Recife, Terça-Feira, 21 de Abril de 1998

Estudantes fregueses

Na reportagem do DIARIO, um dos coveiros afirmou que os maiores compradores eram os estudantes, que adquiriam ossos para estudar em casa. Este detalhe causou estranheza ao chefe do Departamento de Anatomia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alexandre Bittencourt. "Nunca ouvi falar que algum estudante precisou levar osso para analisar em casa. Ou ele seria muito exagerado ou a escola está exigindo conteúdos incompatíveis com sua carga horária", analisa. Segundo Bittencourt, os ossos utilizados na UFPE, cerca de vinte esqueletos dispersos e quinze montados, ficam à disposição para quem precisa estuda fora do horário das aulas. Todos foram adquiridos há mais de vinte anos, através de convênio com a secretaria de saúde ou doações de familiares.

"Desde o primeiro ano, o estudante aprende a ter respeito por qualquer material cadavérico. Lembramos que eles poderiam ter pertencido a algum parente seu, e que estão sendo usados para seu aprendizado", afirma. A maioria dos ossos pertenceu a indigentes, que sempre são homenageados no término do curso. Não é raro constar homenagem ao cadáver desconhecido em convites de formatura das turmas de medicina. "Repudiamos esse tipo de comércio", diz.

Segundo o departamento de Recursos Humanos da Empresa de Limpeza Urbana (Emlurb), o salário de um coveiro, incluindo insalubridade e quinquênio, chega a R$ 280.

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