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| (Atualizado no dia 1/5/1998) |
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Uma espera sem fim A comunidade de Bengalas, em passira, reverencia os 100 anos de João Grilo Cláudio Castanha Com 93 anos de idade (apesar de na sua região todos dizerem que ele tem mais de 110 anos), João Grilo está ansioso para que uma chuvinha caia num pedaço de terra que possui atrás de casa, em um terreno próximo à Serra da Passira, no Distrito de Bengalas. No Dia do Trabalho, ele só deseja uma terra molhada para plantar o milho e o feijão que precisa para colher, armazenar e comer, dividindo - em forma de xerém - o ano inteiro com suas poucas galinhas poedeiras, sem que seja preciso pedir favor a ninguém. Apesar da pequena aposentadoria que recebe do Funrural, ele precisa suar muito trabalhar para sobreviver. "O trabalho me fez viver estes anos todos com saúde e disposição", diz. Depois de amolar a enxada e separar a semente para o cultivo, o agricultor está indócil com a seca que assola a região em que mora e acha que deve alguma coisa a São José por não ter conseguido plantar o milho no seu dia. Ocioso, disposto para o trabalho mas sem ter o que fazer, João Grilo passa o dia em frente da mercearia do comerciante Ivo Barros, tomando umas "bicadas" de aguardente e contando histórias. "Até que nos últimos dias parei um pouco porque estou tomando uns comprimidos que o doutor passou para umas dores que sinto nas pernas", afirma. A história de João Firmino de Lima, seu nome de batismo, poderia ser igual a tantas outras de pessoas que vivem no Interior e dependem do clima para conseguir sobreviver se o mesmo não tivesse beirando os 100 anos de vida e a lucidez de uma pessoa dezenas de anos mais jovem. O documento de identidade foi presente do Coronel Chico Heráclito, dado em 1945, porque precisava de seu voto para ganhar mais uma eleição em Limoeiro. Segundo explicou, a data do nascimento posta no documento foi por vontade do funcionário que coordenava o alistamento de eleitores naquele município. PATACA João Grilo disse que nasceu em Vitória de Santo Antão e que seus pais, Lucinda e Firmino, eram descendentes de escravos. Ele garante que saiu de casa com dez anos de idade e que passou a "virada do século" longe desua família, uma vez que "já estava no mundo, morando pelas bandas de Limoeiro e Passira". Ganhou o apelido de Grilo por que gostava de praticar salto em altura sobre uma corda esticada. Disse que recebeu muita "pataca" e depois "mil réis" trabalhando na enxada e pastorando gado para os fazendeiros da região. Uma das lembranças mais lúcidas de sua vida foi a grande festa de noivado de Octaviano Heráclio Duarte com dona Inacinha ocorrido no início da década de 20. Ele participou da festa como serviçal da Família Heráclio. "Naquela época eu já era homem feito e Octaviano um rapaz que começava a vida", lembra. Se Octaviano Heráclio Duarte estivesse vivo teria 84 anos, segundo informam seus familiares. Na vila de Bengalas, onde João Grilo é a maior atração, ninguém tem dúvidas de que ele tem mais de 110 anos de idade. Diante da incerteza de uma data fixa para o seu nascimento e da dúvida quanto a legitimidade de sua carteira de identidade, a reportagem DP o acompanhou numa visita aos túmulos do cemitério local eele identificou uma série de jazigos de pessoas falecidas - muitas de idade avançada pelas datas afixadas nas catacumbas - na primeira metade deste século. Demonstrando conhecer a história das pessoas que viveram em Bengalas e regiões vizinhas no começo deste século, João Grilo parece realmente ter vivido mais de cem anos como afirma. |
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