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| Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998 |
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Mocinho psicopata Novo thriller de Mel Gibson decepciona com enredo fraco e má atuação Rodrigo Carrero No meio de 1996, quando surgiram as primeiras notícias a respeito da produção de Teoria da Conspiração, tudo indicava que se tratava de um dos peso-pesados da temporada do ano seguinte. Afinal de contas, os quatro filmes anteriores que reuniam o ator Mel Gibson e o diretor Richard Donner tinham sido sucessos. Basta lembrar da trilogia Máquina Mortífera e imaginar o estrago que a película faria no verão norte-americano. E Gibson acabara de ganhar Oscars de direção e filme por Coração Valente. De quebra, ainda havia o roteiro, assinado pelo mesmo Brian Helgeland de Los Angeles - Cidade Proibida. Com mais Julia Roberts para animar os tarados de plantão, parecia tudo certo para um grande estouro. Nada mais errado. Teoria da Conspiração passou em branco pelas telas americanas e nem ganhou campanha publicitária no Brasil. Agora, chegando em vídeo, mostra-se intrigante. Porque, além disso tudo, a história é boa: um motorista de táxi, Jerry Fletcher (Mel Gibson) , é uma espécie de paranóico ambulante que vê conspirações em tudo o que lê nos jornais ou ouve nas esquinas. Tem um porção de teorias malucas - por exemplo, ele acredita que os terremotos que acontecem na Terra são gerados por ônibus espaciais norte-americanos para matar figurões. Ou que a simples quebra de um cano de esgoto fora do Inverno é sinal de que algo anda acontecendo nos subterrâneos da cidade de Nova Iorque. Além de paranóico, Fletcher é obsessivo. Freqüenta a Promotoria Pública atrás da advogada Alice Sutton quase que diariamente. Edita um panfleto com resumo de suas teorias e o distribui para cinco (?) assinantes. Até que a CIA, o FBI e um mundo de agentes secretos caem na cabeça dele. Lógico, Fletcher não consegue imaginar qual de suas teorias está correta, para atrair tanta gente ao seu encalço. É por aí que o filme vai. Não dá para entender exatamente qual o maior problema. Se é a interpretação nitidamente canastrona de Gibson, se é a direção fria e calculista em excesso, se é a demora do filme para engrenar numa trama mais complicada. O fato é que o filme não consegue empatia com o espectador. O problema parece ser mais de direção do que de roteiro. Afinal, há as tradicionais reviravoltas, surpresas e cenas de perseguição bastante convincentes. Helgeland (o roteirista, não custa lembrar) só errou num ponto: a aproximação emocional entre Gibson e Roberts demora a engrenar e acontece num piscar de olhos. Dentre as tradicionais mentiras hollywoodianas, a pior de todas é a história da mulher que vê um louco homicida num instante e, um minuto depois, vê o amor da sua vida em sua frente. Claro: no mercado de vídeo, Teoria da Conspiração tem tudo para ir bem. Afinal, o público a ser atingido é exatamente aquele que, desestimulado pelas críticas negativas e pela falta de publicidade, preferiu esperar o filme chegar à telinha do que se arriscar a pagar o dobro e assisti-lo diante da telona. Já está em primeiro lugar, em quantidade de locações. Não é um filme exatamente ruim. Se fosse feito por um diretor estreante, até poderia ganhar uns elogios. Mas vindo de Richard Donner, merecíamos coisa melhor. Vamos ver se a quarta parte da série Máquina Mortífera repara essa falha. SERVIÇO Teoria da Conspiração (Conspiracy Theory, EUA, 1997). Direção: Richard Donner. Elenco: Mel Gibson, Julia Roberts, Patrick Stewart, Terence Alexander. Distribuidora: Warner. Duração: 129 minutos. Cotação: *** |
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