Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998

Uma boa atuação de Sylvester Stallone

Rodrigo Salem
Da Equipe do Diário

Todo mundo sabe o que vai encontrar quando se propõe a assistir um filme estrelado por Sylvester Stallone. É porrada, explosões, pouca interpretação e muita ação. Mas o coitado do Sly, depois de amargar fracas bilheterias com filmes usuais, engoliu o nó na garganta, botou o orgulho no saco e foi implorar um emprego em Cop Land filme do diretor James Mangold, que está chegando às locadoras brasileiras. E o pior é que valeu a pena. O filme vale todos os esforços do ator.

Sylvester Stallone teve que engordar dez quilos, aceitar um salário de 10 mil dólares e enfrentar feras do quilate de Robert De Niro e Harvey Keitel. Talvez o fato de não estar passando por um bom momento na vida tenha sido crucial para Sly incorporar um personagem perdedor, contido, tenso. Não são poucas as vezes que o espectador fica esperando o sherife idiota se rebelar e detonar os inimigo com uma direita arrasadora.

Mas os inimigos são muitos e mascarados sob o uniforme da polícia nova-iorquina. Um destes tiras, numa perseguiçãoocasional, mata dois jovens negros por engano e tem a pele salva pelo tio, que arma um falso suicídio para o assassino. A partir daí, a trama de Cop Land gira em torno da teia de corrupção armada pelos policiais, não só para encobrir o companheiro matador, como para enriquecer ilicitamente e traficar drogas. Stallone luta contra seus princípios - honestos, porém medrosos -, sempre pressionado pelos dois lados: no canto esquerdo do ringue, o policial de assuntos internos (De Niro). No direito, os corruptos moradores da terra de tiras (Keitel, Robert Patrick e Liotta). Nada como Rocky para pôr ordem na cidade. E a seqüência final vale o filme.

SERVIÇO

Cop Land (Cop Land, EUA, 1997). Direção: James Mangold, Elenco: Sylvester Stallone, Robert De Niro, Harvey Keitel e Ray Liotta. Distribuidora: Playarte. Duração: 104 minutos. Cotação: ***

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