Enquanto a prefeitura do Recife promete investigar a violação dos túmulos dos cemitérios de Santo Amaro e Casa Amarela, familiares se protegem como podem para garantir que seus mortos não tenham a última morada violada. A comerciante Maria de Lourdes Feitosa, que freqüenta o cemitério de Santo Amaro há catorze anos, se desdobra para manter em ordem o jazigo perpétuo da família. "Já vinha por aqui com freqüência, agora, com certeza virei mais vezes", diz ela. Ela conta que há cerca de treze anos comprou o jazigo através de um coveiro. "Quando fui colocar os ossos descobri que havia sido enganada. O jazigo não era dele", revela.
Depois de muito brigar com a administração do cemitério, Maria de Lourdes conseguiu ficar com o jazigo. "Soube depois, que este mesmo coveiro vendia ossos para terreiros de macumba e fazia várias irregularidades aqui dentro", conta a comerciante. Segundo ela, o comerciante ilegal foi demitido. Em frente ao jazigo de número 735, onde estão depositados os ossos de seu filho, irmão e mãe, ela observa que falta a pedra de mármore com o nome da sua mãe, a última que morreu. A tampa está solta. "O coveiro disse que era para facilitar a abertura", conta. No jazigo de baixo, um enorme osso repousa no meio de folhas. Nervosa, ela ri. "Deus me livre que seja de algum deles".