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| (Atualizado no dia 21/4/1998) |
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Jamaica A ilha da fantasia Ariane Costa Caso alguém lhe pergunte o que é a Jamaica - uma ilha com 11,4 mil quilômetros quadrados de área, a terceira maior do Caribe, e uma população de 2,2 milhões - provavelmente responderás: é um paraíso onde nasceu e morou Bob Marley, há muito reggae, maconha, negros produzidos com as conhecidas tranças rastafaris e praias de um azul estonteante. Ok, você não errou. Acontece que existem duas Jamaicas bem diferentes: a dos turistas - cercada pelo luxo dos hotéis all-inclusive (onde todas as despesas estão incluídas) e que cerca de 30% dos visitantes são casais em lua-de-mel - e a dos nativos, pessoas que vivem em casas humildes e têm no turismo sua maior fonte de renda. Os grandes investimentos desse país, com 900 quilômetros de costa e um clima tropical o ano inteiro (faz frio apenas nas montanhas do interior), foram feitos nos hotéis all-inclusive, que deram o ar da graça nos anos 80, inspirados no Club Mediterranée. Oferecem tudo o que o hóspede pode querer - refeições, lanches, bebidas, esportes e até cigarros - por um preço fixo. Portanto, nada de ter de colocar a mão no bolso a cada pedido. É como uma ilha da fantasia do seriado (lembram?) só que sem o anãozinho Tatoo. Passar sete dias (é o tempo médio dos pacotes) na ilha da fantasia não é nada mal. O problema é que esses resorts, onde o branco é maioria, confinam os turistas e ainda alimentam o sentimento de apartheid nos nativos. De acordo com um morador de Ocho Rios, uma localidade turística, há hotéis que cercam as praias e cobram para algum morador entrar. Pior ainda é que os turistas voltam para os seus países dizendo que conheceram a Jamaica. AVENTURA Conhecer a Jamaica pressupõe ir além dos muros dos hotéis e aventurar-se em busca do país verdadeiro. Logo a hostilidade dos nativos se transforma num largo sorriso, acompanhado da expressão Yeah Man! - que pontua cada final de frase - e uma oferta de trancinha à moda rastafari, antecedida por uma massagem com babosa, ganja (nome dado a popular maconha) e cogumelos; artesanato típico do local ou simplesmente um papo. A partir daí, é traçar um roteiro pelas praias, rios ou interior da ilha e não esquecer de escalar ao menos uma das maravilhosas e instigantes cachoeiras. Ao longo do percurso, observe como se vestem e vivem os jamaicanos e dê uma parada no Museu de Bob Marley. Se lá lhe perguntarem o que é BMW, nem pense no carro alemão que é o sonho de consumo de nove entre dez brasileiros. As letras significam Bob Marley and the Wailers. Vale também conferir a gastronomia do lugar, uma mistura variada e por vezes picante que ilustra as muitas culturas e tradições do passado. Cuidado apenas quando for fazer fotos dos nativos. Eles detestam uma máquina apontada em sua direção. Existem alguns que permitem se houver um pagamento prévio. Depois da aventura, a imagem clichê da Jamaica pode até permanecer. Mas, certamente o visitante que segue em busca do país verdadeiro volta com a sensação de que descobriu um destino que vai muito além de uma ilha da fantasia: uma Jamaica sofrida, com violência, assaltos, gostos, cores e hábitos a serem desvendados. Tire proveito do fato de ser brasileiro - e já ter know-how nesse assunto - e procure esse país. Ele certamente não o decepcionará. A editora viajou a convite da Janga Turismo |
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