Recife, Domingo, 3 de Maio de 1998

Torcedores apaixonados

Apreensão, gritos de motivação, comentários, decepção. Como todo torcedor que assistiu à derrota brasileira para a Argentina, na quarta-feira passada, os técnicos Hugo Benjamin, do Náutico, Mauro Fernandes, do Sport, e Ivan Gradim, do Santa Cruz, também sofreram com a atuação do Brasil.

Reunidos na Picanha do Tio Dadá, em Boa Viagem, os treinadores mostraram que, na hora em que a seleção está em campo, não existe brasileiro que não consiga vestir a fantasia de torcedor fanático.  

O jogo começou e os dois treinadores incorporaram o papel de comentaristas. "Os 15 primeiros minutos vai ser assim mesmo, marcado pelo nervosísmo", comentou o confiante Mauro, após mais um passe errado de Zé Elias. "Eles (os argentinos) estão marcando muito duro", afirmou Hugo.

Veio um ataque do Brasil e Romário erra o chute feio. "Se fosse Chapecó ou Maurício, a torcida já ia cair matando em cima da gente, chamando o técnico de burro", comentou Hugo. Em um lance de Batistuta, o treinador do Sport foi indagado se o argentino seria o matador que ele vem tentando contratar. "Meu amigo, meu ataque marcou mais de 70 gols na temporada", ironizou.

SEGUNDO TEMPO

No início da etapa final, chega Ivan Gradim. Tratado como mestre por Hugo e Mauro, o treinador do Santa Cruz vai logo apontando os erros do Brasil. "A bola não está chegando em Ronaldinho e Romário, que estão muito isolados". O tempo vai passando - sobram, inclusive, algumas reclamações sobre o locutor Galvão Bueno - e a impaciência toma conta de todos. "Tem que ter mais raça! Vestir a camisa da seleção não é a mesma coisa que jogar pelo clube", esbraveja o treinador rubro-negro.

No final da partida, vem o gol de Cláudio Lopes. Ninguém parece acreditar. O otimista Mauro ainda grita: "O Brasil vai empatar". Não deu. O jogo acaba mesmo no 1 x 0 para os eternos rivais. Entre uma picanha e outra, uma cervejinha para lá de moderada - só Gradim preferiu ficar na coca-cola - a hora de ir embora chega para os treinadores. A manhã seguinte é hora de treinamentos.


Faltou empenho

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