Recife, Domingo, 3 de Maio de 1998

Dados econômicos ruins afetam rumos do Japão

TÓQUIO - Dias depois de ter anunciado seu maior pacote fiscal de todos os tempos, o governo japonês ainda não pode ficar tranqüilo com os rumos de sua economia. Uma série de dados econômicos divulgados na semana passada revelam que o país ainda tem, pelo menos, vários meses de dificuldades pela frente. A taxa de desemprego japonês chegou a 3,9% em março de 3,6% em fevereiro, sendo o maior aumento registrado desde março de 1968.

Enquanto isto, as vendas de março das lojas de departamento e supermercados caíram 14,9% em relação ao ano anterior. A produção industrial de março caiu 1,9% sazonalmente ajustado em relação a fevereiro. E o índice de preço por atacado ao consumidor doméstico caiu 2,1% do ano anterior entre 10 e 20 de abril, sugerindo um panorama de pressão deflacionária na economia.

Analisados todos juntos, os números refletem uma tendência de depressão na qual as companhias continuam a cortar empregos diante da queda de produção e os consumidores diminuem seus gastos com medo de perder seus empregos, o que leva a mais cortes na produção.

"As notícias não são boas", disse Akio Yoshino, um economista de gerenciamento de ativos do Credit Suisse. "Definitivamente, trata-se de um círculo vicioso".

PACOTE

O governo japonês lançou na semana passada um pacote de estímulo à economia no total de US$ 123 bilhões com cortes de projetos públicos e redução temporária de impostos neste ano e no próximo. O pacote fornecerá um impulso significativo à economia quando começar a fazer efeito em julho ou agosto e muitos analistas acreditam que será suficiente para prevenir que a economia encolha em 1988. No entanto, os dados divulgados sobre o Japão mostram que, até o final do verão, a atividade econômica deverá permanecer pobre - e, além disso, o pacote pode falhar em produzir qualquer melhora sustentada na economia.


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