Recife, Domingo, 3 de Maio de 1998

Sudene nunca esteve tão fraca e desprestigiada

Saulo Moreira
Da equipe do DIÁRIO

Funcionário da Sudene há dezessete anos, o servente João José do Nascimento, 62 anos, já teve a oportunidade de estender sua bandeja de cafezinho a governadores, ministros e grandes empresários. Seu João trabalha no gabinete da superintendência da autarquia há oito anos. Durante todo esse tempo, pôde acompanhar as famosas e demoradas reuniões do Conselho Deliberativo, repletas de lideranças políticas e gente famosa. Mas a coisa mudou. "Hoje a gente às vezes vê um deputado", conta o servente. A situação ilustra bem a condição atual do principal órgão de desenvolvimento econômico e social do Nordeste. A Sudene está desprestigiada, enfraquecida e esvaziada.

VELHA DISCUSSÃO

Amanhã, o ex-presidente da Chesf Sérgio Moreira assume a superintendência da Sudene no lugar do general Nilton Rodrigues. A saída de Rodrigues do comando da Sudene reacendeu a velha discussão sobre o papel da autarquia. Indicado para o posto em 1994, quando a Sudene, comandada pelo atual prefeito de Campina Grande, Cássio Cunha Lima, era alvo de uma saraivada de denúncias sobre desvio de verbas, o general entrou com a proposta de moralizar a situação e recolocar o órgão no lugar de destaque que um dia ocupou. Não foi totalmente vitorioso, mas também não saiu derrotado. A atuação do general afastou as desconfianças de corrupção, mas também jogou para longe o apoio dos políticos e empresários que antes eram confortavelmente servidos por seu João.

A razão é simples. Quando defendeu com afinco o retorno de parte dos investimentos disponibilizados pelo Fundo de Investimento do Nordeste (Finor), o general recebeu o apoio de técnicos, mas ganhou a antipatia dos empresários beneficiados pelo fundo. Criou-se, então, uma situação inusitada. Qual governador teria o interesse de participar das deliberações de uma instituição, cuja atuação vinha desagradando os grandes empresários de seu estado?


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