|
|
| Recife, Domingo, 3 de Maio de 1998 |
|
|
FMI afirma que país vai bem Juros subiram na hora certa, segundo porta-voz para a América Latina O Brasil passou no teste do Fundo Monetário Internacional- FMI - nosso velho conhecido dos tempos de inflação alta. Para o FMI o país se conduziu corretamente durante a crise asiática quando aumentou os juros para evitar uma fuga em massa dos investimentos estrangeiros no país. Tanto é assim que as reservas brasileiras fecharam o mês de abril com R$ 74 bilhões graças aos juros altos pagos aos investidores. Em outubro de 97, no auge da crise o país chegou a gastar R$ 10 bilhões, em uma semana, para conter a saída de capital. Mas a alta dos juros logo conteve a fuga. Francisco Baker, porta voz do FMI para a América Latina, avalia que a equipe econômica brasileira agiu corretamente, aumentando os juros no momento certo. A Rússia e a República Tcheca tomaram as mesmas medidas para não sofrerem com uma eventual fuga de capitais. O nível de reserva atingido pelo Brasil, segundo Baker, dá um certo conforto ao país e garante as metas traçadas de manter a estabilidade da moeda e a inflação baixa. As reformas queestão tramitando no Congresso - administrativa já está aprovada e a previdenciária está em andamento - devem, segundo o porta voz do FMI, assegurar a estabilidade no futuro. Segundo Baker o Fundo confia que as reformas vão reforçar a estabilidade e devem dar frutos fiscais para o país mais adiante. Avaliação do FMI é que com as reformas o déficit interno venha a diminuir. Como a situação do Brasil é boa no momento, não há expectativa de que o país venha recorrer ao Fundo para pedir empréstimos, como já fez em anos anteriores. NÍVEL Na época a situação econômica do Brasil, explica Francisco Baker, era outra. O nível de reservas chegou, durante o governo Collor, a níveis baixíssimos. Quase atingiu o mínimo recomendado pela Constituição, o equivalente e três meses de importação. Hoje as reservas são suficientes para estancar uma crise internacional. O Fundo avalia que as medidas só são boas para o país quando são bem absorvidas pela sociedade. Segundo Baker ao contrário do que se fala o programa tem que ser do governo e não do FMI. Mas o Fundo condiciona o empréstimo a programas de ajustes internos como metas fiscais, contenção de déficit público, queda da inflação e outros indicadores. Para o porta voz do FMI o papel do Fundo é estabelecer o diálogo entre os países e dar socorro financeiro quando necessário. Ele acha que a existência do Fundo é importante especialmente em momentos de crise. Baker acha que o Fundo existe para assegurar que as crises não tragam consequências mais graves para a sociedade. |
|
|