Recife, Domingo, 3 de Maio de 1998

Juros americanos

PANORAMA ECONÔMICO
Míriam Leitão
Dirceu Viana

Esta semana, bolsas do mundo inteiro despencaram quando se espalhou o medo de que os juros americanos fossem subir. Na quinta, subiram no mundo inteiro porque se afastou o temor de que os juros fossem subir. No entanto nada aconteceu nos Estados Unidos que garantisse uma ou outra previsão. Exceto que na quarta-feira saíram os mesmos indicadores: o crescimento foi acima do esperado, a inflação abaixo do esperado.

Provavelmente até o próximo dia 19, quando se reúne o FED para decidir os juros, outros momentos de ansiedade poderão ocorrer. Mas a análise do padrão de decisão do Copom americano, o Federal Open Market Committee (FOMC), mostra que não há razão para pânico. O que aconteceu semana passada foi uma notícia no "Wall Street Journal" de que numa reunião interna o FED havia alterado a sua posição oficial de neutra (neutral stance) para maior aperto ( towards tightening).

A questão é que adotar esta posição não significa que automaticamente na próxima reunião, os membros do FOMC vão votar por uma elevaçãodos juros. No ano passado, por cinco vezes, eles votaram por uma posição de mais aperto, e acabaram mantendo os juros nos mesmos patamares. Os objetivos principais do Banco Central americanos são de manter a economia num nível seguro, de crescimento e criação de emprego, que não provoque aumentos inflacionários.

O fato de que Alan Greenspan, presidente do FED, se preocupe com a insistente alta da bolsa americana não quer dizer que ele vá fazer um movimento dos juros que derrube a bolsa. Aliás, ele nem decide sozinho. Votam sete governadores do FED e presidente de cinco dos doze bancos centrais regionais. E tudo o que o FED não quer é ficar com a culpa de ter derrubado a bolsa só por excesso de conservadorismo. A economia americana tem crescido de forma sustentada e exuberante, mantendo alto o nível de emprego e mantendo baixa as pressões inflacionárias.

Portanto não há nada, nos indicadores relevantes da economia, que indique ser a hora de elevar os juros. Mesmo assim, o mundo teve pelo menos um dia de medoesta semana. Na quinta o ambiente era o oposto, tanto que a certa altura a Bolsa de Paris estava subindo 4%. No Brasil, a recuperação não foi na mesma proporção porque o país tem seus próprios males impedindo euforias.

A semana fechou com - 0,4%. Mas a Justiça está criando incertezas nas privatizações e o Congresso não deu demonstrações de que, sem Sérgio Motta e Luis Eduardo, vai caminhar na direção que se espera. O BC brasileiro acompanha tudo o que acontece na economia americana para ver que decisão tomar. A reunião do nosso Copom será um dia depois da reunião do FOMC.

Muito cuidado com o futebol

Está cada vez mais distante a festejada associação do Opportunity com o Flamengo. O banco já negocia com outro grande clube, fora do eixo Rio-São Paulo. O que vem atrasando a entrada de investidores no futebol são os contratos de trabalho. As relações são tão complicadas, que os advogados acham que assim que um clube virar empresa vão jorrar ações na Justiça. O próprio Opportunity, que tem 51% do Bahia S.A., por precaução não integralizou o capital até hoje.

Panda e GE vão construir no Sul

Faltam detalhes para a Panda, um fundo de investimento do Texas, fechar com a General Electric e com a mineradora Copelmi a construção da termelétrica de Candiota, no Rio Grande do Sul. O negócio ganhou novas perspectivas depois da privatização da CEEE e da decisão de montadoras de se instalarem na região. O estado vai recuperar parte da indústria carvoeira e o país ganha um caminhão de dinheiro em divisas.

Posicionados

Um acordo de acionistas na semana passada selou a paz na família Araújo, controladora do Banco Mercantil do Brasil e da seguradora Minas Brasil, a 12 do ranking nacional. Primos e irmãos decidiram constituir uma holding, por dez anos, com o objetivo de fortalecer o controle e acabar com os rumores do mercado de que a Minas Brasil está à venda.

Vocação

Não chega ser a febre dos eletrodomésticos, mas é um dado revelador para os supermercados. O grupo Pão de Açúcar ganhou o prêmio de maior revendedor de microcomputadores e acessórios da Epson no Brasil em 97. O hipermercado Extra, que pertence à empresa, está vendendo em média 2500 micros e 4 mil impressoras por mês.

Apostas

A Ivisa, a maior empresa de loterias da Argentina, vai anunciar oficialmente nos próximos dias sua entrada no mercado brasileiro. Vai começar testando as raspadinhas apenas em um estado. Depois se expande. Só está faltando a palavra final da Receita.

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João Alberto

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