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Caruaru
Na maior feira livre do Brasil, existe de tudo um pouco. Gente vendendo bonecos, contadores de causos e até "doutores do povo"
Michelle de Assumpção Da equipe do DIÁRIO
No começo da feira, lá pelos anos 50, seu Olegário Fernandes, 66 anos, disputava espaço para contar suas mentiras, como diz, em forma de papel melado. Armava uma maleta, punha os títulos em cima, e passava o dia a gritar para os fregueses: "Olha a História do Boi de Mina!", "o caso das Carnes Contaminadas..." Hoje, ele reina sozinho, com seus cordéis, na feira de Caruaru. Não precisa gritar mas tão alto as histórias do Romance do Homem que Enganou a Morte no Reino da Mocidade ou da Mãe que Matou a Filha Para Comer. Passa o dia mais descansado, atacando os comerciantes vizinhos com sua língua afiada, recebendo os poucos turistas que circulam pelo local, contando causos. "Meu serviço sempre foi papel melado, faz 44 anos que Olegário mente nessa feira", diz. E de conto para conto, de uma maletinha armada no meio a balaios de alimentos, Olegário passou para uma barraca de tábuas, prestes a se transformar numa espécie de museu do cordel. Tudo faz parte de um projeto para dar mais vida à feira de Caruaru, que nasceu antes mesmo da cidade, mas cresceu tanto que fugiu ao controle dos administradores.

A origem dos mitos
Uma recordista de vendas (entrevista com Ana Maria Machado)
João Alberto
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