Recife, Terça-Feira, 28 de Abril de 1998

Diário ciência

Tratamento para o Mal de Alzheimer

Um desequilíbrio químico constatado em pessoas que sofrem do Mal de Alzheimer pode ser a chave para que os médicos tenham uma compreensão mais profunda da doença e possam tratá-la. Pesquisadores, das universidades de Oxford, na Grã-Bretanha, e Bergen, da Noruega, comprovaram que os que sofrem do Mal de Alzheimer, um tipo de demência senil, têm no sangue níveis altos do aminoácido homocistina, que habitualmente pode ser tratado com vitaminas B. Mas eles advertiram que as modificações no sangue podem ser uma conseqüência e não uma causa da doença. David Smith, da Universidade de Oxford, chefe do projeto, disse que os resultados são significativos porque fornecem uma hipótese experimental de que pode ser possível prevenir ou retardar o avanço do Mal de Alzheimer. Entretanto, não há provas diretas de que a ingestão da vitamina B reduz o risco de sofrer do mal de Alzheimer. A doença se caracteriza pela deterioração intelectual e mudanças da personalidade. Não tem cura e afetacerca de 20 milhões de pessoas em todo o mundo.

Música aumenta tamanho do cérebro

Tocar um instrumento musical aumenta o tamanho da região do cérebro que processa os sons, disseram pesquisadores alemães. O neurocientista Christo Pantev e seus colegas da Universidade de Munster, na Alemanha, utilizaram fontes de imagem magnéticas para comparar o cérebro de músicos e de pessoas que nunca tocaram nenhuma nota musical. Eles descobriram que o córtex auditivo de músicos é cerca de 25% maior do que a mesma parte do cérebro de pessoas que não tocam nenhum instrumento.

Descoberto gene das alergias

Cientistas americanos, da Washington University, de St. Louis, garantem ter identificado um gene mutante que, além de provocar reações alérgicas, pode ser responsável pelos ataques de asma. O gene, o primeiro relacionado com as alergias, desencadeia o primeiro passo nas complexas inflamações em cadeia que levam à asma. "Pelos resultados dos estudos, quem possui esta variável genética particular tem dez vezes maisprobabilidades de vir a ter alguma forma alérgica", declarou o pesquisador Talal Chatila ao The New England Journal of Medicine. Os especialistas, que suspeitam da existência de muitos genes envolvidos nos fenômenos alérgicos, acreditam que a descoberta poderá levar à identificação das pessoas de risco e ao aperfeiçoamento de novos tratamentos.

Câncer também é congênito

Algumas formas de leucemia podem ser contraídas na etapa pré-natal, segundo um estudo publicado pela Academia Nacional de Ciências de Washington. A leucemia linfoblástica, por exemplo, um tipo de câncer infantil muito difundido em países industrializados, está vinculada com uma mutação genética não hereditária, a fusão de dois genes que produzem uma proteína híbrida anormal. Alguns pesquisadores do Instituto Britânico para a Pesquisa sobre o Câncer descobriram que três crianças nas quais foi diagnosticada a doença entre o quinto mês e o segundo ano de vida, já apresentavam a mutação genética ao nascerem. A descoberta permitirá determinar, mediante um simples exame de sangue, se os recém-nascidos desenvolverão a doença com o passar dos anos.


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