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| Recife, Domingo, 3 de Maio de 1998 |
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Asia Motors ganha nova chance Ministério da Indústria e Comércio decidiu renovar contrato para manter empresa no regime automotivo BRASÍLIA - O Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo (MICT) decidiu dar mais uma chance à Asia Motors de se manter no regime automotivo e vai renovar o contrato com a montadora, que venceria este mês. Entretanto, ela continua impedida de importar carros com redução de impostos até que cumpra o cronograma de investimentos apresentado pela diretoria da empresa. O Governo já abriu mão de cerca de R$ 50 milhões em arrecadação, por causa do benefício concedido às importações já feitas pela empresa, apesar de até agora os investimentos não terem começado. "O projeto de curto prazo que nos foi apresentado não é suficiente para suspender a proibição de importação com benefícios fiscais. É preciso mais que isso, é preciso que o investimento seja feito, que tenha uma característica de irreversibilidade. Com o novo programa de investimentos me pareceu que a empresa se reorganizou para cumprir a parte que lhes cabe no programa automotivo", disse o ministro da Indústria e Comércio, José Botafogo Gonçalves. PROMESSA Na reunião com o ministro, a diretoria da Asia Motors do Brasil prometeu investir R$ 20 milhões na terraplenagem do terreno onde a fábrica será construída e outros R$ 100 milhões na compra de equipamentos. Eles garantiram, ainda, que as dificuldades financeiras por que passam a empresa serão resolvidas assim que o Governo coreano leiloar a Kia Motors, controladora da Asia Motors. O MICT suspendeu a permissão para que a Asia importasse carros no início deste ano, depois que a empresa havia comprado R$ 170 milhões, sem fazer nenhum investimento. Pelas regras do regime automotivo, a importação de veículos acabados depende do que a empresa compra em equipamentos no mercado interno e externo. Na avaliação dos técnicos do MICT, o Governo corria o risco de dar o incentivo fiscal a uma montadora que não teria condições, nem se quisesse, de cumprir os investimentos prometidos. O ministro José Botafogo também anunciou o resultado da auditoria feita nas montadoras que vieram para o Brasil depois do regime automotivo. As seis empresas estão cumprindo as regras do programa e já investiram US$ 6,8 bilhões no país. SALDO De acordo com os números do MICT, o saldo comercial das montadoras estava positivo em US$ 611 milhões no final do ano passado. A Chrysler, que estará produzindo o jipe Dakota no Paraná, tinha um saldo negativo de US$ 134 milhões, enquanto a Mercedes Benz apresentava um resultado positivo em US$ 265 milhões. A compra de máquinas e equipamentos no mercado nacional também superou as importações no ano passado. A auditoria mostrou que foram gastos US$ 653 milhões em bens de capital feitos no Brasil, enquanto US$ 413 milhões vieram de fora do país. Esse fato pode ser explicado porque para cada dólar que a montadora compra no mercado interno, tem 20% a mais de bônus nas exportações do que na importação. Botafogo Gonçalves informou, ainda, que as negociações do regime automotivo do Mercosul já foram praticamente concluídas com a Argentina, faltando apenas acertar com o Uruguai e Paraguai. Segundo ele, a definição deverá ocorrer antes de junho e o regime será aplicado a partir do ano 2000, quando acabam tanto o programa brasileiro, como o argentino. |
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