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| Recife, Quarta-Feira, 29 de Abril de 1998 |
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Começa hoje distribuição de cestas no Nordeste Serão socorridos de imediato 216 municípios atingidos pela seca BRASÍLIA - Ainda hoje começarão a ser distribuídas cestas básicas em 216 dos municípios atingidos pela seca no Nordeste. "Não há limites de recursos", assegurou, ontem, o engenheiro Sérgio Moreira, que assume a superintendência da Sudene na segunda-feira, mas já coordena as ações do governo no atendimento aos 1.209 municípios atingidos pela falta de chuva. Sérgio Moreira garantiu que "o governo chegará a todas pessoas afetadas pela seca". O socorro imediato do governo deverá demorar até 20 dias para chegar às demais localidades. Ele esclarece, no entanto, que 270 dos 1.209 municípios já vinham recebendo a assistência do programa Comunidade Solidária. Além disso, o governo vai antecipar a liberação de verbas do orçamento da União para obras no Nordeste destinadas a combater os efeitos da seca na região. Com a liberação dos recursos, prevista para o início de maio, o governo pretende criar postos de trabalho e Dar uma fonte de renda aos flagelados da seca. "Estamos passando um pente fino no orçamento", observou Moreira. SEM RENDA Ele informou, ainda, que o presidente Fernando Henrique Cardoso fará visitas à região. A população de todos estes municípios chega a 10 milhões de pessoas, mas Moreira esclarece que "só serão atendidos aqueles sem qualquer renda" e, por isso, sem possibilidade de comprar comida. Isso significa que a distribuição de cestas básicas não será feita aos aposentados que, em alguns lugares, chegam a 25% da população. "O governo não vai perder essa guerra", disse o superintendente indicado, que afirmou ter recebido carta branca do presidente Fernando Henrique. Sobre as tensões sociais que já ameaçam vários dos municípios atingidos, ele disse que o governo vai responder com eficiência na distribuição dos alimentos. Mas admitiu, também que, além da ajuda das comunidades locais, necessária na organização das listas dos flagelados, a entrega das cestas terá um esquema de segurança montado pelos ministérios do Exército, da Aeronáutica e da Polícia Federal. FRENTES Em outraação, de prazo mais longo, o governo quer combater a seca criando frentes produtivas. Até agora, uma medida recorrente no combate à seca da região Nordeste foram as frentes de trabalho. Moreira diferencia a ação do atual governo garantindo que as frentes produtivas prevêem não só o ensino de ocupações - "como o de pedreiro, de carpinteiro ou eletricista" - mas, até mesmo, a alfabetização dos flagelados. General faz denúncia BRASÍLIA - Em pelo menos uma cidade de Pernambuco os saques de flagelados a depósitos de alimentos foram incentivados pela própria prefeitura do município, com o objetivo de receber verbas federais. Foi o que denunciou ex-titular da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), general Nilton Moreira Rodrigues. Ele reconhece a gravidade da seca este ano, mas garante: o número de famílias afetadas é bem menor que metade dos flagelados pela última grande seca, há quatro anos, e há interessados em explorar políticamente a miséria na região. "Na seca de 94, foram atendidas 2,1 milhões de famílias, e, agora o número de famílias afetadas é de 900 mil, o que mostra que diminuiu o impacto da seca na população", garante o superintendente. Ele se recusa a informar o nome do município onde a prefeitura teria incentivado o saque ("não quero causar problemas para o meu sucessor"), mas comenta que é uma tradição no Nordeste o uso da seca como argumento para obtenção de verbas federais - depois usadas, segundo o superintendente da Sudene, conforme a vontade de cada prefeito. O ano eleitoral reforça uma mentalidade já comum na região, analisa o ex-superintendente da Sudene. "O município passa o problema para o estado, e este, para o governo federal, porque há uma cultura de conviver com a pobreza". Para Rodrigues, o uso eleitoreiro da ajuda federal foi reduzido, porém, com medidas como a exigência de conselhos comunitários para coordenar a distribuição de cestas e outros mecanismos de auxílio aos necessitados. Roubo de merenda FORTALEZA - Um grupo de cerca de 600 trabalhadores rurais saquearam ontem o depósito da merenda escolar da Prefeitura de Barro (462 km ao sul de Fortaleza), levando cerca de seis toneladas de alimentos. Segundo o prefeito Adaílson Landim (PSDB), os trabalhadores haviam sido convocados para se cadastrar em um programa de distribuição de alimentos da prefeitura quando resolveram saquear o depósito. "Foi tudo muito rápido. Eles entraram e levaram tudo o que viam na frente. Até mesmo o estoque de sabão e material escolar foi saqueado", diz Landim. Na sexta-feira passada, a Secretaria de Ação Social havia começado um programa que previa a distribuição de mil cestas básicas para a população de baixa renda do município. Os alimentos eram bancados pela prefeitura. O delegado de polícia de Barro, Antônio Ferreira, abriu inquérito para apurar o envolvimento de pelo menos dois comerciantes da cidade no saque. "Sei que a maioria era de famintos, mas suspeito da presença de aproveitadores", disse. Landim disse que o saque pode comprometer o fornecimento de merenda para a rede escolar do município. "Ainda não faltou merenda porque as escolas tinham estoques. É preciso repô-los imediatamente", disse. Jamelão homenageia Sérgio Motta BRASÍLIA - Sérgio Motta foi lembrado, ontem à noite, em sua missa de sétimo dia, ao som de As rosas não falam, música de Cartola que o próprio ministro das Comunicações pedira que fosse tocada em seu enterro. A homenagem foi à altura da mobilização de autoridades presentes à missa, celebrada na Catedral de Brasília: a música foi cantada por Jamelão, intérprete da Estação Primeira de Mangueira, e arrancou lágrimas do presidente Fernando Henrique Cardoso. Próximo ao altar, sentaram-se Fernando Henrique e Dona Ruth Cardoso, ao lado da viúva de Sérgio Motta, Wilma e de sua filha Renata. Mangueirense, Sérgio Motta certamente se emocionaria com a interpretação de Jamelão, acompanhado pelo Madrigal de Brasília, coral da Escola de Música da Capital. |
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