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| (Atualizado no dia 16/4/1998) |
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Barato e menos poluente Gás natural é alternativa para economizar redução pode ultrapassar os 50% Lúcia Guimarães Com o sinal verde dado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em 96, liberando o uso do Gás Metano Veicular (GMV) - gás natural - na frota de carros do país, os consumidores, aos pouquinhos, estão apostando no negócio. Não é para menos. A redução de custos pode ultrapassar a marca dos 50%. Enquanto a gasolina chega a ter preço superior a R$ 0,80 em alguns postos do Recife e o álcool atinge a casa dos R$ 0,68, o metro cúbico do gás custa R$ 0,39. Mais: a conservação do motor do carro é considerada bem melhor. Além do produto ser uma alternativa menos poluente. O aumento do seu uso ainda pode trazer outro benefício: reduzir o consumo de óleo diesel, produto que comanda o perfil do refino e das importações de petróleo no país. Agora, se você ainda encara o gás natural como um produto de alta periculosidade, comparando-o ao gás de cozinha, esqueça o absurdo. Ele é bem menos perigoso que este gás e do que a gasolina. "O GMV é mais leve que o ar, muito mais fácil de ser dissipado em caso de acidentes", explica o gerente de vendas da Petrobrás Distribuidora, Antônio Manoel Carrilho. Na hora de optar pela adaptação do seu carro, é bom levar em consideração algumas dificuldades, antes de desembolsar cerca de R$ 2 mil para a reforma. A primeira delas é com o abastecimento. É que existem poucos postos fornecedores do produto. No Recife, são dois. E duas empresas que fazem a conversão do motor. Não é fácil instalar um posto deste tipo, a começar pelo custo que é bem maior se comparado a um posto convencional. O equipamento está custando algo em torno de R$ 550 mil, enquanto os tanques e as bombas de combustíveis líquidos saem pela metade. Some-se à isso outro mal que acaba limitando, ainda mais, a sua utilização: os postos só podem existir em locais onde há rede pública de gás encanado. No país, aproximadamente 53 postos operaram com o produto. MONTADORAS O gasoduto Bolívia-Brasil pode cair como uma luva neste ramo, pois deverá impulsionar o uso do gás natural, gerando novas oportunidades de acesso. O projetotem 3 mil quilômetros de dutos que vão transportar o gás da Bolívia para o Brasil, já está com cerca de 24% encaminhado e, até 99, deverá estar em vias de conclusão. Bom, mas além da falta de postos, o gás natural ainda enfrenta a falta de produção em escala de carros nas montadoras. Ao contrário dos países desenvolvidos, que apostam cada vez na alternativa. É como o dilema do ovo e da galinha, aquela historinha de quem veio primeiro. Os postos reclamam que não há incentivos devido à ausência de veículos para suportar a demanda, enquanto as montadoras argumentam que a falta de postos é o principal obstáculo para que não haja a produção. Mesmo assim, os consumidores garantem que vale a pena a escolha, porque os automóveis quando adaptados para o GMV tornam-se bicombustíveis. No Brasil, o veículo, até bem pouco tempo, perdia a garantia de fábrica na hora em que sofria a transformação. Com o incentivo do governo, as fábricas, lentamente, começam a despontar no mercado e a oferecer kits de adaptação originais. Este é o caso da General Motors e da Volkswagen. A GM é a única montadora que já atuou no segmento, mas não chegou a produzir automóveis em série. Mas o programa acabou em função da falta de estímulo do produto, o fim da fabricação de carros a álcool (são melhores para a adaptação) e até mesmo porque era considerado caro, devido à alta tecnologia que utilizava para a época, segundo explica o gerente de Imprensa da GM, Bob Sharp. Pioneira na implantação da tecnologia no país, a GM já chegou a lançar um carro equipado com um kit de conversão, em 93, e vendeu para taxistas um lote piloto de sessenta veículos. A empresa tem estudos na área.
DEMANDA Desde março, a Volks está adaptando para gás os modelos Santana, Quantum, Parati, Gol e Kombi. Deverá produzir cerca de 3 mil automóveis este ano. A Fiat também deve aparecer com alguma surpresa até o fim do ano, sem causar espanto, porque na Europa já comercializa carros a gás, como o Marea, que será lançado no Brasil mês que vem. A Ford também aposta no gás natural. Nos Estados Unidos, a empresa é líder no mercado de propulsores a gás e elétricos e oferece vários modelos adaptados. A montadora não descarta a oportunidade de investimentos no Brasil, em breve. A decisão dependeria de uma política mais abrangente. Estima-se em 13 mil o número de carros que utilizam o gás no Brasil. Destes, cerca de quatrocentos são veículos pesados e 12.600 táxis. A fatia de carros particulares é que promete esquentar a demanda do produto. Em 97, o consumo cresceu algo em torno de 81,8%. Deste percentual, os veículos leves foram responsáveis por cerca de 98%, enquanto que os pesados responderam por apenas 4,2%, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo. |
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