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| Recife, Domingo, 3 de Maio de 1998 |
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O Rio no caminho PANORAMA POLÍTICO Não só por conta da crise que se abateu sobre a candidatura Lula o Rio volta ao epicentro da política nacional. As tentativas da semana passada, talvez tardias, de união das forças governistas, indicam este deslocamento. Eleito governador, César Maia pode ocupar o espaço já demarcado para Luís Eduardo Magalhães na sucessão de 2002. Ao presidente, não interessa tê-lo como adversário. A solução pode passar pelo Senado. Renderam muitos boatos a longa conversa que Fernando Henrique Cardoso teve na terça-feira com o governador Marcello Alencar. O próprio Marcello se encarregaria de confirmá-la, mas negando qualquer disposição para desistir de ser o candidato do PSDB em favor de César. Mas de lá para cá, a bancada tucana do Rio gastou horas em conversas sobre o assunto. Marcello, como outros tucanos, tinha no ministro Sérgio Motta o grande impulsionador de sua candidatura. Não deixou de contar com o apoio de FH, e nem é provável que este tenha sugerido que ele desista de concorrer, como se especulou. O que houveali, segundo relatos de membros da bancada, foi uma avaliação realista do quadro eleitoral do Rio, à luz da nova situação. Até antes da morte de Luís Eduardo, setores do PFL não tinham o menor interesse em ver César Maia emergir como grande promessa de um partido que nunca fincou pé no Sudeste. Para suceder a Fernando Henrique, o candidato seria Luís Eduardo, e este, como dizem os tucanos, seria leal. Não se colocaria antes da hora, minando o segundo mandato de FH. Com seu desaparecimento, o campo está aberto para César Maia, e o PFL pode se empolgar com ele. Eleito governador depois de uma competição agressiva com o PSDB, César ficará à vontade para contrapor-se a FH (ainda mais se este tomar alguma atitude a favor de Marcello). Abrirá seu caminho fazendo desde logo uma oposição vigorosa. Isto posto, tê-lo como aliado seria o melhor caminho, mas Marcello não se dispõe a desistir. O eleitorado talvez não entendesse mesmo que depois de se xingarem tanto virassem parceiros. Aventou-se a hipótese, implausível,de os dois desistirem em favor de um terceiro nome. E por fim, surgiu a fórmula, em discussão, que está incomodando os tucanos. César e Marcello disputariam o governo, mas o PSDB deixaria de lançar candidato ao Senado, numa espécie de coligação branca. Como o PFL vai se coligar com o PPB, cedendo-lhe a vaga de senador, o acordo aproximaria os três partidos governistas. Mas para os tucanos, isto significaria mais que o sacrifício de Ronaldo César Coelho, provável candidato. Acham que isso soaria como uma espécie de rendição antecipada, influindo negativamente sobre a eleição de deputados. Estão, de certa forma, como os petistas que se negaram a apoiar o pedetista Garotinho. Entendem a relevância da situação nacional mas não gostariam de fazer por ela um sacrifício regional. Regionalismos Instituto de pesquisas goiano BusinessCall fechou agora uma pesquisa de intenção de votos para presidente em todas as capitais. Não apurou tendência nacional, mas aponta ocorrências singulares em algumas capitais. No Rio, Fernando Henrique ainda ganha de Lula, mas perde de longe para o conjunto de adversários. Teria 30,8%, contra 12,8% de Ciro Gomes, 12,5 de Lula, 7,7% de Itamar Franco, 5,7 de Enéas, afora outros e brancos e nulos. Brizola entra na pesquisa. Teria 4,5%. Lula, com 27,8%, ganharia de FH (25,0%) em Porto Alegre. Em Fortaleza, Ciro ganharia com 34,4%, contra 19,1% de Lula e 15,7% de FH. A capital em que o presidente teria mais votos seria Palmas (TO), um grotão, com 57,0%. Nome Se Lula desistir mesmo de concorrer, sem candidato o PT não fica. O nome que sobe agora é o do senador Eduardo Suplicy. Cristóvam Buarque não se desincompatizilizou e Tarso Genro acha que perdeu as condições, depois de ter sido derrotado por Olívio Dutra na convenção gaúcha. Função Está mal explicado o esforço dos tucanos para trazer Tasso Jereissati para a campanha nacional. Eles o querem para coordenar a campanha do PSDB, não a de Fernando Henrique, que já lhes disse: "Temos o Eduardo Jorge, mas ele é meu". FH também acha que o partido precisa de uma alavanca. O QUE preocupa FH, na situação eleitoral do Rio, são as repercussões futuras de uma eventual vitória de César Maia, e não o fato de ter dois palanques. Isso, ele acha, em alguns casos pode até ajudá-lo eleitoralmente. CHEGA hoje, para uma visita de três dias, o presidente da Índia, buscando consolidar o novo relacionamento iniciado com a visita de FH no ano passado. O ministro Marcos Vilaça, chegando agora de Nova Dhéli, diz que o governo indiano nutre as mais altas expectativas com a visita. A cassação de Sérgio Naya, cinco dias antes de sua morte, deixou Luís Eduardo Magalhães extremamente estressado. "Necessário, mas penoso", disse naquela noite. Morreu, pelo menos por ora, o calendário de julgamentos. O processo de Pedrinho Abraão continua pronto para ir ao plenário. |
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