salgueiro, no Sertão Central, a 518 quilômetros do Recife, onde existe uma média de 150 lojas no total, a previsão também não é das melhores. A presidente da CDL do município, Leda Vera de Queiroz, reclama que as vendas também estão fracas. "O comércio está igual a qualquer lugar do Brasil. Aqui, cada comerciante faz sua propaganda isolada, porque a CDL não tem condições de pagar uma campanha ou dar um apoio maior". Ela diz, ainda, que o desemprego é o problema maior no município.

"Sem salário, o consumidor vê o produto na loja e não pode comprar", desabafa, informando que a cada dia fecham centrais de compensação de bancos e que o comerciante do município está vendendo os produtos quase saindo pelo custo. A presidente do CDL informa ainda que falta capital de giro e critica os bancos por não oferecerem incentivos ou linhas de créditos para os lojistas. "O comércio está desassistido apesar de ser o setor que mais emprega", reclama.

A expectativa para as vendas pode não estar boa, mas a presidente de CDL de Petrolina, Nelma Montenegro, acredita que as vendas melhorem daqui para frente. Ela informa que a inadimplência tem caído no município e que o comércio local tem oferecido um parcelamento para que os cliente possam quitar suas dívidas. " O que o comércio fará é distribuir cartazes, como nos outros anos, para atrair a atenção dos consumidores e uma campanha na mídia, uma semana antes do Dia das Mães".

O volume de vendas de abril deste ano em Petrolina está mais fraco que o mesmo mês em 97, tomando-se como parâmetro consultas a cheques feitas à instituição. Em Timbaúba, a situação não é diferente. As lojas não têm condições de oferecer uma promoção ou uma campanha por falta de dinheiro.

Os comerciantes de Flores esperam faturar alto no Dia das Mães. Os restaurantes também prometem um cardápio variado neste dia. Os shopings de Caruaru e Petrolina preparam grandes atrações para brindar as mamães com distribuição de flores, brindes e descontos especiais. Apesar da crise, muita gente vai lucrar.


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