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| Recife, Terça-Feira, 28 de Abril de 1998 |
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Preço da exuberância PANORAMA ECONÔMICO Ontem o mercado se perguntava, olhando para Nova York: é só mais uma black monday ou é o começo da correção técnica da bolsa americana? Há muito tempo o mercado financeiro do mundo inteiro espera o dia do começo da queda do Dow Jones. Há um ano e meio especula-se sobre a suposta elevação dos juros americanos. A correção da Bolsa de NY pode até ocorrer, porque subiu demais, mas não existem razões para alta dos juros. O Brasil, como sempre, por ter mais volatilidade caiu mais que todo mundo. Razões internas para pessimismo havia muitas ontem. A liminar suspendendo a assembléia geral da Telebrás é a primeira pedra no caminho da privatização. Ainda não se sabe o que vai acontecer com a relação do Governo com o Congresso sem Sérgio Motta e Luís Eduardo. A reforma da Previdência depende portanto deste imponderável. Apesar de tudo isto, o pessimismo ontem estava todo americanizado. Foram importadas também a queda da Bolsa do México (-3%) e a da Argentina (-3%). A tortuosa antecipação que o mercado faz é a seguinte: a bolsa cai agora porque cairá quando os juros subirem no dia 19 de maio, reunião do Fed. E os juros vão subir - se subirem - porque a bolsa subiu. E porque os juros vão subir, eles já sobem no mercado futuro. Ontem, os Long Bonds americanos passaram o dia em alta. Aí é o caso de se perguntar: se os juros vão subir para que a bolsa caia, será necessário elevá-los se a bolsa está caindo antecipadamente? Se o efeito precede o remédio, será que o remédio é necessário? É de dar nó na cabeça dos pobres mortais, que não fazem parte desta estranha instituição chamada "o mercado". A bolsa americana realmente tem tido um comportamento tão surpreendente que já nem surpreende mais. O índice Dow Jones multiplicou por um fator de dez em pouco mais de uma década. Foi de 800 para 8.000 pontos, até que teve a queda do ano passado. Agora já estava em mais de 9.000. Ano passado estava com alta de 35%, depois de dez anos de altas sucessivas. A crise da Ásia derrubou o índice e ele fechou o ano com uma valorização de 23%. Este ano já subiu 15%. Tudo isto é o que o presidente do Fed chama de "exuberância artificial". Mas a dúvida dos analistas é se índice da bolsa é razão suficiente para fazer o Banco Central americano mudar os juros. Afinal, ele só era suposto agir se aparecessem sinais de superaquecimento da economia que produzissem pressões inflacionárias. Não há pressões inflacionárias na economia americana. Lá não sobe a Coca-Cola, não sobe o hambúrguer, nem o metro da área construída. Há sim uma exuberância real. O que há é uma economia que produz cada vez mais, consome cada vez mais, emprega cada vez mais e não se abala por nada, rasgando nesta escalada todos os livros-textos que sustentam que um crescimento assim tem que já ter produzido inflação. Houve sinais leves de aumento de desemprego e isto alimentou aquela estranha alegria: se o desemprego aumentou isto pode significar que a economia vai reduzir um pouco o ritmo de crescimento, pensaram os analistas. Acontece que estudados melhor, os dados mostraram quea queda do desemprego foi um fato isolado. Nem a crise da Ásia, nem a paralisia japonesa reduziram a marcha da economia americana. Não é razoável que o Fed tome a decisão de elevar os juros sem que haja problemas nos fundamentos da economia americana, e sim uma euforia, considerada excessiva, nas bolsas. Mas ontem estava todo mundo disposto a acreditar na reportagem do "Wall Street" que previa aumento dos juros na próxima reunião da autoridade monetária. De Demosthenes Madureira do Pinho, do BC: "É prematuro dizer que isto é o início da queda da bolsa americana. Acho pouco consistentes as análises de crise. Todos os indicadores dos EUA estão bem." Da revista "BusinessWeek" sobre o Brasil: "O Brasil não ficou infeliz com a falha do fast-track porque tem sua própria ambição de influenciar a América Latina." As ações da Telebrás fecharam ontem a R$130, ou a US$ 113,6, e com proposta de venda. A cotação voltou para o mesmo patamar do início de janeiro. O futuro do Nikkei fechou em queda de 3% ontem em Nova York. É uma indicação de que a Bolsa de Tóquio pode cair hoje. |
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