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| Recife, Terça-Feira, 28 de Abril de 1998 |
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Controle do processo OPINIÃO O resultado da convenção do Partido dos Trabalhadores, no Rio de Janeiro, terminou de completar o giro de 360 graus que a política brasileira efetuou nos últimos dias. O PSDB perdeu seu principal executivo, Sérgio Motta, o PFL perdeu seu candidato à presidência da República em 2002 e o negociador dentro do Congresso, Luís Eduardo Magalhães, e a famosa aliança das esquerdas voltou a se constituir numa imensa utopia. Ou seja, todos estão contabilizando perdas sérias e significativas que possuem a qualidade de modificar profundamente o que antes estava planejado. No Rio de Janeiro, duas das principais correntes internas do PT abriram uma luta. O grupo chamado Refazendo queria um candidato próprio ao governo do estado. Seria Vladimir Palmeira, ex-líder estudantil, que passou pelo exílio, depois de ter sido preso, e chegou à Câmara Federal. No momento, estava distante de Brasília. A outra corrente, chamada Articulação, à qual pertence o candidato Luís Inácio Lula da Silva, não queria uma candidatura própria. Desejava que o partido apoiasse Anthony Garotinho, ex-prefeito de Campos, ao governo do estado. Garotinho é o candidato do PDT de Brizola, que seria o vice na chapa de Lula à presidência. Sem o acordo no estado, não deverá haver entendimento em nível nacional. O quadro político retorna ao início. Fernando Henrique Cardoso contra Lula, Enéas e Brizola. Ou seja, até que uma nova reviravolta ocorra, tudo está igual ao último pleito. A novidade é a participação de Ciro Gomes, como representante dos antigos comunistas. O governo Miguel Arraes, outra ponta desta possível, e cada vez mais inviável união das esquerdas, continua mantendo o seu silêncio. Há quem diga que ele é candidato à reeleição e há quem jure o contrário. O fato é que PT e PDT, Lula e Brizola, nunca se deram bem. A chapa Lula/Brizola é um delírio político de bom tamanho tanto nas intenções de um e outro, quanto nos projetos individuais e partidários. De certa forma, a convenção do partido no Rio de Janeiro percebeu em tempo hábil o que os articuladores não conseguiam enxergar. É difícil misturar Garotinho, um político de hábitos populistas, com as correntes ideológicas que seguem Vladimir Palmeira. As origens dos dois partidos são diferentes, os caminhos são diversos e as lideranças atendem a interesses conflitantes entre si. A dificuldade da esquerda, ou da oposição, em encontrar seu eixo decorre da falta de projeto e da compreensão da atual realidade histórica do Brasil. O presidente Fernando Henrique já disse, em entrevista, que ele é a imagem da esquerda moderna no Brasil. Foi contestado por frases, discursos e declarações, mas a prática partidária continua deixando em suas mãos uma folgada hegemonia dentro do cenário político nacional. Ele perdeu seus principais operadores, mas não deixou de controlar o processo. Pesquisa científica O caderno Vida Urbana do DIÁRIO DE PERNAMBUCO está inserindo nas quintas-feiras uma página destinada a discutir e tornar públicas pesquisas científicas que se façam no Estado. Para tanto, o jornal e a Universidade Federal de Pernambuco associaram-se num compromisso que resultará em vantagens assinaladas para o leitor interessado no andamento do esforço de investigação que se realiza dentro de nossas fronteiras. E ao mesmo tempo estimula, mediante a emulação, os setores mais diversos da ciência no Estado. Não são poucos os aspectos da investigação científica dignos de maior divulgação. A falta de notícias a respeito da relevante atividade como que fomenta a idéia - falsa - de que ciência digna deste nome se faz de costas voltadas para a população. Ela, em última análise, é ou deve ser o seu alvo principal. A publicação escassa do que se apura com os microscópios e os reagentes químicos, com os lêiseres e medidores de alta precisão, poderia estar criando na mente das pessoas a impressão de que os meios científicos são infensos a toda forma de comunicação social. A própria noção - incorreta - de que a Universidade é uma ilha habitada por entes de outros planetas, os Phdeuses, disseminava-se no rastilho da falta de notícias sobre os acontecimentos acadêmicos. O que se passa nas salas de aula - porque estudantes não têm inibição em vocalizar queixas - vem a público com alguma freqüência. O mesmo sucedendo aos professores nos protestos levantados contra a precária remuneração. Mas, o trabalho feito na intimidade apenas dos laboratórios de pesquisa raramente ultrapassa os vestíbulos, átrios e umbrais que marcam o limite físico entre o saber acadêmico e a ignorância difusa. Na última quinta-feira, saiu a primeira contribuição sob os auspícios do convênio DIÁRIO-UFPE, com ampla matéria relativa à telemedicina. É idéia de seus mentores que já no próximo ano se façam consultas e também cirurgias, mediante a utilização de canais eletrônicos interligados pelo Estado a fora. Sessões experimentais estão sendo coroadas de êxito,e o pessoal envolvido tem tido razão de sobra para estusiasmar-se a cada passo dado para a frente. No início do mês, médicos alemães fizeram exames de endoscopia digestiva, com transmissão, ao vivo, para estudantes de medicina do Recife e Caruaru. Em maio, programa-se assistir em tempo real a seminário médico a partir de Toulouse, na França. O ensino da medicina à distância virá proximamente, com a contribuição das universidades norte-americanas do Kansas e Georgia. O InfoVida é, a esta altura, uma realidade entre nós. É natural que esperemos o êxito, também, de outras atividades científicas em Pernambuco, em paralelo com o que temos podido colher no campo da ciência médica. |
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